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Procopio entra para o Hall da Fama do tênis brasileiro como primeiro laureado definitivo

  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Alcides Procopio (1916-2002) se tornou o primeiro nome a ser definitivamente consagrado no Hall da Fama do tênis brasileiro no último domingo, em cerimônia realizada na Sociedade Harmonia de Tênis, em São Paulo, durante a rodada final do Roland Garros Juniors Series.


Um grupo de pessoas em uma quadra de tênis posa ao lado de fotos e um cartaz com o texto "Instituto Tênis Brasileiro". Sol e vegetação ao fundo.
(Foto: Odeval Menezes/MTB)

A placa foi entregue pelo curador do Hall da Fama, Luiz Mattar, e pelo diretor de Desenvolvimento Internacional de Roland Garros, Aymeric Labaste, para a família de Procopio, representada por Suzana e Wilton Carvalho. "Ele foi um fera, um visionário. Agradeço muito ao MTB pela homenagem para minha família, um lugar em que o tênis faz parte do dia a dia", disse Suzana Procopio Carvalho.


Faz sentido que tudo tenha acontecido aqui, neste clube. Procopio aprendeu a jogar nas quadras do próprio Harmonia, esperando que alguém se cansasse para pedir uma raquete emprestada. Com 17 anos, já era considerado o melhor tenista do país.


Em 1937, foi o primeiro brasileiro a vencer um torneio no exterior, no Aberto do Rio da Prata. Em 1939, avançou à terceira rodada de Wimbledon, feito inédito para um brasileiro num Grand Slam. Defendeu o Brasil na Copa Davis em 1951, enfrentou a França na quadra central de Roland Garros e chegou a jogar duplas ao lado do Rei Gustavo, da Suécia.


"Nasci aqui no clube e Procopio sempre foi um ícone para todos nós", afirmou Mattar.


"Teve duas marcas: a direita, que todo mundo queria imitar, sua marca registrada, e um sorriso permanente. Foi um exemplo para nossos tenistas."

Depois das quadras, construiu tudo de novo, fora delas. Fundou a loja Procopio e as famosas raquetes Davis Cup, promoveu grandes eventos trazendo os principais nomes do circuito internacional ao país e presidiu a Federação Paulista de Tênis por 19 anos. Foi um dos pilares da fundação da Confederação Brasileira de Tênis.


Em 1969, criou o Banana Bowl, torneio juvenil que se tornaria um dos mais importantes do calendário mundial e que, nas décadas seguintes, teria como participantes McEnroe, Lendl, Kuerten, Sabatini e Roddick, entre muitos outros, antes de chegarem ao topo do circuito. Paulo Cleto, curador da Biblioteca do MTB, resumiu com precisão:


"Ele não se satisfez apenas em ser um tenista de prato cheio. Empreendeu em todos os campos."

Pessoa sorrindo segura um troféu e uma placa em uma quadra de tênis. Veste chapéu branco e óculos escuros. Público em segundo plano.
Suzana Procopio Carvalho (Foto: Divulgação)

O Memorial e os próximos homenageados

O Memorial Tênis Brasileiro, que instituiu o Hall da Fama no ano passado, já havia feito seis indicações antes deste domingo, sem ter realizado ainda uma consagração formal. As nomeações anteriores contemplaram o time pioneiro da Copa Davis de 1932 e Sofia de Abreu, durante o SP Open, e Ronald Barnes, Paulo da Silva Costa e Ingrid Metzner, durante o Rio Open. Novas nomeações estão previstas para ainda neste primeiro semestre.


A entidade tem o apoio oficial do Rio Open (ATP 500), da Confederação Brasileira de Tênis e da Federação Paulista, conta com cerca de 400 colaboradores em todo o país e tem Thomaz Koch como presidente de honra. "A meta principal agora é a sede própria, que abrigará a Biblioteca e o Museu, este sob curadoria de Carlos Kirmayr", explica Walmor Elias, mentor e atual presidente do Memorial.


Quem foi Alcides Procopio

Filho de imigrantes italianos, Alcides Procopio nasceu em 15 de maio de 1916 em São Paulo e cresceu à sombra das quadras da Sociedade Harmonia, onde o pai arrendava o bar. Praticava com pedaços de madeira enquanto esperava que algum tenista cansado se dignasse a emprestar a raquete. "Ninguém me ensinou nada, aprendi só olhando", dizia. Com 17 anos, já era considerado o melhor do país. Acumulou mais de 500 troféus e medalhas ao longo da carreira.


Homem jogando tênis em quadra aberta, vestindo branco. Dois árbitros sentados atrás, em cadeiras. Fundo com cerca e vegetação. Atmosfera clássica.
Alcides Procópio (Arquivo Família Procópio)

A viagem à Europa, em 1938, foi financiada de porta em porta, com um livro de ouro e o apoio da família Vargas, da prefeitura e do governo paulista. Em Wimbledon, o prêmio vinha em vale-compras, que ele vendia pela metade do valor para ter dinheiro vivo. De volta ao Brasil, forçado pelo avanço da Segunda Guerra, foi trabalhar como vendedor de seguros, onde bateu recordes por quatro anos seguidos. Em 1945, comprou a Franchini, pioneira na fabricação de raquetes no país, e anos depois adquiriu a fábrica inteira, que chegou a ter quase 200 funcionários. A Procopio Esportes nasceu em 1953 e produziu o modelo Davis Cup, a raquete nacional mais popular de sua geração.



Dentro das quadras, parou de competir em 1942, voltou em 1945 para ganhar o Campeonato Brasileiro sobre Maneco Fernandes e ainda disputou a Copa Davis aos 40 anos, ao lado de Armando Vieira e Roberto Cardoso. Presidiu a Federação Paulista de Tênis e foi um dos fundadores da Confederação Brasileira, criada em reação à desorganização da CBD. Em 1969, lançou o Banana Bowl, inspirado no norte-americano Orange Bowl. Jogou tênis até perto dos 80 anos. Faleceu em 23 de dezembro de 2002, vítima de um derrame.

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