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Fonseca cai no quadrante mais pesado da chave em Cincinnati

  • há 18 horas
  • 4 min de leitura

O sorteio do Masters 1000 de Cincinnati deu a João Fonseca a condição de 23º cabeça de chave, entrada direta na segunda rodada e uma estreia contra o vencedor do duelo entre os holandeses Tallon Griekspoor, 69º do ranking, e Botic van de Zandschulp, 70º colocado.


Número 1 do Brasil e 27º do mundo, o carioca de 19 anos chega ao torneio que começa na quinta-feira com mais do que um bom sorteio em jogo: as 32 primeiras posições do ranking definem os cabeças de chave do US Open, e ele está dentro por margem estreita. A chave em Ohio, aliás, perdeu os dois melhores do mundo. Jannik Sinner desistiu por causa do joelho direito e Carlos Alcaraz segue fora desde abril por uma lesão no punho, o que deixou Alexander Zverev como cabeça 1 e Novak Djokovic como terceiro favorito.


Tenista de boné claro ergue raquete vermelha em quadra, com torcida desfocada ao fundo, expressão concentrada.
João Fonseca (Foto: Priyan Rajendhiran/Surya Rajendhiran/SR28 Sports)

O retrospecto contra Van de Zandschulp está empatado, uma vitória para cada lado. Contra Griekspoor, seria o primeiro duelo entre os dois.


Fonseca vem de uma semana boa e de um jogo ruim. Depois de bater Stefanos Tsitsipas e Casper Ruud em Montréal, foi superado por Ben Shelton nas oitavas de final e saiu da quadra sem meias palavras. "Neste nível, não tem como perder oportunidades", disse à ESPN após a derrota no Canadá. "Agora é voltar para a quadra e treinar, treinar saque, enfim. Não acho que joguei bem, é treinar e ir para a próxima", avaliou após cair para o americano.


O caminho até Ruud

Se passar da estreia, Fonseca pode reencontrar o norueguês Casper Ruud na terceira fase. Nos dois duelos anteriores entre os atletas, vitória brasileira em Roland Garros e outra recentemente no Masters 1000 de Montréal. De bye na primeira rodada e cabeça 11 em Cincinnati, Ruud espera o vencedor entre o polonês Kamil Majchrzak e um tenista saído do qualificatório.


Nas oitavas, o obstáculo mais provável é um norte-americano. Taylor Fritz, oitavo do ranking e cabeça 6, comanda o quadrante e aguarda o vencedor do duelo entre o compatriota Alex Michelsen e o holandês Jesper De Jong. Fritz foi campeão do ATP 500 de Washington nas últimas semanas, mas caiu precocemente em Montréal.


Vencendo a estreia, ele pode pegar o belga Zizou Bergs, cabeça 30, que aguarda o resultado entre o veterano croata Marin Cilic e o espanhol Daniel Merida.


Um quadrante com quatro ex-campeões de Masters

A seção de Fonseca é, de longe, a mais carregada da chave. Além de Fritz e Ruud, estão ali os russos Daniil Medvedev, campeão em Cincinnati em 2019, Andrey Rublev e Karen Khachanov, mais Brandon Nakashima e o argentino Francisco Cerúndolo. Cilic, que levantou o troféu em 2016, entrou com convite.


O nome de Cerúndolo dá um sabor extra ao sorteio. Cabeça 20, o argentino só cruzaria com Fonseca nas quartas de final, o que significa que os dois sul-americanos mais bem colocados do circuito estão no mesmo pedaço da chave. O último encontro entre eles foi a final do ATP 250 de Buenos Aires em 2025, quando o brasileiro conquistou o primeiro título da carreira.


No mesmo lado do quadro estão o canadense Félix Auger-Aliassime, cabeça 2, e Shelton, oitavo favorito. Zverev e Djokovic ficaram na outra metade.


Esta é a segunda participação de Fonseca em Cincinnati. Na edição passada, o carioca venceu os dois primeiros jogos antes de ser barrado pelo francês Terence Atmane na terceira rodada. Em Masters 1000, ele soma 17 vitórias e 14 derrotas, com melhor campanha nas quartas de final de Monte Carlo, no saibro, neste ano.


Heide para na porta de entrada

O único brasileiro no qualificatório não passou da estreia. Gustavo Heide encheu de dificuldade a vida do francês Luca Van Assche, cabeça de chave 1, mas perdeu em sets diretos, com parciais de 6/3 e 6/4, após 1h52 de jogo.


O confronto foi interrompido no início da tarde por causa do mau tempo. Van Assche liderava por 6/3 e 3/3, sacando em 40/40. O paulista teve duas chances de quebrar naquele game e não converteu nenhuma. O francês voltou melhor da paralisação, aproveitou o segundo break-point no nono game e fechou a partida logo depois.


Tenista de camisa roxa golpeia a bola com raquete vermelha diante de fundo verde com texto de sponsor.
Gustavo Heide (Foto: Aspria Tennis Cup)

Os números explicam o resto. Van Assche venceu 83% dos pontos com o primeiro saque e teve 100% de aproveitamento nas quatro subidas à rede. Heide anotou 15 winners contra 13 do rival, mas cometeu 33 erros não forçados, 20 mais que o francês. O cabeça 1 converteu os dois break-points que teve. O brasileiro desperdiçou os dois que criou.


Heide vive o melhor momento do ranking na carreira, na 131ª colocação, e foi ao qualificatório de um evento da série 1000 pela segunda vez, depois de cair na estreia do Masters de Miami, em 2022. A escalada é recente: o paulista de 24 anos estava fora do top 250 em abril, quando faturou o Challenger de Campinas diante do peruano Gonzalo Bueno, e em junho conquistou o Challenger 100 de Poznan, na Polônia, seu título mais importante, batendo o argentino Facundo Díaz Acosta na decisão. Desde a derrota na rodada inaugural do quali do ATP 250 de Kitzbuhel, ele não entrava em quadra.


Do outro lado da rede, um caso parecido de aceleração. Van Assche, de 22 anos, ganhou o primeiro título de ATP no saibro do 250 do Estoril, ao derrotar o belga Alexander Blockx, e alcançou na ocasião seu melhor ranking, a 48ª colocação. Hoje é o 49º do mundo, caiu na primeira fase em Montréal e, mesmo assim, precisou disputar o quali em Cincinnati. Tal é a densidade da chave.



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