Estreias frustrantes marcam dia ruim do Brasil na gira australiana
- Raphael Favilla

- 12 de jan.
- 3 min de leitura
Um dia difícil para o tênis brasileiro na Austrália marcou a segunda-feira, com eliminações precoces tanto no circuito profissional quanto no qualificatório do Australian Open. Em Adelaide, Beatriz Haddad Maia se despediu logo na estreia do WTA 500 após uma batalha de três sets, enquanto em Melbourne Laura Pigossi não conseguiu sustentar vantagens importantes e caiu na primeira rodada do quali do Grand Slam.
Na abertura da temporada, Bia mostrou sinais claros de competitividade depois de quase quatro meses afastada das competições, mas acabou superada pela canadense Victoria Mboko, cabeça de chave 8 do torneio, que venceu de virada por 5/7, 6/3 e 6/2. Foi a primeira partida da paulista desde setembro, período em que priorizou a recuperação física e mental, além de cuidados com a saúde reprodutiva.

A brasileira começou bem, pressionando o saque da adversária e sendo recompensada com a quebra decisiva no último game do primeiro set. No entanto, a partida mudou de rumo a partir da segunda parcial, quando o saque passou a oscilar. O aproveitamento com o primeiro serviço caiu drasticamente, assim como a eficiência com a segunda bola, deixando Bia vulnerável nos próprios games. Mboko aproveitou, quebrou três vezes no segundo set e levou a decisão para o terceiro.
Mesmo com melhora no aproveitamento do primeiro saque na parcial decisiva, a canhota brasileira voltou a sofrer com a segunda bola e acabou levando uma quebra precoce, que se mostrou determinante. A canadense manteve a solidez até o fim e ainda ampliou a vantagem para fechar o jogo.
Após a partida, Mboko fez questão de reconhecer o nível apresentado pela número 1 do Brasil. “Não é fácil jogar contra ela. Ela é uma jogadora muito talentosa. Foi uma partida muito difícil para mim, então me sinto um pouco aliviada por conseguir passar hoje”, afirmou ainda em quadra. A jovem de 19 anos também destacou a variedade do jogo de Bia: “Ela tem muita variação, é super agressiva e consegue bater forte na bola. Eu só queria me manter firme o máximo possível e lutar em cada ponto”.
Enquanto Bia se despedia em Adelaide, o dia também terminou de forma amarga para o Brasil em Melbourne. Laura Pigossi caiu logo na estreia do qualificatório do Australian Open, superada pela chinesa Lin Zhu, 168ª do ranking, com parciais de 6/4 e 6/4 em 1h35. O resultado teve gosto ainda mais amargo porque a paulista esteve à frente nos dois sets.
No primeiro, Pigossi abriu 4/1 e saque, mas não conseguiu sustentar a vantagem, sofreu duas quebras consecutivas e acabou perdendo cinco games seguidos. O roteiro se repetiu na segunda parcial: nova quebra logo no início, vantagem de 4/2, e mais uma vez a chinesa reagiu no momento decisivo, anotando duas quebras seguidas para fechar a partida.
Os números explicam parte da dificuldade da brasileira. Apesar de colocar 73% dos primeiros serviços em quadra, Pigossi venceu menos da metade dos pontos com esse fundamento e teve apenas 31% de aproveitamento com a segunda bola, enfrentando ao todo 12 break-points durante o confronto.
Assim, entre Adelaide e Melbourne, o Brasil encerrou o dia sem vitórias, em um começo de gira australiana marcado por sinais de competitividade, mas também por dificuldades nos momentos-chave. Para Bia Haddad Maia, resta agora buscar ajustes rápidos para a sequência da temporada; para Pigossi, a frustração de mais uma eliminação precoce em Slam, em um cenário que reforça como cada detalhe pesa no alto nível do circuito.
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