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"O maior momento da minha vida": o dia seguinte de Joaquim Almeida após primeiro título profissional em simples

  • 11 de mai.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 11 de mai.

Tinha um nome na lista de alternates do qualifying. Era o 28°.


Sem ranking na ATP, Joaquim Almeida chegou ao M15 Mardy Fish Children's Foundation Tennis Championships, em Vero Beach, na Flórida, porque 27 pessoas abriram mão da vaga antes dele. Não havia nenhuma garantia de que chegaria a jogar. No domingo, 10 de maio, ele estava de pé numa quadra do Sea Oaks Beach & Tennis Club segurando um pequeno porém gigantesco troféu nas mãos.


Homem sorrindo segura troféu com inscrição "Mardy Fish Singles Champion 2026". Fundo com rede e banner verde. Clima de vitória.
Joaquim Almeida (Foto: Reprodução/Instagram)

O paraense de 24 anos conquistou seu primeiro título profissional em simples ao bater o americano Alex Rybakov, cabeça de chave número 1 e 322° do mundo, por 6/2, 1/6 e 6/3 na final do torneio de US$ 15 mil. Um placar que resume mal o que foi a semana.


A jornada dos oito match points

Almeida entrou no torneio com apenas o World Tennis Number como credencial, o sistema de avaliação da ITF para jogadores sem ranking profissional. No qualifying, atropelou o britânico Ying Hou por duplo 6/0 e depois sobreviveu a dois match points contra o americano Kian Vakili, avançando por 6/4, 2/6 e 13 a 11 no supertiebreak.


Dentro do chaveamento, o roteiro manteve a tensão. Contra Strong Kirchheimer, 7° cabeça e ATP 647, salvou quatro match points, incluindo um triple match point, antes de fechar por 3/6, 6/2 e 7/6(5). Na rodada seguinte, despachou Matthew Segura, bisneto do equatoriano Pancho Segura, membro do Hall da Fama do tênis, com outro duelo em três sets: 3/6, 6/2 e 6/3.


A partida das quartas teve um nível diferente de pressão. Diante de mais de 300 pessoas numa noite de sexta-feira, Almeida perdeu os primeiros oito games contra J.J. Wolf, americano que já foi top 39 e disputava seu quinto torneio de retorno depois de uma cirurgia grave no ombro. Wolf sacou para o jogo em 6/5 no segundo set e teve match points a 6/5 e a 7/6 no tiebreak. Almeida devolveu um winner que pousou na linha, impedindo a eliminação por centímetros. Wolf avançou até o 1/0 do terceiro set antes de se retirar com dores no ombro. Mais dois match points salvos.


Na semifinal, 6/4 e 6/2 sobre Quinn Vandecasteele, 4° cabeça e ATP 459. Na final, foi de 1/3 no terceiro set para cinco games seguidos e o título sobre Rybakov.


Oito match points salvos em sete dias. Cinco vitórias. O primeiro troféu profissional em simples da carreira.



"O maior momento da minha vida"


Logo após a conquista, Almeida publicou um texto longo no Instagram, em inglês. Não era o tipo de mensagem protocolar de atleta satisfeito.


"O maior momento da minha vida. Não há palavras para descrever. Tudo valeu para conquistar esse título. Onze anos longe, sozinho, perseguindo um sonho que muitos chamavam de loucura. Só Deus esteve ao meu lado o tempo todo", escreveu, em tradução do original em inglês.


E completou: "Não conseguiria vencer se não fosse Ele. Estava comigo em cada partida, em todos os oito match points que salvei, me dizendo: 'você ainda não terminou'. Minha família, meu pai que acredita em mim mais do que eu mesmo. Meus amigos, namorada, meu pastor Artur Pereira, que está sempre lá por mim, e o técnico Patrick Daciek, que acreditou em mim."


O trecho mais revelador do post veio depois: "Para quem não sabe, eu trato o tênis como segundo emprego e trabalho em período integral. Tentar equilibrar os dois é definitivamente a coisa mais difícil do mundo."


De Belém à NCAA

Almeida é do Pará e foi para os Estados Unidos ainda adolescente, há onze anos. Primeiro pela Virginia Commonwealth University, onde passou duas temporadas (2021-23): foi eleito o melhor novato da Atlantic 10 em 2021-22 e integrou o segundo time All-Conference na temporada seguinte, ajudando o VCU a conquistar dois títulos consecutivos da conferência. Depois de um ano sem competir na NCAA, transferiu-se para a Liberty University, em Lynchburg, na Virgínia, onde é sênior na temporada 2025-26.


Seu irmão João Almeida também optou pelo tênis americano, como caminho profissional: é técnico universitário nos Estados Unidos desde 2021.


No circuito profissional, Almeida já havia acumulado títulos de duplas no ITF, incluindo no M15 de Santiago e no M25 de Trelew. Atualmente sem ranking, Joaquim recebe 15 pontos pelo título e voltará à lista da ATP após quase nove meses. O brasileiro deve aparecer entre os 1.050 melhores do mundo na atualização do dia 18 de maio, estabelecendo seu novo recorde pessoal. Ele tinha como melhor marca o 1.244º lugar de 2024 em simples e chegou ao top 800 de duplas no mesmo ano.


Há 11 anos longe de casa, segundo ele próprio, nunca faltou a Joaquim Almeida paciência para salvar um match point. O que faltava era este título.


Que seja o primeiro de muitos.

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