Marca de cinco décadas quebrada e ponto da semana: argentino entra no top 100 pela primeira vez aos 36
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Marco Trungelliti virou a Sexta-Feira Santa no mundo do tênis de cabeça pra baixo. O argentino de Santiago del Estero, nascido em 31 de janeiro de 1990, derrotou o francês Corentin Moutet, terceiro cabeça de chave, por 4/6, 6/3 e 6/4 em 2h35 e garantiu vaga nas semifinais do Grand Prix Hassan II, ATP 250 de Marrakech. No mesmo instante em que o placar no court central marcou 6/4 no terceiro set, Trungelliti se tornou, aos 36 anos e 65 dias, o tenista mais velho a debutar no top 100 do ranking ATP desde o início da Era Aberta, em 1968. E ainda marcou esse pontaço (veja abaixo).
"Chegar ao top 100 era um grande objetivo praticamente durante toda a minha carreira. Sinto que nos últimos dois anos estive cada vez mais perto, tanto em termos de nível quanto mentalmente. Fisicamente, tenho estado muito melhor do que em toda a minha vida, o que ajuda bastante. É incrível", comemorou Trungelliti.
Ninguém havia entrado pela primeira vez entre os cem melhores do mundo tão tarde. O registro anterior pertencia ao espanhol Daniel Muñoz de la Nava, que havia alcançado o feito com 33 anos e 214 dias, em 2015. Segundo o Infobae, o dominicano Víctor Estrella Burgos, que o fez com 33 anos e 213 dias em 2014, também ficou para trás. Trungelliti não só desbancou as duas marcas: as destroçou por uma diferença de quase três anos. No ranking em tempo real logo após o triunfo, ele figurava na 85ª posição, melhor lugar de toda a sua carreira.
O argentino chegou ao feito em uma semana que, até agora, ninguém esperava ir tão longe. Entrou no qualifying, bateu o tcheco Hynek Barton e o japonês Rei Sakamoto nas rodadas classificatórias sem perder sets, e seguiu pelo main draw derrubando o português Henrique Rocha na primeira rodada e o polonês Kamil Majchrzak, quinto cabeça de chave, nas oitavas. Nas quartas, perdeu o set inicial para Moutet, virou, e fechou com autoridade.
A última vez que havia chegado a essa fase em nível ATP foi em Umag, em 2018, num intervalo de 402 semanas, igualando o recorde do sueco Andreas Vinciguerra de maior intervalo entre aparições em semifinais no circuito.
O homem do carro

Quem conhece Trungelliti sabe que a história do carro em Paris não é anedota, é definição.
Em maio de 2018, ele havia perdido na última rodada da qualifying de Roland Garros e voltado para Barcelona, onde morava. Já estava planejando ir à praia com a família quando o telefone tocou: oito tenistas haviam se retirado do main draw, e o seu nome aparecia na lista de lucky losers. O problema era a distância. Trens em greve, voos indisponíveis. A solução: alugar um carro e percorrer mais de 1.000 quilômetros com o irmão André ao volante, a mãe Susana e a avó Lela, Dafne Botta, então com 89 anos. Chegaram perto da meia-noite em Paris. No dia seguinte, ele entrou em quadra no primeiro turno, bateu Bernard Tomic em quatro sets e virou o personagem do torneio. "Não dormi muito, mas estou acostumado a dormir pouco. Se me queixasse disso, já era demais", disse ao Infobae após a vitória.
A abuela Lela tomou uma cerveja com ele depois que a aventura terminou. Histórias que precisam ser contadas.
"Lo viejo funciona"
Trungelliti carrega estampado na camiseta de treino uma frase tirada da série argentina El Eternauta: "lo viejo funciona". É lema, é manifesto, é autobiografia comprimida em três palavras. Num circuito que rejuvenesce a cada temporada, com teenagers batendo na porta do top 10, o santiagueño de 36 anos chegou ao Marrocos após uma semana em que conquistou o Challenger de Kigali II, na Ruanda, seu sétimo título no circuito. Antes disso, já havia ganho em Lyon, Tulln e Targu Mureș em 2025, além de Kigali em 2024, Florença em 2019 e Barletta em 2018. Quatro dos sete títulos vieram nos últimos dois anos. O velho está em forma.

O ano de 2026 havia começado com convocação inédita para a Copa Davis, representando a Argentina na série contra a Coreia do Sul, em Busan. Um reconhecimento tardio, mas real, de que o lugar dele não era só no Challenger. Em Marrakech, esse argumento ganhou o peso do ranking.
Roland Garros direto, finalmente
A matemática da semana gerou outro prêmio. Com os pontos acumulados, Trungelliti garantiu entrada direta no main draw de Roland Garros. Nos 43 qualifying de Grand Slam que disputou ao longo da carreira, passou em nove. Chegou até a terceira rodada cinco vezes, três delas em Paris. Agora, pela primeira vez, não vai precisar chegar mais cedo nem torcer para que oito jogadores desistam.
Nas semifinais deste sábado, o adversário será Luciano Darderi, número 19 do mundo e primeiro cabeça de chave, que avançou sem jogar depois que o alemão Yannick Hanfmann não foi a quadra. Darderi chega descansado. Trungelliti jogou cinco partidas. O argentino não é favorito. Mas provavelmente não liga muito para isso.
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