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Laver Cup chega à 9ª edição em Londres com Time Mundo tentando repetir feito de 2025

há 10 minutos
5 min de leitura

A nona edição da Laver Cup começa nesta sexta-feira na O2 Arena, em Londres, com o Time Europa, comandado pelo francês Yannick Noah, tentando recuperar o troféu perdido para o Time Mundo de Andre Agassi na edição passada, em São Francisco, quando o time do norte-americano fechou a série em 15 a 9. A transmissão para o Brasil é da ESPN e do Disney+.



Criada em 2017 pela Team8, empresa de Roger Federer, a competição deixou de ser um evento só amistoso: a partir da terceira edição, a ATP passou a contabilizar oficialmente as vitórias no currículo dos tenistas. No ano passado, João Fonseca se tornou o primeiro brasileiro a disputar o evento, integrando o Time Mundo. Ao todo, 62 jogadores de 26 países já passaram pela competição.


Como funciona

Inspirada na Ryder Cup do golfe, a Laver Cup opõe Time Europa e Time Mundo ao longo de três dias, sexta, sábado e domingo. A cada dia são disputados quatro jogos, três de simples e um de duplas, todos em melhor de três sets, com o terceiro decidido em match tiebreak até 10 pontos. As vitórias valem pontuação crescente: 1 ponto na sexta-feira, 2 no sábado e 3 no domingo, o que impede a definição do título em apenas dois dias. Ao todo, 24 pontos estão em disputa, e o primeiro time a chegar a 13 fica com o troféu. Em caso de empate por 12, uma partida extra de duplas decide.


As equipes

Pela Europa jogam Alexander Zverev, Carlos Alcaraz, Flavio Cobolli, Rafael Jódar, Jakub Mensik e Casper Ruud, com Arthur Fery como reserva. Noah comanda a equipe ao lado do vice-capitão Tim Henman.


Pelo Mundo, Agassi tem à disposição Alex de Minaur, Taylor Fritz, Brandon Nakashima, Alexander Bublik, Learner Tien e Francisco Cerúndolo, com Ignacio Buse como reserva, e Patrick Rafter como vice-capitão.


O histórico

A Europa lidera o retrospecto por 5 a 3 e dominou as quatro primeiras edições. A estreia, em Praga, terminou 15 a 9 para os europeus. Em Chicago, no ano seguinte, o placar foi 13 a 8. De volta ao continente em Genebra, com Federer jogando em casa, a Europa venceu por 13 a 11. O Mundo só quebrou a hegemonia em 2022, também em Londres, no torneio que marcou a despedida de Federer das quadras: ele jogou apenas as duplas, ao lado de Rafael Nadal, e a dupla caiu diante de Jack Sock e Frances Tiafoe por 4/6, 7/6(2) e 11/9. No ano passado, em São Francisco, o Mundo repetiu o triunfo por 15 a 9, resultado que Agassi tenta validar agora como capitão pela segunda vez.


O piso é sempre o sintético coberto, com alternância de sede entre a Europa e outros continentes a cada temporada. A O2 Arena já recebeu o evento uma vez, em 2022, e a organização já confirmou Los Angeles, no Intuit Dome, como sede do ano que vem. A premiação total soma US$ 1,5 milhão, com cada integrante da equipe campeã recebendo US$ 250 mil. Não há prêmio específico para os derrotados, mas todos os tenistas recebem um cachê de participação com base na posição no ranking após Roland Garros.


Bublik, a aposta calculada de Agassi

Entre as convocações do capitão norte-americano, uma chama atenção pelo contraste: Alexander Bublik, tenista tão talentoso quanto imprevisível, com saques por baixo e provocações que já viraram marca registrada. Agassi não escondeu por que confia nele.

"Cada jogador traz uma qualidade diferente. A versatilidade e a imprevisibilidade dele são armas importantes em uma quadra de tênis. Mas também há muito a dizer sobre a agressividade controlada. A resposta dele está em algum ponto entre esses extremos", afirmou Agassi ao site oficial da competição.


O ex-número 1 do mundo deixou claro que não cobra perfeição do cazaque. "Se consegue jogar no limite e se dar bem, isso só mostra o quanto é bom. Quando vejo alguém tentando ser perfeito sem necessidade, quero apenas que se lembre de sua qualidade", ponderou.


Bublik, claro, não deixou a provocação de lado. "Assinei alguns documentos com Pat e Andre prometendo nunca sacar por baixo aqui e não sorrir depois dos pontos. Está tudo muito rígido para mim", ironizou, em referência também ao vice-capitão Patrick Rafter.

Aos 29 anos, o cazaque abriu a temporada com o título de Hong Kong, o nono da carreira, e entrou pela primeira vez no top 10.


Em Londres, treinou ao lado de Agassi, dono de oito títulos de Grand Slam. "Ele me deu muitos conselhos. É ótimo ouvir campeões, saber o que pensam do seu jogo, até onde você pode chegar e em que pode melhorar. É uma experiência única ser treinado por alguém com quem normalmente você nunca teria essa oportunidade", destacou o atual número 21 do mundo.


Agassi também comentou o título do ano passado, sua estreia como capitão. "Não atribuam a vitória a mim. Faço minha parte para não atrapalhar esses caras. Eles estão aqui por um motivo", brincou. E admitiu que a experiência mudou sua relação com a própria carreira: "Percebi o quanto de intensidade carregava na minha cabeça quando jogava, porque as emoções eram minhas inimigas."


Programação de sexta-feira

Bublik terá jornada dupla logo na estreia. A abertura, às 9h de Brasília, é entre o norueguês Casper Ruud e o argentino Francisco Cerúndolo, que lidera o confronto direto por 5 a 4 e chega embalado por ter ajudado a Argentina a se classificar para o qualificatório da Copa Davis. Na sequência, o tcheco Jakub Mensik enfrenta o norte-americano Brandon Nakashima, que venceu o único encontro anterior entre os dois, no ATP de Washington.


A partir das 15h, Bublik estreia diante do espanhol Rafael Jódar, também em sua primeira Laver Cup e sem histórico de confrontos entre eles. No último jogo do dia, Bublik volta à quadra, agora ao lado de Taylor Fritz, para enfrentar Carlos Alcaraz e Mensik. A dupla espanhol-tcheca repete a parceria que bateu os australianos Alex de Minaur e Alex Michelsen na edição passada, em São Francisco, por 7/6(7) e 6/4.


No sábado, as sessões começam às 9h e às 15h de Brasília, novamente com três simples e uma dupla. No domingo, a programação abre às 8h com as duplas, e mais três jogos de simples podem ser realizados caso a disputa ainda esteja em aberto. Os confrontos dos dois últimos dias serão definidos ao longo do torneio.


Federer, embaixador dentro e fora da quadra

Enquanto a Laver Cup se aproxima, Federer também esteve em ação em Londres, mas fora das quadras de competição. Embaixador global da UNIQLO, ele comandou nesta quarta-feira uma clínica para 20 jovens tenistas britânicos na O2 Arena, dentro do programa "Next Generation Development" da marca. O suíço dividiu a sessão com seu treinador de longa data, Severin Lüthi, e contou com a participação do ex-tenista britânico Tim Henman como técnico convidado. A programação incluiu treino em quadra, uma roda de perguntas e respostas e sessão de fotos com os participantes.


"Foi ótimo estar de volta à The O2, aqui em Londres, para o programa 'Next Generation Development' e passar o dia com tantos jovens talentosos", disse Federer. "Gosto sempre de compartilhar algumas das experiências e lições que aprendi ao longo da minha carreira, e espero que eles possam levar algo de hoje que os ajude tanto dentro quanto fora das quadras. O mais importante é que continuem gostando do esporte, trabalhando duro e sonhando alto."


O evento foi realizado em parceria com a academia Duke Meadows e a UNIQLO, patrocinadora oficial de vestuário da Laver Cup desde 2018, quando a marca japonesa fechou com Federer a parceria que hoje abrange também a linha LifeWear e iniciativas comunitárias.


Federer aproveitou a semana ainda para outra ação, ao lado da Mercedes-Benz: pela iniciativa Neon Legacy, os dois parceiros vão distribuir 11.478 bolas de tênis para clubes e projetos sociais de Londres, número que corresponde exatamente à quantidade de aces que o suíço fez ao longo da carreira.


"O tênis sempre foi uma parte importante da minha vida, e eu sempre amei ver as pessoas descobrindo o esporte pela primeira vez. Espero que possamos incentivar mais jovens a entrar em quadra, divertir-se e desenvolver seu próprio amor pelo esporte", disse Federer.

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