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"Os brasileiros estão comprando tudo": a invasão verde e amarela que tomou conta do Argentina Open

  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

A invasão verde e amarela no Buenos Aires Lawn Tennis Club virou notícia na Argentina. Segundo reportagem do jornal La Nación, publicada nesta quarta-feira (12), os brasileiros que viajaram para assistir ao ATP 250 de Buenos Aires não apenas lotaram as arquibancadas, mas também provocaram um fenômeno inusitado: esvaziaram completamente os estoques de lembranças do torneio.


"Os brasileiros estão comprando tudo", confessou ao La Nación um dos gerentes de merchandising do Argentina Open, com uma mistura de espanto e exaustão, enquanto repunha produtos que foram vendidos em questão de minutos. O efeito João Fonseca transformou o torneio argentino em um destino de compras para os turistas brasileiros.


Brasileiros torcendo por João Fonseca (Foto: La Nación)
Brasileiros torcendo por João Fonseca (Foto: La Nación)

Com o peso argentino desvalorizado, os produtos do torneio se tornaram irresistíveis para os brasileiros. Bonés custam 24.990 pesos argentinos (cerca de R$ 93,70) e toalhas oficiais saem por 25.000 pesos. Segundo o La Nación, os preços aumentaram apenas entre 2.000 e 3.000 pesos em relação ao ano passado.


Mas a verdadeira sensação de vendas foi o amortecedor de vibração para raquetes. Com preço de apenas 1.000 pesos argentinos (cerca de R$ 3,75), o acessório virou lembrança obrigatória, com brasileiros comprando dezenas de unidades cada um.


O perfil do torcedor brasileiro

O jornal argentino destaca que o comportamento dos brasileiros foi bem diferente do público local. Facilmente identificáveis pelas camisas da seleção brasileira de futebol, os turistas do Brasil vieram com um objetivo claro: ver João Fonseca jogar. Ignoravam o restante da programação e dedicavam o tempo livre a circular pelas instalações e pela praça de alimentação, conferindo "um toque internacional inédito" ao evento.


A "Fonsecamania" quebrou todos os recordes desta edição, segundo o La Nación, apesar de o jovem prodígio carioca já ter marcado presença forte no ano anterior, quando conquistou seu primeiro título no circuito. A eliminação precoce de Fonseca nas oitavas de final para o chileno Alejandro Tabilo não diminuiu o entusiasmo dos brasileiros que já haviam garantido seus ingressos.


Ingressos acessíveis e boa logística

O La Nación ressalta que o torneio encontrou um equilíbrio perfeito em meio à complexa situação econômica argentina. Os ingressos diários custam 36.000 pesos (aproximadamente R$ 135), dando acesso às três quadras em uso, com aumento de apenas 2.000 a 3.000 pesos em relação a 2025.


"Esses preços são mais do que acessíveis", comentou ao jornal argentino um fã de tênis de Mar del Plata que compra ingressos há dez anos.


A praça de alimentação também manteve valores comedidos. Hambúrgueres custam 17.000 pesos (cerca de R$63,75), e por mais 7.000 pesos (R$26,25) o cliente leva batatas fritas e água mineral. Cachorros-quentes saem por 8.000 pesos.


Embora todos os cartões sejam aceitos, o peso argentino é a moeda dominante - os brasileiros não podem pagar diretamente com reais, segundo o La Nación.


Água para a imprensa e experiência intimista

Uma curiosidade revelada pela reportagem: "A imprensa nos deixa loucos com tantos pedidos de água", brincou um dos funcionários do balcão de hidratação. Felizmente, o calor deste ano tem sido menos intenso, evitando as cenas de superlotação de edições anteriores.


O jornal argentino destaca ainda que assistir às partidas nas quadras auxiliares, a poucos metros dos jogadores, tornou-se uma das atrações favoritas. Sem as barreiras das arquibancadas principais, o público consegue ouvir o impacto da bola, os comentários dos treinadores e até as reclamações dos atletas. Depois, muitos conseguem tirar selfies ou pegar autógrafos.


Para as crianças, o torneio oferece jogos com prêmios que vão desde iogurte a descontos em supermercados. A Associação Argentina de Tênis promove quizzes de curiosidades com toalhas e bonés oficiais como prêmios.


Sucesso em tempos difíceis

O La Nación conclui que o ATP de Buenos Aires 2026 não é medido apenas pelo ranking dos tenistas, mas pela capacidade de proporcionar uma experiência de alto nível em um contexto econômico desafiador para a Argentina.


"Com preços que permitiram o acesso em massa, logística que priorizou o conforto dos espectadores e produtos oficiais que esgotaram completamente, o torneio ATP de Buenos Aires confirmou seu lugar como a etapa mais emocionante do circuito sul-americano", afirma a reportagem.


A matéria termina com uma pergunta: será que tudo mudará em 2028, quando um Masters 1000 começar na Arábia Saudita na mesma data do Argentina Open?


Para os brasileiros que lotaram Buenos Aires nesta semana, a resposta pouco importa. Eles já garantiram suas lembranças - e esvaziaram as prateleiras do torneio argentino.

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