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Luz e Matos fazem história

  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

Orlando Luz e Rafael Matos venceram o salvadorenho Marcelo Arevalo e o croata Mate Pavic por 5/7, 6/4 e 10-6, nesta quinta-feira, e conquistaram o título de duplas do Masters 1000 de Montréal, no Canadá.


Orlando Luz e Rafael Matos (Foto: Amelie Caron/Tennis Canada)
Orlando Luz e Rafael Matos (Foto: Amelie Caron/Tennis Canada)

Antes desta semana, nenhuma dupla formada por dois brasileiros havia sequer disputado uma final em torneio desse nível. Os gaúchos passaram da porta e levaram a mobília: bateram os cabeças de chave 3, campeões de quatro eventos de nível 1000 juntos, e devolveram ao país um troféu dessa categoria pela primeira vez desde 2019, quando Bruno Soares venceu em Xangai. É o maior título da carreira dos dois, e não por pouco.


"Isso significa muito para nós dois, é um título grande", disse Luz à ATP Tour, em declaração traduzida do inglês. "Desde que começamos essa dupla, nosso principal objetivo era o Finals de Turim. Ainda há um longo caminho, mas estamos dentro do top 8, então agora podemos continuar ralando, continuar trabalhando e fazer esse sonho se tornar realidade."


A conta que Luz cita fecha rápido. A parceria brasileira chegou a Montréal na 11ª posição da corrida por vaga em Turim e sai dela dentro do top 8. No ranking individual, os dois terão os melhores números das carreiras na próxima atualização: Matos vai ao 20º lugar, e Luz sobe ao 22º posto.


As três primeiras taças vieram no saibro

Luz e Matos já haviam vencido três ATP 250 juntos, todos em quadras lentas: o primeiro em Bastad, em 2024, e outros dois nesta temporada, em Santiago e Buenos Aires. Em Montréal, o piso era duro e o degrau, três níveis acima.


Montréal é a quinta final da dupla em torneios de primeira linha do circuito só nesta temporada. Além dos títulos chileno e argentino, os dois foram vice-campeões em Houston, nos Estados Unidos, e no Estoril, em Portugal. No mesmo período, chegaram às quartas do Australian Open e levantaram o troféu do Challenger 125 de Braunschweig, na Alemanha.


São quatro conquistas de Luz no circuito, em sete finais. Matos, que já foi campeão de Grand Slam nas duplas mistas do Australian Open de 2023 ao lado de Luísa Stefani, agora acumula 14 troféus e 9 vices.


Do outro lado da rede estavam dois ex-líderes do ranking de duplas em busca do quinto título de Masters 1000 como parceria. Marcelo Arevalo soma 17 títulos de ATP e cinco eventos de nível 1000. Mate Pavic venceu nove torneios dessa categoria e 43 no total no circuito.


O caminho: quatro cabeças de chave pelo caminho

A campanha não teve atalho. Na estreia, Luz e Matos despacharam os italianos Simone Bolelli e Andrea Vavassori, cabeças 4, por duplo 6/4. Nas oitavas de final, salvaram match-points contra o português Francisco Cabral e o americano J.J. Tracy e viraram por 6/7 (8), 6/3 e 13/11. Nas quartas, eliminaram Guido Andreozzi e Manuel Guinard, cabeças 7, por 6/4, 4/6 e 10/7. Na semifinal, salvaram quatro set-points no tiebreak antes de fechar em 6/4 e 7/6 (9/7) sobre os argentinos Francisco Cerúndolo e Tomás Etcheverry, algozes dos cabeças 1 Harri Heliövaara e Henry Patten.


A virada do segundo set

Os sacadores tiveram o controle da partida nos games iniciais, e a dupla brasileira foi a primeira a quebrar, no sétimo game, após uma dupla falta de Pavic. Mas o croata e o salvadorenho buscaram o empate imediatamente, atacando o saque de Matos. O canhoto de 30 anos voltaria a ter o serviço quebrado no último game do primeiro set.


Matos e Luz reagiram com uma quebra na abertura da segunda parcial e saíram vencendo por 2/0. Eles não enfrentaram break-points e cederam apenas três pontos em seus games de serviço. Números assim não deixam margem para interpretação.


A dupla brasileira aproveitou o embalo no início do match-tiebreak e venceu dois pontos nas devoluções de saque para sair vencendo por 5-1. E ainda que os rivais tivessem diminuído a diferença, Orlando Luz teve desempenho decisivo com ótimo saque para chegar ao match-point e encaixar uma ótima devolução para fechar a partida, em 1h32 de jogo.


Próximos compromissos

Sem intervalo, a dupla brasileira segue para o Masters 1000 de Cincinnati, nos Estados Unidos, onde tem vaga direta na chave de duplas e conhecerá o adversário de estreia no sorteio previsto para as próximas horas. Depois vem o US Open, quarto e último Grand Slam da temporada, que começa em 30 de agosto. Luz e Matos chegam à sequência americana com o argumento mais forte que já tiveram nas mãos.

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