Novas informações apontam dinheiro e disputas internas como estopim da ruptura entre Alcaraz e Ferrero
- Raphael Favilla

- 19 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A separação entre Carlos Alcaraz e Juan Carlos Ferrero segue revelando camadas que ajudam a explicar por que uma das parcerias mais bem-sucedidas do tênis recente terminou de forma tão abrupta. Se inicialmente a imprensa espanhola apontou a questão financeira como fator decisivo, novas informações indicam que o dinheiro foi apenas o estopim final de um conjunto de desavenças que vinham se acumulando nos bastidores há meses.
De acordo com os jornalistas Ángel García Muñiz, da Cadena COPE, e Nacho Encabo, da revista Clay, a relação entre Ferrero e o círculo mais próximo de Alcaraz, especialmente seu pai, já estava desgastada bem antes do rompimento oficial. Segundo os relatos, havia tensão crescente em torno da estrutura que cerca o atual número 1 do mundo, com divergências estratégicas sobre o futuro da equipe e a centralização das operações em Múrcia.
O estafe de Alcaraz tem feito esforços significativos para transformar Múrcia na base definitiva de Carlitos, fortalecendo sua academia local e tentando convencer Ferrero e sua equipe a deixarem Villena, sede da Equelite, para se mudarem. Essa inversão, com Ferrero passando a se adaptar ao projeto de Alcaraz, e não o contrário, teria sido um dos principais pontos de atrito na relação.

Essas divergências voltaram à tona de forma mais intensa quando começaram as negociações para a renovação do contrato. Segundo as mesmas fontes, Ferrero tinha expectativas financeiras que o entorno de Alcaraz não estava disposto a atender. A alta porcentagem dos prêmios em dinheiro do jogador destinada ao treinador também teria pesado nas conversas e contribuído para o desgaste definitivo.
O jornal Marca acrescenta novos detalhes sobre o episódio final. Segundo o diário espanhol, Ferrero recebeu a proposta de renovação em uma manhã de sábado, com prazo de apenas 48 horas para aceitar ou rejeitar o contrato. O documento continha cláusulas que o treinador valenciano considerou inaceitáveis. Embora a redução salarial prevista não tenha sido o principal problema, outros pontos, não diretamente ligados ao trabalho em quadra, causaram desconforto.
O prazo expirou na manhã de segunda-feira. Dois dias depois, na quarta, veio o anúncio oficial do encerramento da parceria. Para a imprensa espanhola, as diferenças financeiras foram a gota d’água em uma situação que já vinha se deteriorando gradualmente por conflitos em diversas frentes.
Enquanto isso, o futuro da equipe técnica de Alcaraz segue em aberto. A ideia inicial é manter Samuel López em Múrcia ao lado do restante da comissão técnica, que precisará se desligar formalmente da Equelite, academia de Ferrero da qual o próprio López faz parte. O plano, segundo os relatos, seria encontrar um novo treinador principal, relegando López novamente a uma função de auxiliar, semelhante à que exercia ao lado de Ferrero.
Primeiro treinador de Alcaraz: “Acho que a decisão não foi de Carlitos”
Além dos bastidores financeiros, surgiram também leituras internas sobre quem de fato tomou a decisão. Um dos primeiros treinadores de Alcaraz, Kiko Navarro, falou sobre o caso na Rádio Nacional da Espanha (RNE) e demonstrou surpresa com o momento da ruptura. “No fim das contas, tudo tem um começo e tudo tem um fim. Me surpreendeu porque talvez, se me dissessem que foi no ano passado, eu ficaria menos surpreso do que neste”, afirmou.
Navarro foi além e sugeriu que a decisão não partiu diretamente do próprio Alcaraz. “Carlitos é muito protetor com seus treinadores. Ele esteve comigo, e sei que esteve com Juan Carlos”, disse. Para o ex-treinador, fatores externos ao desempenho esportivo pesaram mais. “Chega um momento em que, por razões alheias à sua carreira esportiva, ele precisa tomar essa decisão. E que momento melhor do que agora, sendo o número 1 do mundo? As pessoas que tomaram a decisão, que não foram Carlitos, devem ter seus motivos, dos quais eu desconheço no momento.”

Apesar da turbulência, Navarro mostrou confiança na continuidade do trabalho com Samuel López, ao menos no curto prazo. “Ele tem mais experiência como treinador do que Ferrero. Trabalhou com Nico Almagro e com Pablo Carreño, conhece o circuito. É uma pessoa muito humilde e um profissional completo”, avaliou.
Com novas versões vindo à tona quase diariamente, o rompimento entre Alcaraz e Ferrero deixa claro que não se tratou de uma decisão isolada ou repentina. O fim de uma parceria que rendeu 24 títulos, seis Grand Slams e a liderança do ranking mundial parece ter sido o resultado de um processo longo, marcado por disputas de poder, divergências estruturais e uma redefinição do controle sobre o futuro do jogador mais dominante do circuito atual.
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