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Negociação entre ATP e WTA não avança e fusão comercial fica distante no curto prazo

Negociação entre ATP e WTA não avança e fusão comercial fica distante no curto prazo

As negociações entre a ATP (Associação de Tenistas Profissionais) e a WTA (Associação de Tênis Feminino) para uma possível fusão ou acordo comercial conjunto não devem se concretizar no curto prazo, confirmou-se nesta terça-feira. O plano, que vinha sendo debatido ao longo do ano como uma das maiores transformações comerciais do tênis profissional, ficou paralisado por divergências sobre divisão de receitas e outros detalhes estruturais e agora deverá ser apenas retomado em 2026, sem previsão de conclusão imediata.


O otimismo que cercava as conversas nos meses anteriores mudou de tom nos últimos dias, com representantes das duas entidades afirmando que não há um acordo fechado até o fim de 2025. Em declaração conjunta ao Front Office Sports, ATP e WTA disseram que continuarão as conversas no próximo ano, mas clubes e fontes ouvidas por veículos especializados demonstram ceticismo de que um acordo completo seja selado em um futuro próximo.


O foco das negociações era a criação de uma “joint commercial venture”, ou seja, uma fusão das operações comerciais dos tours masculino e feminino, envolvendo conjuntamente direitos de mídia, patrocínios e outras receitas importantes. A expectativa de uma união vinha crescendo com base em conversas com potenciais parceiros e na tentativa de consolidar o tênis profissional em um pacote mais atraente para anunciantes e plataformas de transmissão.


O principal ponto de impasse, conforme relatado por fontes próximas ao processo, tem sido a forma de dividir receitas entre os dois circuitos, dada a disparidade financeira entre eles. Relatórios financeiros recentes mostram que, em 2024, a ATP registrou receitas significativamente maiores e um excedente de recursos, enquanto a WTA operou com um orçamento menor e até um déficit. Essa diferença tornou difícil estabelecer termos satisfatórios para ambas as partes em um acordo que unificasse a gestão comercial.


Além da questão financeira, existem diferenças estruturais nas próprias organizações comerciais de cada entidade. A WTA concentra seus direitos comerciais em uma unidade — a WTA Ventures, na qual já vendeu participações a investidores externos — enquanto a ATP espalha esses direitos em várias frentes, incluindo redes de transmissão, direitos de torneios e dados, o que complexifica qualquer tentativa de integração completa em um modelo único de negócios.


Em outubro, ainda no contexto das negociações, o presidente da ATP havia demonstrado publicamente otimismo quanto à assinatura de um acordo de caráter não vinculativo antes do fim da temporada, com expectativa de avançar para um contrato definitivo em 2026. Porém, essa previsão não se concretizou nos últimos meses, e a perspectiva agora é de que as conversas se estendam com um cronograma mais longo.


A manutenção das duas entidades operando separadamente significa que, pelo menos por enquanto, negociações de mídia, patrocínios e vendas comerciais continuam sendo feitas de maneira independente, com cada tour negociando seus próprios contratos de transmissão e parcerias.


Conversas que vêm de longe

As ideias de um projeto conjunto entre as principais entidades do tênis profissional não são novas. Desde pelo menos o início dos anos 2020 houve propostas nesse sentido, incluindo em momentos como a retomada após a pandemia de COVID-19, quando grandes nomes do esporte, como Roger Federer, sugeriram que uma unificação administrativa poderia fortalecer o tênis globalmente.


Ao longo dos anos seguintes, diferentes formatos de cooperação foram ventilados, inclusive com rumores sobre acordos com investidores externos ou veículos de mídia integrados. Em 2023, a WTA chegou a vender 20% de sua unidade comercial para a CVC Capital Partners, o que colocaria essa participação no centro de qualquer negociação futura de assets comerciais.


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