Mudanças nas pontuações do tênis à vista? Djokovic é um dos maiores entusiastas
- há 5 horas
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Novak Djokovic voltou a defender uma reformulação radical na pontuação do tênis profissional. Em entrevista ao podcaster Nick Coutracos, o sérvio propôs sets disputados até quatro games em vez de seis, fim da vantagem no deuce e manutenção do melhor de cinco sets nos Grand Slams. E ele não fala sozinho: a proposta reacende um debate que já reúne treinadores, ex-jogadores e a própria ATP em torno de mudanças nas regras do esporte.

Não é a primeira vez que o número 5 do mundo levanta esta bandeira. Aos 39 anos, dono de 24 títulos de Grand Slam e do recorde histórico de 428 semanas consecutivas como número 1, Djokovic recentemente chegou à semifinal de Wimbledon, parando diante do italiano Jannik Sinner, e segue como uma das vozes mais ouvidas quando o assunto é o futuro do circuito.
“Precisamos mudar o sistema de pontuação. Os sets não devem mais ser disputados até seis games, mas sim até quatro”, afirmou o tenista de 39 anos.
“Eu também eliminaria as vantagens. Em sets melhor de cinco, isso manteria as partidas com duração aproximada de duas horas. Seria melhor para todos”, acrescentou o ex-número 1 do mundo e dono de 24 títulos de Grand Slam.
A entrevista, gravada para um podcast de basquete, partiu de uma pergunta direta: qual opinião sobre o tênis ele defenderia mesmo sob críticas. Djokovic não fugiu do tema. Já havia tratado dele semanas antes, ao falar sobre como reter espectadores mais jovens.
“Como atraímos as novas gerações? Elas podem assistir aos Grand Slams, mas pouco mais. Não vão ficar sentadas por quatro ou cinco horas por dia assistindo tênis”, ponderou.
“O tempo de atenção delas é diferente e precisamos entender como o mercado funciona”, acrescentou o sérvio, explicando a motivação para suas mudanças.
O formato já existe, só não no circuito principal
O modelo defendido por Djokovic (games até quatro, sem vantagem) não é hipotético. A ATP já aplica essa fórmula no Next Gen Finals, torneio que funciona como laboratório de mudanças de regras. Quando o placar do game chega a 40-40, o sacador escolhe o lado da quadra para o ponto decisivo, no mesmo esquema usado nas duplas.
Nas redes sociais, a repercussão não foi só de aplausos. Parte dos torcedores acusou o sérvio de defender regras que o beneficiariam justamente na fase final da carreira, quando partidas mais curtas pesam menos sobre o corpo. Djokovic já havia sido cofundador da PTPA, associação de jogadores criada em 2020, da qual se desligou em janeiro de 2026 ao afirmar que os valores da entidade não estavam mais alinhados aos dele.
O aliado que já testa regras radicais há anos
Djokovic não é o único nome de peso a defender publicamente reformas no esporte. O francês Patrick Mouratoglou, técnico de Naomi Osaka e fundador da liga alternativa UTS (Ultimate Tennis Showdown), é hoje o principal apoiador da causa. Criada em 2020, sua competição já joga sob regras próprias: partidas divididas em quatro quartos de oito minutos, sem segundo saque, com torcida liberada para gritar durante os pontos.
“O tênis é o mundo de ontem”, disse Mouratoglou ao canal Eurosports da França.
Para o francês, o formato tradicional, criado antes de 1900 e quase inalterado desde então, afasta o público mais jovem. Ele defende que ATP e UTS convivam lado a lado, como uma transição gradual em vez de uma ruptura total com o modelo atual.
Regras também mudam fora da quadra de pontuação
Nem todo mundo compra a tese de sets mais curtos. O ex-tenista Fernando Meligeni já se posicionou contra reduzir demais o formato das partidas. “Acho que um melhor de três até quatro games é muito curto”, escreveu o Fininho.
Para o brasileiro, encurtar demais o jogo tira peso da bagagem tática do tênis e pode uniformizar o estilo dos jogadores, prejudicando quem tem no saque sua principal arma.
O debate não se limita à forma de contar os pontos. A ATP anunciou, para a temporada de 2026, uma nova regra de proteção contra calor extremo: os jogadores podem pedir pausa de dez minutos no terceiro set caso o índice que mede temperatura, umidade e vento ultrapasse determinado patamar, e a partida pode até ser suspensa em casos mais graves.
A mudança veio na esteira de queixas de jogadores durante a temporada anterior.
“Querem que um jogador morra na quadra?”, questionou o dinamarquês Holger Rune durante o Masters 1000 de Xangai.
Entre pontuação, formato de partida e proteção contra calor, o tênis profissional discute simultaneamente várias frentes de mudança, sem que ATP, WTA e os quatro Grand Slams tenham sinalizado qual delas, se alguma, vai de fato sair do papel.
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