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Primeiro fez história. Agora tem o diploma de História. Billie Jean King se forma aos 82 anos

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Billie Jean King subiu ao palco da Universidade Estadual da Califórnia, em Los Angeles, nesta semana para receber o diploma que havia deixado para trás em 1964: bacharel em História, iniciado três anos antes, quando ela ainda era uma estudante-atleta com um título de Wimbledon recém-conquistado e o tênis profissional batendo à porta.


Billie Jean King. Uma mulher com óculos roxos fala em um púlpito com o logo "California State University". Usa beca com "BJK B.A. History". Fundo dourado.
(Foto: Universidade Estadual da Califórnia)

Aos 82 anos, King encerrou um ciclo de mais de seis décadas. A motivação imediata foi prática: há pouco mais de um ano, ela descobriu que faltava apenas um semestre para terminar o curso. O restante foi determinação. "Voltei com um propósito. Tinha assuntos inacabados e é importante para mim terminar o que comecei. Gosto de concluir coisas. É como cumprimentar os outros na rede depois de uma partida", disse King em seu discurso.


Ela deixou o então chamado Los Angeles State College em 1964 para se dedicar ao tênis em tempo integral. O que veio depois está nos livros: 39 títulos de Grand Slam (12 de simples, 16 de duplas femininas e 11 de mistas), número 1 do mundo em seis anos diferentes entre 1966 e 1975, 129 títulos de simples na carreira, fundação da WTA, Medalha Presidencial da Liberdade, Medalha de Ouro do Congresso e uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Em 1987, entrou para o Hall da Fama individualmente. Em 2021, foi homenageada uma segunda vez como parte das Nove Originais, grupo que lançou o circuito feminino profissional.


Neste semestre, antes de receber o diploma, ela teve que escrever uma redação sobre o Título IX, a lei de 1972 que proíbe discriminação por sexo em instituições de ensino financiadas pelo governo americano, em cuja aprovação ela teve papel fundamental. Cumpriu a tarefa.


"É com grande orgulho e imensa gratidão que compartilho com vocês que me formei em História. Não existem palavras suficientes para expressar tudo o que estou sentindo neste momento, então direi simplesmente o seguinte: Nunca é tarde demais para aprender, crescer ou perseguir o sonho que ainda te chama silenciosamente. A vida tem o poder de redirecionar nossos caminhos e nos pedir para recomeçar quando menos esperamos. Mas o sonho não acaba só porque o tempo passou. Seja você jovem ou idoso, seus objetivos ainda valem a pena serem perseguidos", escreveu King em suas redes sociais.


O discurso

Vestindo uma estola dourada com as palavras "estudante-atleta" e "G.O.A.T." (Greatest Of All Time), King discursou para a plateia mantendo o foco em uma vida dedicada à igualdade. O impulso, disse ela, veio de seus próprios primeiros anos naquela universidade, quando viu atletas homens receberem bolsas enquanto as mulheres pagavam pelos próprios estudos. "Nunca entenderemos a inclusão a menos que tenhamos sido excluídos", afirmou.



Ela foi mais fundo. Lembrou que, quando ela e suas contemporâneas lutaram para transformar o tênis em um circuito profissional, as jogadoras sobreviviam com apenas US$ 14 por dia. Seu primeiro título de duplas em Wimbledon, em 1961, não lhe rendeu dinheiro: apenas um vale-presente de uma loja local. E contou como, aos 12 anos, sentada em um clube de tênis, notou que todas as jogadoras eram brancas e fez a pergunta que definiria sua trajetória: "Onde estão todos as outras?"


A presidente da Cal State LA, Berenecea Johnson Eanes, resumiu o momento: "A história dela é um poderoso lembrete para cada aluno aqui hoje, e para as gerações futuras de Golden Eagles, de que determinação, resiliência e aprendizado contínuo podem nos levar mais longe do que jamais imaginamos."


King terminou o discurso como King. Quando um bebê começou a chorar no balcão, ela parou, olhou para cima e perguntou: "É tão ruim assim?". A plateia riu. Depois, liderou o público em um coro de "¡Sí se puede!" e lançou bolas de tênis autografadas do palco antes de finalmente receber o diploma.


(O coro em espanhol não foi por acaso. A Cal State LA tem uma das maiores populações hispânicas do sistema universitário da Califórnia, e mais de 70% dos alunos são latinos. "¡Sí se puede!" é um grito enraizado na cultura ativista americana, vem do movimento trabalhista de Cesar Chavez nos anos 1970, e é tão americano quanto californiano naquele ambiente).


Billie Jean King demonstra novamente que, sim, é possível.


Fez o cumprimento na rede, mais uma vez, agora depois de 62 anos.



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