Futuro da gira sul-americana de tênis está ameaçado com possível mudança no calendário
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A visita do italiano Andrea Gaudenzi, presidente da ATP, aos torneios de Buenos Aires e Rio de Janeiro neste fim de semana marca um momento decisivo para o futuro do tênis sul-americano. Pela primeira vez em 12 anos, o principal dirigente do circuito masculino pisa em solo latino-americano - a última vez havia sido em 2014, com o britânico Chris Kermode. E a missão não é protocolar: Gaudenzi vem negociar uma mudança radical no calendário da gira sul-americana.

Segundo informações do jornal argentino La Nación, a ATP estuda transferir os torneios do Rio Open, Buenos Aires e Santiago do Chile de fevereiro para outubro ou novembro, a partir de 2028. A razão é simples: abrir espaço para o novo Masters 1000 da Arábia Saudita, anunciado em outubro do ano passado e que deve acontecer justamente em fevereiro.
O torneio saudita será o décimo Masters 1000 do circuito e, embora não seja obrigatório (como Monte Carlo), promete atrair os principais tenistas do mundo com sua capacidade financeira ilimitada. Com Doha e Dubai já estabelecidos no Oriente Médio no mesmo período, a ATP busca criar uma sequência de grandes eventos sobre quadra dura na região, deixando a gira sul-americana em segundo plano.
"Nos últimos anos, implementamos uma estratégia para reduzir o número de torneios de categoria 250. Passamos de 38 para 29. O objetivo para otimizar o calendário de 2028 é seguir reduzindo", declarou Gaudenzi em novembro, deixando claro que os ATP 250 estão na mira dos cortes.
Resistência e propostas alternativas
A notícia não agrada a todos. O Argentina Open, que renovou contrato com a ATP até 2033 em novembro de 2023, não quer a mudança de data. Pelo contrário: os organizadores da Tennium, empresa proprietária do torneio desde 2017, têm a ambição de elevar o evento à categoria ATP 500.
Já o Rio Open, que espera receber 70 mil pessoas a partir deste sábado, vê a mudança com outros olhos. Os organizadores brasileiros defendem há tempos a alteração do piso do torneio, o que seria viabilizado com a nova data e poderia atrair mais estrelas do topo do ranking mundial.
Jogadores saem em defesa da gira
Enquanto os bastidores fervem com negociações, os tenistas que disputam o Argentina Open esta semana foram unânimes em defender a permanência da gira sul-americana no calendário. O argentino Mariano Navone foi direto ao ponto: "Esta é a melhor gira do mundo. Que ele, que foi jogador, possa observar o clima que há, o ambiente em geral. As segundas-feiras estão lotadas e não é assim em todos os lugares. Eu fui jogar na China no ano passado e foram nos ver cinco pessoas. Aqui a quali está lotada. A ATP tem que pensar muito antes das decisões que vá tomar".
Até europeus reconhecem a importância da região. O italiano Matteo Berrettini, ex-finalista de Wimbledon, elogiou a atmosfera dos torneios: "Sempre quis vir a Buenos Aires e Rio. A atmosfera está boa, com níveis altos. A América do Sul tem que ter torneios porque o calor que notamos aqui é muito similar ao que temos na Itália, e é importante".
Edição marcada por polêmicas
A 26ª edição do Argentina Open acontece em meio a turbulências que vão além das quadras. A semana começou com as desistências de Lorenzo Musetti (primeiro cabeça de chave) e Gaël Monfils, seguidas pela eliminação precoce de João Fonseca, o jovem brasileiro campeão defensor que se tornou a principal atração da gira.
Paralelamente, o tênis argentino enfrenta dois escândalos: as ameaças a jogadores por apostadores no Challenger de Rosário - incluindo Román Burruchaga, filho de Jorge Burruchaga, meio-campo campeão mundial de futebol em 1986; e a derrota polêmica na Copa Davis diante da Coreia do Sul, com dez jogadores recusando a convocação.
Definição em abril
As conversas entre Gaudenzi e os organizadores dos torneios sul-americanos acontecem nos próximos dias em Buenos Aires e Rio de Janeiro. A expectativa é que o board da ATP defina o novo calendário em abril, durante o Masters 1000 de Madrid, com anúncio público previsto para agosto.
Para o tênis sul-americano, que já perdeu o Córdoba Open em 2025 e viu sua gira encolher nos últimos anos, o momento é de alerta máximo. A decisão que será tomada nos próximos meses pode determinar se a região continuará relevante no circuito mundial ou se tornará apenas uma nota de rodapé no calendário da ATP.
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