Gustavo Almeida conquista título e carrega uma história que o tênis brasileiro quase deixou escapar
- há 17 horas
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Gustavo Almeida não chegou ao tênis pela porta da frente. Chegou pelo muro. Literalmente. Na Vila Concórdia, em Guarapuava, o menino que vivia perto do Clube Guaíra porque o pai trabalhava por lá pulava o muro para praticar no paredão. Foi assim que a coisa começou. Neste sábado, em San Jose, na Costa Rica, ele faturou o segundo título de duplas de nível M25 da carreira, ao lado do norte-americano Alex Kuperstein, diante dos irmãos Jayson e Michael Blando: 6/4 e 6/2, sem sustos.
O torneio foi o M25 da Costa Rica, disputado em quadra sintética. Gustavo aproveitou uma brecha no calendário universitário, já que o paranaense de 19 anos está na Universidade da Geórgia com bolsa de estudos, e encaixou a viagem no intervalo entre os compromissos acadêmicos. Aproveitou a brecha direitinho.

Do paredão ao ranking
Os 25 pontos somados com o título devem empurrar Gustavo de volta ao ranking de duplas, saindo do 767º posto para algo em torno da 620ª posição, o que seria sua melhor marca histórica na lista, superando o 717º anterior. Os pontos de torneios ITF demoram uma semana para entrar na contagem, então o número oficial só aparece no dia 2 de março.
Não é o primeiro título de duplas em M25. Em 2025, Gustavo já havia faturado um em Assunção ao lado de Daniel Dutra da Silva. A consistência em duplas é um traço de quem sabe se comunicar dentro de quadra, e Gustavo sempre teve isso.
O caminho até esse ponto, porém, não foi uma linha reta. Em 2019, depois de já ter conquistado títulos no circuito infantil, Gustavo se mudou para Curitiba para treinar no Instituto Ícaro, projeto social instalado na academia DM criado em homenagem ao filho de Duda Marcolin, que morreu em um acidente de moto. O instituto reúne cerca de 200 jovens de origem humilde e oferece o que muita escola pública não dá: aulas de inglês, fisioterapia, preparador físico, reforço de Português e Matemática. O tênis é o instrumento, não o fim.
Antes disso, foi o Projeto Tô no Tênis, coordenado por Agnaldo Almeida Silva, que colocou Gustavo numa raquete de verdade. Ele dividia o tempo entre pegar bolinha e treinar. Era essa a rotina.
Circuito, Argentina e bolsa nos EUA
Pouco a pouco, o nível foi subindo. Gustavo passou a circular pelo circuito juvenil, viajou para fora do Brasil, disputou Grand Slam, fez uma final de M15 e agora soma dois títulos de duplas em M25. Treinou na Argentina, etapa importante na formação de quem precisa de sparring qualificado sem ter estrutura de grande clube. Há poucos meses, a bolsa na Geórgia abriu mais uma porta.
O que a história de Gustavo mostra, sem romantismo excessivo, é o quanto o tênis brasileiro joga fora. Não por falta de talento, mas por falta de sistema. Projetos como o Tô no Tênis e o Instituto Ícaro existem pelo esforço de pessoas específicas, não por uma política estruturada de prospecção. Gustavo teve sorte de encontrar as pessoas certas no momento certo. E teve a inteligência de não largar os estudos quando o circuito profissional começou a chamar.
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