O brasileiro que vê o tênis mundial de onde quase ninguém vê
- Raphael Favilla

- 17 de jan.
- 2 min de leitura
Enquanto os principais nomes do tênis mundial brilham sob os refletores do Australian Open, um brasileiro atua longe das arquibancadas e das lentes tradicionais. Aos 37 anos, Felipe Figueiredo consolidou-se como o único fotógrafo do Brasil a acompanhar de forma contínua o circuito internacional de tênis, ocupando um espaço raro e simbólico no esporte.
A presença constante nos bastidores dos grandes torneios remete a um período distante. Desde a era de Gustavo Kuerten, o Guga, o país não contava com um profissional inserido organicamente no dia a dia do circuito. Nos anos 1990 e 2000, esse papel foi desempenhado por Marcelo Ruschel, responsável por imagens icônicas do tricampeão de Roland Garros.

Formado em jornalismo, Felipe construiu sua carreira como fotógrafo nos universos da moda, publicidade e grandes eventos. A mudança de rota aconteceu em 2024, durante os Jogos Olímpicos de Paris, onde atuou como produtor de conteúdo e embaixador de marcas. A experiência despertou a ideia de acompanhar o circuito de tênis de forma independente.
A aposta começou poucos meses depois, no US Open, e rapidamente ganhou outra dimensão.
“Eu estava no US Open e decidi fotografar o João Fonseca, que ainda buscava seu espaço. Fiz um vídeo que viralizou e chegou até a mãe dele, que me conectou com patrocinadores. A partir dali, o que era um investimento pessoal virou minha principal atividade profissional”, conta Felipe.
João Fonseca, marcas e reconhecimento
O impacto das imagens chamou a atenção das marcas ligadas ao jovem tenista brasileiro. Em março de 2025, Felipe passou a ser contratado para acompanhar João Fonseca em torneios como Indian Wells e Miami Open, trabalhando para empresas como a XP.
O diferencial está na abordagem visual. Em vez do registro protocolar típico das grandes agências, Felipe aposta no storytelling dos bastidores, uma herança direta de sua formação na moda e na publicidade.
Essa estética abriu portas para trabalhos com nomes do topo do circuito, como Aryna Sabalenka, Matteo Berrettini e Jannik Sinner, além da cobertura de eventos institucionais, como a premiação da WTA em São Paulo.
Ao longo do último ano, Felipe ampliou sua rede de parcerias, que hoje viabiliza sua presença contínua nos principais torneios do mundo. No Australian Open, ele atua em projetos com marcas globais como:
ON Running, acompanhando João Fonseca
ASICS, em ações com Bia Haddad Maia e Laura Pigossi
Fila, na cobertura do duplista Rafael Matos
Na Austrália, Felipe também conta com o apoio logístico e de credenciamento da Unbox Sports, empresa responsável pela gestão de imagem de treinadores de ponta do circuito internacional.
Baseado no Rio de Janeiro, Felipe soma cerca de 30 mil seguidores no Instagram, onde compartilha não apenas as imagens finais, mas também processos criativos, bastidores e reflexões sobre o mercado da fotografia esportiva.
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