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Luz e Matos podem fazer história nesta quinta em Montréal

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Orlando Luz e Rafael Matos encaram o salvadorenho Marcelo Arévalo e o croata Mate Pavic nesta quinta-feira, às 18h30 de Brasília, na decisão de duplas do Masters 1000 de Montreal, a primeira final de uma parceria totalmente brasileira neste nível desde que a série foi criada, em 1990.


Orlando Luz e Rafael Matos (Foto: National Bank Open)
Orlando Luz e Rafael Matos (Foto: National Bank Open)

Se vier, o troféu no Canadá será o 19º do Brasil em Masters 1000. Gustavo Kuerten ganhou cinco em simples, um deles na quadra dura. Marcelo Melo soma nove e Bruno Soares, quatro, todos em duplas e sempre ao lado de parceiros estrangeiros. Antes dos gaúchos, os únicos brasileiros a alcançarem uma decisão nas duplas da série Masters 1000 foram o próprio Guga, em Paris 2002, e Cássio Motta, em Miami 1990 e Hamburgo no ano seguinte. O último título nacional nesse nível saiu com Melo, em Xangai de 2018, ao lado do polonês Lukasz Kubot.


A vaga na grande decisão veio na noite desta quarta-feira, com a vitória sobre os argentinos Francisco Cerúndolo e Tomas Etcheverry por 6/4 e 7/6 (9-7), em 1h35 de jogo. O placar esconde o essencial: no tiebreak do segundo set, os brasileiros chegaram a perder por 5-1 e salvaram quatro set-points antes de virar e fechar a partida.


"Entramos com uma boa intensidade, jogando bem taticamente", disse Matos, ao avaliar o primeiro set, resolvido logo no game inicial com a única quebra que a dupla converteria em toda a partida.


Luz, por sua vez, já falava da decisão. "final é final, não importa quem é o adversário é porque mereceu tá lá", afirmou em entrevista após a semifinal.


Uma campanha sem atalhos

Os gaúchos anotaram apenas um ace, mas venceram 86% dos pontos disputados com o primeiro serviço e somaram 18 pontos na devolução, quatro deles no tiebreak.


Aproveitaram uma das seis chances de quebra que tiveram. Sólidos, econômicos, cirúrgicos.

O caminho até aqui explica o tamanho do feito. Na estreia, eliminaram os italianos Simone Bolelli e Andrea Vavassori, cabeças de chave 4, em sets diretos. Nas oitavas de final, salvaram dois match-points contra o português Francisco Cabral e o norte-americano J.J.

Tracy.


Nas quartas, tiraram o argentino Guido Andreozzi e o francês Manuel Guinard, sétimos favoritos e campeões de Indian Wells. E na semifinal passaram por dois especialistas em simples com currículo pesado: Cerúndolo foi campeão em Buenos Aires e no ATP 500 do Queen's, Etcheverry faturou o Rio Open, e juntos haviam eliminado o finlandês Harri Heliovaara e o britânico Henry Patten, cabeças de chave 1 e líderes do ranking.


Tudo isso de uma dupla que começou a temporada com sete derrotas seguidas e chegou a Montreal com apenas duas vitórias e quatro derrotas em Masters 1000 no ano.


O que está em jogo no ranking

Luz e Matos são a 11ª melhor dupla da temporada e ficaram 600 pontos mais perto da vaga no ATP Finals de Turim. Com o título, saltam para o oitavo lugar da corrida, dentro da zona de classificação.


No ranking individual, os efeitos já são visíveis. Matos assume provisoriamente a 27ª colocação, uma abaixo do recorde pessoal. Luz, que aparecia em 40º, sobe ao 28º posto e bate sua melhor marca. Se forem campeões, deixam o Canadá como 20º e 21º, o que os colocaria em condição de cabeças de chave relevantes no US Open. Os campeões ainda dividem cerca de US$ 468,2 mil em premiação.


Arévalo e Pavic, sem ceder um set

O obstáculo é dos grandes. Cabeças de chave 3 e terceira melhor parceria do ano, Arévalo e Pavic foram campeões na grama do Queen's, vice-campeões em Wimbledon e bateram os franceses Theo Arribage e Albano Olivetti por duplo 6/4, em 76 minutos, na outra semifinal. Chegaram à decisão sem perder um set em Montreal, que também aponta o salvadorenho como campeão do Masters canadense em 2023.


Pavic, croata de 33 anos, é o duplista em atividade com mais troféus na especialidade, 43 no total, lista que inclui os quatro Grand Slams (o US Open ao lado de Bruno Soares) e o ouro olímpico. Juntos desde 2024, ele e Arévalo já venceram quatro Masters 1000 e Roland Garros. Ambos foram líderes do ranking de duplas.


Duas carreiras que se cruzaram na hora certa

Matos, canhoto de 30 anos, joga a 23ª e mais importante decisão da carreira. Antes de Montreal, seus títulos mais relevantes eram os dois Rio Open, com finais em Washington e Tóquio no mesmo patamar. Tem ainda um Grand Slam no currículo, as duplas mistas do Australian Open de 2023 ao lado de Luísa Stefani. Busca o 14º troféu, o terceiro no piso sintético.


Luz, dois anos mais novo e ex-número 1 juvenil, conquistou seus três títulos de ATP sempre com Matos: Bastad em 2024, Buenos Aires e Santiago nesta temporada, todos no saibro. A dupla também foi vice em Estoril e Houston, alcançou as semifinais do ATP 500 de Munique, venceu o forte challenger 125 de Braunschweig e, há duas semanas, chegou às semifinais no piso sintético de Los Cabos, no México, justamente para ganhar ritmo antes do Canadá.


O histórico brasileiro em Montreal

O Brasil tem quatro títulos nos Masters 1000 canadenses. Soares venceu em 2013 e 2014, jogando com o austríaco Alexander Peya. Melo levou a edição de 2016, ao lado do croata Ivan Dodig. E a paulista Luísa Stefani foi campeã na chave feminina em 2021, com a canadense Gabriela Dabrowski. Dois deles vieram em Montreal: o de 2014 e o de Stefani.

Nenhum, porém, com uma dupla formada só por brasileiros. É essa lacuna que Luz e Matos tentam preencher nesta quinta-feira, com transmissão da ESPN 2 e do Disney+ Premium.

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