Wimbledon coroa geração de ouro do tênis juvenil brasileiro
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O fim de semana em Wimbledon entrou para a história do tênis brasileiro. Neste sábado, o goiano Guto Miguel conquistou o título juvenil de duplas ao lado do esloveno Ziga Sesko, enquanto a paulista Nauhany Silva e a potiguar Victória Barros ficaram com o vice-campeonato na chave feminina — resultados que confirmaram um dos momentos mais especiais da nova geração nacional sobre a grama sagrada do All England Club.
Cabeças de chave número 1, Guto e Sesko derrotaram os norte-americanos Michael Antonius e Andrew Johnson por 6/1 e 6/4, com autoridade no serviço e superioridade nas devoluções ao longo de toda a partida. Curiosamente, Antonius foi o mesmo adversário batido pelo brasileiro na final de simples de Roland Garros, há pouco mais de um mês.

Com o troféu, Guto marcou o 11º título brasileiro na história de Wimbledon. Ele igualou o feito do gaúcho Orlando Luz e do paulista Marcelo Zormann, campeões juvenis em 2014, e se somou às oito conquistas de Maria Esther Bueno (tri de simples e penta de duplas) e ao título de Marcelo Melo nas duplas masculinas.
Atual número 1 do mundo no ranking juvenil de simples, Guto destacou a mudança de postura após a eliminação precoce na chave individual, onde parou na segunda rodada.
"Estou muito feliz por mais essa conquista. Durante toda a semana fiquei bastante chateado com o meu resultado na chave de simples, mas, ao mesmo tempo, eu e o Ziga seguíamos avançando nas duplas. Hoje acordei com uma mentalidade diferente, agradecendo a Deus pela oportunidade que ele está me dando. Acho que, em alguns momentos da semana, fui ingrato por focar apenas na derrota da simples e não valorizar tudo o que estava vivendo", contou o jovem goiano.
"Estou muito feliz por conquistar esse título de duplas ao lado do Ziga. Também quero agradecer a todos os brasileiros pelo carinho comigo e com os outros atletas. Estamos vivendo um momento muito especial para o tênis brasileiro e é muito gratificante fazer parte disso", finalizou Guto.
Vice histórico na chave feminina
Na chave feminina, Nauhany Silva e Victória Barros protagonizaram uma final equilibradíssima diante das tchecas Jana Kovackova e Katerina Zajickova. As brasileiras salvaram quatro match-points ao longo da partida e levaram a decisão ao super tie-break, mas acabaram superadas por 7/6(7) 6/7(5) 10-6, após 1h53 de jogo.

Mesmo sem o título, a campanha colocou a dupla em um seleto grupo da história nacional. Ambas de 16 anos, Victória e Naná tornaram-se apenas a terceira e a quarta brasileiras a disputar uma final feminina em Wimbledon em qualquer categoria, feito antes alcançado somente por Maria Esther Bueno e Luisa Stefani. Atualmente, as duas figuram no top 10 do ranking juvenil da ITF — Victória em quarto e Naná em sétimo.
"Foi uma semana muito boa, mesmo que o resultado da final não tenha sido o que a gente queria. Demos tudo de nós dentro de quadra, tanto física quanto mentalmente, e foi um jogo muito duro. Agora é levar as coisas boas daqui, porque jogamos bem durante toda a semana, e também identificar os pontos que ainda podemos melhorar", afirmou Naná.
"Eu e a Victória nos entrosamos muito bem, nos conhecemos melhor dentro de quadra e isso fez toda a diferença. Claro que queríamos sair com o título, mas disputar uma final de Grand Slam já é muito especial. Estou feliz por tudo o que vivemos aqui e por esse vice-campeonato. Quero agradecer à Victória pela parceria, espero que venham muitas outras, e também à torcida brasileira que esteve presente e a todos que torceram por nós", finalizou.
Trabalho de base validado
Guto, de 17 anos, e Naná, de 16, integram o Time Rede Tênis, projeto que também revelou Victória Barros — descoberta aos 10 anos em um polo da organização em Natal e hoje treinando na França. Para Léo Azevedo, head coach do time, o desempenho reforça a qualidade da formação desenvolvida.
"É um resultado muito especial para todos nós. O Guto conquista seu segundo título consecutivo de Grand Slam, depois de Roland Garros, e a Naná disputa sua primeira final de Grand Slam ao lado da Victória, que também fez parte da Rede Tênis. É a primeira vez na história do projeto que temos dois atletas disputando finais em Wimbledon. Mais do que os resultados, o que nos orgulha é acompanhar a evolução desses jovens ao longo da caminhada. As conquistas validam que o trabalho está sendo desenvolvido com muito cuidado e consistência. Ainda há muito pela frente, mas é motivo de enorme orgulho para todos que fazem parte da Rede Tênis e para toda a equipe que trabalha diariamente com esses atletas em Brasília e em São Paulo", afirmou.
A Rede Tênis é uma organização sem fins lucrativos que se apresenta como o maior projeto de massificação e formação de tenistas da América Latina. Já apresentou o esporte a mais de 135 mil crianças e jovens em todo o país, levando aulas gratuitas, reforço escolar e capacitação de profissionais a escolas públicas, ao mesmo tempo em que apoia atletas de alto rendimento.
Brasil ainda sonha com mais um título
A festa brasileira pode ganhar novo capítulo neste domingo. Às 9h, na Quadra Central, Luisa Stefani disputa a decisão das duplas femininas ao lado da canadense Gabriela Dabrowski, na 25ª final brasileira em toda a centenária história de Wimbledon.
O fim de semana ainda teve a paranaense Eduarda Gomes, que passou a fase de grupos e caiu na semifinal do torneio até 14 anos, superada pela ucraniana Mariia Kocherzhenko por 6/3 e 7/5.
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