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Por que a vitória de Boscardin no quali de Roland Garros vale mais do que o placar indica

  • há 5 horas
  • 2 min de leitura

Pedro Boscardin jogou nesta segunda-feira sua primeira partida de quali em um Grand Slam e não desperdiçou a estreia: o catarinense de 23 anos derrubou o georgiano Nikoloz Basilashvili, nono cabeça de chave da fase classificatória de Roland Garros, por 7/6 (4) e 6/4, em Paris.


Homem comemorando em quadra de tênis, raquete na mão. Torcida ao fundo aplaude. Ele veste camiseta preta e boné cinza. Emoção intensa.
Pedro Boscardin (Arquivo: João Pires/Fotojump)

O resultado tem peso extra quando se olha para quem estava do outro lado da rede. Basilashvili, 34 anos e ex-número 16 do mundo, chegava embalado a Paris: furou o quali em Madri e em Roma, e na capital italiana avançou até a terceira rodada da chave principal, pelo caminho derrubando Ben Shelton, sexto colocado do ranking. Número 115º na ATP, o georgiano era cabeça de chave no quali por motivos concretos. Nada disso foi suficiente.


A chave da vitória não estava nos winners. Boscardin terminou a partida com apenas 15, contra 25 do adversário. Estava nos erros que não cometeu: 27 contra 38 do georgiano. Diante de alguém com mais poder ofensivo, o catarinense apostou na consistência. Funcionou.


O jogo ponto a ponto

O primeiro set seguiu equilibrado até Boscardin abrir 4/2 com uma quebra. Basilashvili buscou a igualdade, e os dois chegaram ao tiebreak sem trocar novos breaks. No decisivo, o brasileiro produziu o mini-break necessário e fechou em 7-4.


No segundo, o roteiro foi mais direto. Boscardin quebrou logo no primeiro game, confirmou o serviço, salvou três break-points no quarto jogo e ampliou para 5/2 com mais uma quebra. Basilashvili devolveu um dos breaks para 5/3, mas parou por aí. O brasileiro fechou em 6/4 e garantiu seu lugar na segunda rodada do quali.


O que essa vitória vale além do placar

Para um tenista na faixa dos 229º do ranking, como é o caso de Boscardin, uma vitória num Grand Slam tem uma dimensão que vai além do esportivo. O prize money de uma rodada em Paris pode representar boa parte do orçamento de uma temporada inteira. É esse contexto que costuma ficar de fora quando jogadores como Jannik Sinner e Aryna Sabalenka discutem publicamente a divisão da renda dos Grand Slams com o circuito: os mais diretamente impactados por cada rodada vencida ou perdida são exatamente os que não aparecem nas manchetes.


Próximo compromisso

Boscardin volta às quadras do classificatório para enfrentar o canadense Alexis Galarneau (194º), que venceu o argentino Alex Barrena (192º) de virada em três sets. O brasileiro precisa de mais duas vitórias para garantir uma vaga inédita na chave principal de Roland Garros.

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