Fonseca usa o UTS como ensaio para o verão norte-americano: "Sou um João mais evoluído"
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João Fonseca estreia nesta sexta-feira na etapa carioca do UTS (Ultimate Tennis Showdown), no Maracanãzinho, contra o holandês Tallon Griekspoor, às 19h, e volta à quadra às 21h para enfrentar o australiano Nick Kyrgios, em rodada dupla que serve de laboratório para a temporada de quadra rápida na América do Norte.
O evento não vale ponto, não vale ranking e não vale nada além do que o próprio Fonseca quiser tirar dele. E ele quer ritmo. O número 27 do mundo e número 1 brasileiro não joga uma partida oficial desde a derrota para o russo Roman Safiullin na segunda rodada de Wimbledon, e só voltará ao circuito no Masters 1000 de Montréal, a partir de 2 de agosto. São 31 dias de intervalo. O UTS entra no meio dessa pausa como o único momento em que o carioca de 19 anos terá alguém do outro lado da rede antes do Canadá.

O balanço do primeiro semestre
Em entrevista à ESPN antes da competição, Fonseca fez a leitura do próprio momento. "Estou no meu segundo ano como profissional. Muita coisa mudou. Sou um João mais evoluído, mais maduro", garantiu.
A maturidade a que ele se refere passa por três derrotas. No primeiro semestre, o brasileiro enfrentou Jannik Sinner, Carlos Alcaraz e Alexander Zverev, e perdeu para os três. Fonseca prefere ler o saldo pelo outro lado. "Foi muito importante para o amadurecimento da minha carreira. Jogar contra o Jannik Sinner, Carlos Alcaraz e Alexander Zverev. Apesar de ter perdido para os três, só trouxe coisas positivas para mim, como experiência e amadurecimento", ponderou.
E detalhou o que tirou de cada confronto: "Vi coisas que eles faziam muito melhor do que eu, algumas que eu fazia parecido e outras que eu fazia mais. Isso me trouxe muita bagagem para seguir evoluindo e, se Deus quiser, um dia competir com esses caras no topo", concluiu.
Jogar em casa
O Maracanãzinho não é quadra de tênis, e Fonseca sabe disso. "Teremos regras diferentes e é um lugar que já vi o vôlei ganhar medalha olímpica. Tenho uma história legal com a minha família lá e espero fazer um bom torneio. Espero que seja só sucesso", destacou.
As regras diferentes, aliás, são o ponto do UTS. O formato criado por Patrick Mouratoglou, cujas primeiras edições aconteceram durante a pandemia em 2020, substitui sets por quatro quartos de oito minutos. Só o primeiro saque é permitido. Não existe let. O tempo para sacar é de 15 segundos. Não há aquecimento: os jogadores entram e começam. Podem falar com os técnicos por rádio e dar entrevistas no meio da partida. E, uma vez por quarto, cada um pode usar a "carta bônus", que faz o ponto seguinte valer por três.
A etapa do Rio distribui mais de US$ 1,2 milhão entre os oito jogadores da chave, com até US$ 400 mil para o campeão. A transmissão no Brasil é do SporTV 3. Guto Miguel é o outro brasileiro na chave, e enfrenta Kyrgios na abertura do evento.
O calendário que vem pela frente
Depois do Maracanãzinho, o roteiro é conhecido. "Jogo Montreal e Cincinnati. Depois vou para Nova Iorque para descansar uma semana antes do US Open. Após isso, quero ficar um pouco mais de tempo no Brasil e emendar direto a temporada da Ásia", disse.
É muito tempo fora de casa, e ele já se preparou para isso. "Vai ser talvez a gira mais longa do ano. Estou ficando esse tempo no Rio para descansar, treinar e focar nas coisas que preciso melhorar para a quadra rápida. Estou feliz de estar 100%", destacou.
O contexto do ranking ajuda a explicar o otimismo. Fonseca completa 11 semanas consecutivas no top 30, desde 4 de maio, e está a três posições do recorde pessoal, obtido em novembro. Tem apenas 10 pontos a defender em Montréal e 50 em Cincinnati e no US Open, porque em 2025 caiu na estreia do Canadá e venceu um único jogo em cada um dos outros dois. O piso é baixo. O teto, não.
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