Muchova e Noskova garantem a primeira final 100% tcheca da história dos Slams
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Wimbledon terá uma decisão inédita. Karolina Muchova e Linda Noskova venceram nesta quinta-feira, respectivamente, Coco Gauff e Marta Kostyuk, e montaram a primeira final entre duas tchecas da história dos Grand Slams, marcada para não antes das 12h (horário de Brasília) de sábado, no All England Club.
Nunca duas jogadoras da República Tcheca haviam disputado a decisão de um major, e faz tempo que um Slam não coloca compatriotas frente a frente: a última final entre tenistas do mesmo país foi em 2017, quando a norte-americana Sloane Stephens superou Madison Keys no US Open. O sábado ainda carrega um dado que dispensa retórica: seja qual for o resultado, o troféu sairá com uma campeã de Slam estreante. O tênis tcheco, vale lembrar, não estranha aquela grama. Marketa Vondrousova (2023) e Barbora Krejcikova (2024) levantaram a taça ali nas duas últimas temporadas.

A mais nova das semifinalistas não escondeu a admiração pela adversária que reencontra na decisão. "A Karolina é uma grande guerreira, uma jogadora incrível, mas, acima de tudo, é uma grande pessoa. Estou feliz de disputar minha primeira final com ela", disse Noskova, aos 21 anos, em entrevista na quadra.
Muchova, que precisou suar bem mais para chegar lá, resumiu a própria semifinal em uma palavra. "Foi uma montanha-russa. Você sobe e desce. Em 10 segundos você tem match-point e no instante seguinte está com match-point contra. Não dá tempo de pensar, é angustiante", afirmou a tcheca, também em entrevista na quadra. Aos 29 anos, vice-campeã de Roland Garros em 2023, ela chega à sua primeira final em Londres e à segunda de Grand Slam, ainda em busca de um título inédito na carreira.
Muchova sobrevive ao match-point de Gauff
Depois de duas viradas seguidas no torneio, Gauff tentou mais uma reação nesta quinta. Não deu. Muchova fez valer a condição de mais experiente entre as quatro semifinalistas e fechou a primeira semifinal por 6/2, 1/6 e 7/6 (12-10), sob cerca de 33°C no Centre Court. Foi sua décima vitória consecutiva, a maior sequência da carreira, embalo que começou com o título em Bad Homburg.
Variando muito os golpes, a tcheca deu trabalho à norte-americana logo de início, e Gauff não encontrou soluções. Muchova foi certeira nos momentos decisivos: aproveitou os break-points do terceiro e do quinto games, salvou dois no quarto e outros três no sexto, e abriu 6/2.
Na troca de sets, Gauff deixou a quadra para uma longa pausa, e a estratégia funcionou. Voltou mais concentrada e afiada no serviço, elevando o aproveitamento de 52% para 81% e cedendo apenas quatro pontos em seus games de saque. Com o serviço firme, ganhou espaço para atacar quando devolvia. Não enfrentou um único break-point, criou seis chances de quebra, converteu no quarto e no sexto games e devolveu com um 6/1, empurrando a decisão para o terceiro set.

A parcial final foi a mais equilibrada. As duas cuidaram bem do saque, sem quebras: Gauff salvou dois break-points no quarto game e Muchova fez o mesmo no nono. A definição veio no tiebreak, em que a tcheca errou menos e levou a melhor. No caminho até a final, ela derrotou três campeãs de Slam em sequência: Krejcikova, Naomi Osaka e, agora, Gauff.
Os dois primeiros match-points, um para cada lado, foram resolvidos de forma quase surreal. No dela, Gauff tinha o ponto sob controle e mandou uma deixadinha no meio da rede. Na sequência, Muchova encurralou a rival, escorregou na hora de voleiar junto à rede e levou a passada. Mas a tcheca teve nova oportunidade e, dessa vez, não desperdiçou.
Muchova explicou o que passou pela cabeça no momento mais tenso. "Na minha cabeça era só: tenho que continuar batendo na bola. Eu dizia a mim mesma que, se fosse perder, queria perder nos meus termos. E meus termos são ir para frente, jogar agressivo, ir à rede", contou, em coletiva.
Do outro lado, Gauff assumiu a responsabilidade pela deixadinha que não entrou. "No fim das contas, foi a escolha que eu fiz. Era a certa naquele momento? Talvez não. Mas, se ela entra, todo mundo vai dizer que jogada decisiva foi aquela. Isso é o tênis", disse a norte-americana, em coletiva. O revés interrompeu um retrospecto raro: Gauff vinha de uma longa série de vitórias após perder o primeiro set em Slams, incluindo quatro nesta edição de Wimbledon.
A vitória também mexeu com o histórico do confronto. Muchova chegou à semifinal com um saldo bastante negativo diante de Gauff, seis derrotas e uma vitória, e o único triunfo havia sido justamente no encontro mais recente, semanas atrás, em Stuttgart, onde também conquistara seu último resultado sobre uma top 10. Agora são 21 vitórias sobre rivais desse nível. Passar das quartas em Wimbledon, aliás, era uma barreira: a tcheca havia parado nessa fase em 2019 e 2021.
Noskova não dá chances a Kostyuk
A segunda semifinal teve bem menos sufoco. Noskova bateu a ucraniana Marta Kostyuk por duplo 6/4, em 1h21 de jogo, para carimbar a primeira decisão de Grand Slam da carreira. Semifinalista de Roland Garros nesta temporada, Kostyuk esbarrou em uma adversária calibrada do começo ao fim.
Mesmo com apenas quatro winners e nove erros não forçados no primeiro set, Noskova ditou o ritmo, sustentada pelos games de saque, nos quais venceu 74% dos pontos. Sem enfrentar break-points, pressionou a ucraniana na devolução. A primeira chance veio no sexto game, quando Kostyuk se salvou e manteve a igualdade. Só que, ao encarar 0-40 sacando em 4/5, a ucraniana resistiu ao primeiro de três break-points seguidos, mas sucumbiu no segundo.
Noskova parecia ter o segundo set encaminhado ao quebrar para abrir 3/1, mas Kostyuk devolveu de imediato e reequilibrou o placar. A decisão veio em mais um game de oscilação da ucraniana, que enfrentou 15-40 sacando em 4/5. A tcheca converteu o segundo match-point e comemorou a final inédita.
"Uma semifinal de Grand Slam nunca é fácil, não importa contra quem você joga nem onde. Eu só tentei ser o mais paciente possível, manter a calma e, de alguma forma, fazer o último ponto", disse Noskova na quadra. A tcheca lidera a WTA em vitórias no piso nas duas últimas temporadas, chega a 11 triunfos e uma derrota em 2026 e vinha embalada pelo título em Berlim, conquistado sobre Jessica Pegula na final.
Amigas, parceiras e, agora, adversárias por um título inédito
Muchova e Noskova se conhecem bem. São próximas fora das quadras e chegaram a jogar juntas nas duplas dos Jogos de Paris, em 2024. No individual, se enfrentaram uma única vez, com vitória de Muchova em três sets na terceira rodada do US Open do ano passado.
O duelo tcheco não surge do nada. As duas formam a primeira dupla de compatriotas a alcançar uma semifinal de major desde o Aberto da Austrália de 2019, quando Karolina Pliskova e Petra Kvitova protagonizaram o feito, e não por acaso é Kvitova, bicampeã em Wimbledon, a inspiração de infância assumida por Noskova.
Há ranking em jogo também. Independentemente do que acontecer no sábado, Noskova subirá ao oitavo lugar, novo melhor posto da carreira, quando a lista for atualizada em 13 de julho. Um título a levaria à sétima posição, à frente de Iga Swiatek. A decisão está marcada para não antes das 12h de sábado (horário de Brasília), no Centre Court.
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