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Monfils se despede das quadras após 22 anos de carreira: "Não é nada fácil"

há 5 horas
4 min de leitura

Atualizado: há 4 minutos

Gael Monfils se despediu do tênis profissional na noite desta terça-feira, na quadra central do Masters 1000 de Paris, em uma cerimônia que levou ao mesmo palco Jo-Wilfried Tsonga, Gilles Simon, Richard Gasquet e Benoit Paire.


Gael Monfils (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)
Gael Monfils (Foto: Corinne Dubreuil/ATP)

Não houve bola em jogo. Ex-número 6 do mundo, dono de 13 títulos de ATP e de 588 vitórias no circuito, o francês recebeu as homenagens de colete, sem raquete, depois de duas décadas como o maior showman do tênis do país. É também o francês com mais vitórias em torneios Masters 1000: 146. E era o último dos chamados "Novos Mosqueteiros" ainda em atividade. Agora, não há mais nenhum.


"Não vou esconder que este é um momento muito difícil para dizer adeus. A coisa mais bonita que este mundo me deu foi vocês, este público maravilhoso", disse Monfils. "Não é nada fácil, mas quero agradecer a todos. Foram 22 anos como tenista profissional, uma história extraordinária que eu nunca poderia ter imaginado. Agradeço a todos, aos que estão aqui e aos que acompanham de casa, porque foi graças a vocês que pude realizar meu sonho".


A cerimônia durou cerca de 15 minutos, logo após a primeira partida da sessão noturna. Monfils foi recebido em quadra pelo diretor do torneio, Cédric Pioline, e pelo presidente da Federação Francesa de Tênis, Gilles Moretton, enquanto o locutor Marc Maury lia seus feitos, do título de campeão mundial juvenil aos 13 troféus da ATP. Depois vieram um vídeo com imagens da carreira, um tifo gigante com a frase "Merci Gaël" nas arquibancadas e a presença do cantor M. Pokora.



Recados

O momento mais pessoal da noite foi reservado para a filha, Skai, de 4 anos. Monfils contou ao público uma conversa recente em que a menina disse que também queria ser campeã, primeiro "de tudo" e, depois de alguma negociação, de tênis. Foi a ela que dedicou a última volta olímpica em Paris.


"Skai, seu pai foi tenista. Ele amava o tênis e cresceu em Paris, onde teve um público maravilhoso ao seu lado. Espero, do fundo do coração, que você se torne uma grande campeã em tudo o que fizer e que, um dia, também jogue aqui em Paris", declarou.


As mensagens de colegas atravessaram gerações. Carlos Alcaraz falou em inspiração: "Para mim, você foi uma verdadeira inspiração, um grande atleta e, acima de tudo, uma grande pessoa fora das quadras. É por isso que inspira tantos jovens. Muito obrigado, sentiremos sua falta".


Alexander Zverev, que chegou a Paris como novo líder do ranking e cruzou com Monfils quatro vezes no circuito, preferiu outra palavra. Chamou o francês de "um verdadeiro mágico" e lembrou os momentos espetaculares que ele ofereceu ao público ao longo de mais de duas décadas.


O canhoto Ben Shelton, que horas antes havia vencido Cameron Norrie por 6/3 e 6/4 na mesma arena, foi pelo lado da amizade. "Para mim, você foi como um irmão mais velho, um amigo e um brincalhão. É uma das minhas pessoas favoritas para encontrar no vestiário ou treinar em quadra. Você colocava um sorriso no rosto de todos, fossem jogadores, torcedores ou pessoas que assistiam às suas partidas", afirmou. Daniil Medvedev, Felix Auger-Aliassime e Alex de Minaur também enviaram mensagens de despedida.


Uma despedida que não era a planejada

O roteiro original era outro. Monfils, que completou 40 anos em setembro, passou a temporada em turnê de despedida, com escalas nos quatro torneios do Grand Slam, e queria encerrar a carreira em quadra justamente em Paris. Antecipou o fim depois da recente separação de Elina Svitolina, também tenista profissional, anunciada pela ucraniana em 19 de outubro.


A conta saiu cara. A Agência Internacional de Integridade do Tênis (ITIA) passou a listá-lo como aposentado a partir de 5 de outubro, o que derrubou o convite que ele tinha recebido para o torneio de Lyon e a ideia de jogar uma última vez em casa. A última partida, portanto, ficou registrada no US Open deste ano: derrota para Learner Tien, na segunda rodada.


No discurso, Monfils não fingiu que nada aconteceu. Disse que achou que seria "intransponível vir me despedir de vocês, olhando nos olhos". Lembrou ainda que o dia 3 de novembro marcava oito anos do início do relacionamento com Svitolina.


Duas finais e nenhum título em Bercy

A relação de Monfils com o Masters de Paris é antiga e, de certa forma, incompleta. Foram 11 participações, com 16 vitórias e 10 derrotas. A primeira vitória veio em 2004, aos 18 anos, contra o sueco Thomas Enqvist. A última partida, em 2023, terminou com derrota para Francisco Cerundolo na estreia.


No meio disso, duas finais seguidas. Em 2009, perdeu para Novak Djokovic por 6/2, 5/7 e 7/6(3). Em 2010, depois de eliminar Roger Federer na semifinal por 7/6(7), 6/7(1) e 7/6(4), salvando cinco match points, parou em Robin Soderling por 6/1 e 7/6(1). O título em casa nunca veio. A torcida, ao que parece, nunca cobrou.


Monfils e o Brasil

O público brasileiro também teve sua cota do francês. Contra Thomaz Bellucci, foram quatro confrontos, com três vitórias de Monfils. O mais lembrado foi na segunda rodada do Australian Open de 2012, quando o brasileiro venceu o primeiro set antes de ver o francês fechar por 2/6, 6/0, 6/4 e 6/2. A única vitória de Bellucci saiu no saibro, em um Masters 1000.


No Rio Open, Monfils jogou uma única vez, em 2018. Eliminou o cabeça de chave 1, Marin Cilic, por 6/3 e 7/6(8), e caiu nas quartas de final para Diego Schwartzman, que seria o campeão. O torneio carioca estava na rota da despedida de 2026, com convite da organização, mas o francês desistiu às vésperas por causa de uma virose que o acompanhava desde o Australian Open.


A ligação mais recente passa por João Fonseca. Antes de Roland Garros deste ano, o carioca treinou com Monfils em Paris e celebrou a oportunidade nas redes sociais.


O que vem depois

Fora das quadras, Monfils já tem destino: o mercado financeiro. Ficam a irreverência, o atleticismo e as jogadas de efeito que fizeram dele um dos tenistas mais populares do circuito, muitas vezes independentemente do placar.


O Masters 1000 de Paris segue nesta quarta-feira, com Carlos Alcaraz e Arthur Fils como atrações da sessão noturna.

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