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Paulo Saraiva é o grande personagem do tênis brasileiro na semana

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Paulo André Saraiva dos Santos, o brasiliense de 25 anos criado no Varjão e formado em projeto social no Grupamento de Fuzileiros Navais, disputará neste sábado sua primeira semifinal de um torneio challenger. Na gaúcha São Leopoldo, com wild card na mão e 279 posições abaixo do adversário no ranking, ele despachou nesta sexta o boliviano Murkel Dellien, 309º do mundo, por 6/4 e 6/2, em uma das partidas mais tranquilas da semana.


Jogador de tênis veste azul e acerta forehand em quadra de saibro. Placar mostra 30-20. Fundo azul com logotipos e marcações.
Paulo Saraiva (Foto: Cleon Medeiros)

São três vitórias consecutivas no São Léo Open, 22 pontos ATP embolsados e um salto no ranking que deve levá-lo para muito perto do top 500. Para um tenista que passou anos disputando ITFs sem garantia de pagar hotel e alimentação com a premiação, e que em 2022 chegou a vender duas de suas quatro raquetes para financiar uma viagem a torneio, o número parece modesto. O que ele representa é outra coisa.


"Em muitas semanas eu acabo saindo no prejuízo, mas o que me mantém firme é o sonho", disse Saraiva em entrevista à ESPN Brasil em 2025. "Já cheguei a vender minhas raquetes para poder viajar. Eu tinha quatro, vendia duas e ficava com duas durante a viagem".

Uma história que precisa ser contada: a mãe diarista, o pai pedreiro, a infância no Varjão, interior de Goiás. Saraiva entrou no projeto social do PROFESESP aos 9 anos e tocou em uma raquete pela primeira vez aos 13. Três anos depois, já era o número 1 do Brasil na categoria até 16 anos. Aos 17, marcou seu primeiro ponto no ranking profissional no ITF M15 de Brasília. O caminho até um challenger vitorioso levou mais quase uma década.


Em março, ao avançar no qualifying do Brasília Tennis Open, ele disse ao Tênis News:


"Acredito que mereço um lugar ao sol, estou trabalhando muito duro. Já cheguei a parar, mas algumas pessoas acreditaram em mim e me ajudaram a seguir meu sonho." Ele também tem três filhos. "Que essa seja a primeira vez que eles irão lembrar de me ver jogar", comentou na mesma ocasião.


O jogo

Em quadra, não houve drama. Saraiva disparou seis aces e sofreu apenas uma quebra em quatro break-points enfrentados. Saiu vencendo por 4/1 logo na abertura do primeiro set, cedeu o empate no oitavo game, mas fechou a parcial na sequência. No segundo, aplicou duas novas quebras e teve o saque sério ameaçado em apenas um game.


Próximo compromisso

A semifinal deste sábado coloca Saraiva diante de Facundo Diaz Acosta, argentino canhoto de 25 anos, 222º do ranking e ex-top 50. Diaz Acosta, campeão do ATP 250 de Buenos Aires em 2024, despachou o peruano Conner Huertas, 743º colocado, por 4/6, 6/1 e 6/4 nas quartas. O confronto entre os dois é inédito.


O Brasil ainda pode ter um segundo semifinalista em simples. O paulista Gustavo Heide, de 24 anos e 285º do ranking, que eliminou o cabeça 3 Juan Carlos Prado Angelo na rodada anterior, disputa as quartas desta sexta-feira contra o argentino Juan Manuel La Serna, 355º. O vencedor joga no sábado contra o boliviano Hugo Dellien, cabeça 2, ou Lautaro Midon, da Argentina.


Saraiva também está na semifinal de duplas. Ao lado do paulista Luis Britto, ele enfrenta os cabeças de chave Boris Arias (Bolívia) e Johannes Ingildsen (Dinamarca) no encerramento desta sexta. Na outra semi, os espanhóis Nicolas Alvarez e Mario Mansilla já garantiram vaga ao eliminar os argentinos Valentin Basel e Franco Ribero.


O São Léo Open distribui US$ 107 mil ao longo da semana, com 75 pontos ATP e US$ 17 mil para o campeão.

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