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Fonseca cutuca Rio Open: "Mudança de piso é essencial para o crescimento do torneio"

  • há 23 horas
  • 5 min de leitura
João Fonseca
(Foto: Fotojump)

Há poucos dias de sua estreia no Rio Open, João Fonseca mostrou que não é mais aquele garoto assustado com os holofotes. Em coletiva de imprensa realizada no Jockey Club Brasileiro neste sábado, o atual número 33 do mundo e principal nome do tênis brasileiro deixou claro: a fase de promessa ficou para trás. Agora, segundo ele, é hora de consolidar resultados, e aprender com adversidades.


"Não sou mais uma promessa, sou realidade"

Aos 19 anos, Fonseca carrega nas costas a expectativa de milhares de fãs brasileiros. Mas ao contrário do ano passado, quando admitiu ter ficado "assustado" com a pressão, o carioca chega à 12ª edição do Rio Open com outra mentalidade.


"Naquela época eu era um jogador em formação, sempre o underdog, jogava sem pressão. Os jogadores ainda não sabiam do que eu era capaz. Atualmente, não sou tanto uma promessa, mas um pouco mais a realidade de estar ali entre os 30, 40 do mundo. A maioria dos jogadores me conhece, conhece meu jogo, e vem a pressão e a expectativa", analisou.


A transformação não foi apenas técnica. João revelou que aprendeu a lidar com os altos e baixos emocionais que todo atleta de elite enfrenta. "Ano passado eu fiquei um pouco assustado com a pressão, bateu, não consegui jogar da forma que gostaria. Atualmente me sinto mais preparado, mais experiente, entendendo como lidar nessa situação", afirmou com convicção.


O segredo para virar jogos impossíveis

Uma das marcas registradas de Fonseca é sua capacidade de reverter situações adversas dentro de quadra. Questionado sobre de onde tira essa resiliência, o tenista revelou uma filosofia surpreendentemente simples.


"Tento pensar muito no que trabalho no dia a dia. Vão ter momentos que você não vai estar se sentindo bem, sua esquerda não vai estar boa, vai estar errando. Mas quando não estou com tanta confiança, busco soltar o ar, respirar, ficar mais intenso. Tento botar no modo automático, porque a gente faz isso todo dia e às vezes você não precisa ficar pensando tanto", explicou.


Para João, a chave está em confiar no trabalho diário e não complicar. "Fazer o simples às vezes é a melhor coisa. Focar nas pernas, soltar o ar e botar o máximo de intensidade que as coisas voltam ao automático. É assim que busco a confiança aos poucos."


A provocação: Rio Open precisa mudar de piso

João Fonseca no Rio Open
Foto: Gustavo Werneck

Se os elogios à organização do torneio foram generosos — "o Rio Open tem um diferencial, tratam os jogadores de forma diferente e se importam" —, Fonseca não poupou críticas ao que considera o principal entrave para o crescimento do evento: o saibro.


"Já falei com vários jogadores, muitos gostariam de visitar o Brasil, mas é difícil porque o circuito atualmente está predominante na quadra rápida. Se futuramente o torneio tiver a possibilidade de trocar de piso, seria muito benéfico. A mudança de piso é essencial para o crescimento", disparou o cabeça de chave 3.


A declaração ganha peso especial vindo do principal tenista brasileiro, que joga em casa e conhece bem as condições locais. "Jogo aqui no Rio há muito tempo, calor, úmido, bola pesada. Gosto de jogar nessas condições", ressaltou, deixando claro que sua sugestão não é por preferência pessoal, mas por uma visão estratégica do futuro do torneio.


Estreia favorável após três anos como azarão

Sorteada neste sábado, a chave do Rio Open reservou a João Fonseca um caminho que pode ser considerado favorável. Pela primeira vez em quatro participações no torneio, o carioca enfrentará logo na primeira rodada um adversário vindo do qualificatório — uma mudança significativa em relação aos anos anteriores.


Em sua estreia, em 2023, Fonseca era apenas o 827º colocado quando foi derrotado pelo então top 60 Alex Molcan. No ano seguinte, ocupando o 655º posto, teve pela frente o top 40 Arthur Fils, batendo o francês em sets diretos. Já em 2025, embalado pelo título em Buenos Aires e aparecendo na 68ª posição, acabou superado pelo 60º colocado Alexandre Muller.


Caso avance para a segunda fase, o número 1 do Brasil poderá enfrentar o jovem peruano Ignacio Buse, de 21 anos e 96º do ranking, ou outro jogador vindo do qualificatório. O cabeça de chave mais próximo é o alemão Daniel Altmaier, sétimo pré-classificado, que pode cruzar com o brasileiro nas quartas de final.


Parceria de luxo com Marcelo Melo

Além da chave de simples, Fonseca terá uma experiência especial nas duplas ao lado do ex-número 1 do mundo Marcelo Melo. A empolgação do jovem com a parceria era visível.


"O Marcelo é um cara excepcional, uma baita pessoa. Surgiu a oportunidade, ele falou que estava sem dupla e achei bom para pegar ritmo. É uma oportunidade imensa de estar jogando em casa com uma pessoa agradável", contou.


João revelou que nunca havia compartilhado a quadra com Melo como parceiro, embora já tivessem se enfrentado informalmente. "Do outro lado a gente já bateu uma bolinha, jogamos já um tiebreak. Ele foi me desafiar e obviamente não deu certo", brincou. "Mas nunca tinha jogado dupla com ele. Foi muito agradável hoje, jogamos nosso primeiro setzinho e fomos bem. É divertido, é um cara que quer o meu bem e eu quero o dele."


O respeito pelo parceiro é evidente. "Foi número um do mundo, amigo de vários jogadores, estava no Tour há muito tempo. Então tem muita experiência para me passar e eu tenho muito a aprender dele também."


A dupla brasileira enfrentará na estreia o bósnio Damir Dzumhur e o francês Alexandre Muller — justamente o tenista que eliminou Fonseca nas simples do Rio Open no ano passado. Em caso de vitória, podem encontrar pela frente os argentinos Maximo Gonzalez e Andres Molteni, segundos principais inscritos.


O sonho da Copa Davis no Rio

Após ter ficado de fora do confronto contra o Canadá há duas semanas por questões físicas e de troca de piso, Fonseca não esconde a ansiedade para defender o Brasil pela primeira vez em solo nacional. O sorteio definiu que a seleção enfrentará a Suíça em setembro, e o carioca já faz campanha para que o duelo seja no Rio.


"Vai ser a minha primeira Davis no Brasil. Já fui como sparring, third partner do time, lá em Florianópolis, em Costão. Mas se tiver a oportunidade de ser aqui no Rio de Janeiro, vai ser muito legal. A maioria dos jogadores de simples estão aqui no Rio, então pode ser uma boa oportunidade", projetou.


O tenista lamentou a ausência recente. "Foi difícil dessa vez, porque representar o Brasil é sempre muito bom. Infelizmente não deu, mas com certeza na próxima vamos estar lá. Vai ser divertido, tem tudo para ser um bom confronto."


Foco no presente, sem contar pontos

Vindo de uma lesão no início do ano e da defesa frustrada do título em Buenos Aires, Fonseca poderia estar preocupado com o ranking. Mas não é o caso. "Nunca fui um jogador que pensava em pontos. Sempre em trabalho, e em trabalho vem resultado. Nunca pensava em ficar contando os pontos para ser cabeça em tal lugar", garantiu.


O brasileiro destacou que aproveitou o período de recuperação para evoluir. "Vim de uma lesão no começo do ano, aprendi bastante, tentei tirar o máximo de coisas positivas. Depois que voltei, treinei bastante no saibro, melhor fisicamente, melhor mentalmente. Buenos Aires foi uma boa batalha, desafiador não só tecnicamente, mas mentalmente, primeira semana defendendo título."


Agora, com a torcida ao seu lado, amigos e familiares nas arquibancadas, João Fonseca se diz pronto para buscar o que ainda falta em seu currículo: um título em casa. "Estou confiante que vai ser uma boa semana. É muito agradável estar aqui com amigos, familiares, muitos brasileiros"

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