Resultados dentro e fora das quadras faz Madri ferver neste fim de semana
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Madri viveu uma sexta-feira de muito tênis. Dentro, e fora das quadras. Um dia cheio. Vários fios. Todos conectados.
João Fonseca avançou à terceira rodada do Masters 1000 da capital espanhola sem precisar entrar em quadra, beneficiado pela desistência do croata Marin Cilic por intoxicação alimentar.
Mas foi o anúncio de outra desistência que dominou o dia: o espanhol Carlos Alcaraz comunicou que não disputará Roma nem Roland Garros. No final da tarde, outro espanhol, Rafael Jodar, resolveu a questão do adversário de Fonseca no domingo de forma categórica: eliminou Alex de Minaur por 6/3 e 6/1, colocando a torcida de um país em um carrossel de emoções.

A intoxicação de Cilic
Marin Cilic havia chegado à segunda rodada após vencer o belga Zizou Bergs por 4/6, 6/3 e 6/4 na estreia. Mas passou a madrugada mal, e a partida contra o brasileiro acabou antes de começar. O croata explicou o motivo em suas redes sociais:
"Infelizmente, tive uma intoxicação alimentar ontem. Depois de tentar recuperar a noite toda, meu corpo está infelizmente exausto e não está no nível adequado para entrar na batalha. Peço desculpas a todos os fãs que estavam esperando para assistir a partida. Estava tão animada por estar de volta a Madri. Gracias a todos pelo apoio. Boa sorte ao João Fonseca, e espero que tenhamos a chance de jogar em algum lugar novamente!"
Cilic tem 37 anos, ocupa o 51º lugar do ranking e carrega uma história de respeito: 21 títulos de simples, o US Open de 2014, e finais em Wimbledon (2017) e no Australian Open (2018). Fonseca soube da retirada a caminho do estádio.
"Uma pena não poder jogar contra uma lenda do nosso tênis, que já foi campeão de Grand Slam e número 3 do mundo", disse o carioca de 19 anos, em entrevista à ESPN. "Já havia treinado hoje de manhã e aquecido bem e feito toda a minha a rotina. Recebi a notícia vindo para cá, desejo tudo de melhor para ele."
Não desperdiçou o dia. "Felizmente, consegui uma quadra para dar um gás a mais. E amanhã é mais um dia que eu consigo treinar. Agora é focar na terceira rodada", acrescentou o número 31 do mundo, que com a campanha atual sobe momentaneamente mais duas posições no ranking.
É a primeira vez que Fonseca passa da segunda rodada em Madri, torneio em que participa pela terceira vez. Em 2024, caiu para Cameron Norrie. Em 2025, para Tommy Paul. Desta vez, sequer precisou jogar. Cabeça de chave número 28 nesta edição, o brasileiro também alcançou as quartas de final em Indian Wells e em Monte Carlo nesta temporada.
A sombra de Alcaraz
O WO de Cilic, no entanto, foi só o primeiro episódio do dia. A notícia que o tênis mundial menos queria ouvir chegou horas depois: Carlos Alcaraz confirmou que não disputará o Masters 1000 de Roma nem Roland Garros.
A lesão no punho direito começou durante a vitória sobre o finlandês Otto Virtanen no ATP 500 de Barcelona. Alcaraz chamou o fisioterapeuta quando o placar marcava 5/4 no primeiro set, continuou jogando apesar do desconforto, mas os exames revelaram um quadro mais grave que o esperado.
"Depois dos resultados dos exames realizados hoje, decidimos que o mais prudente é ser cautelosos e não participar em Roma e Roland Garros, aguardando avaliar a evolução para decidir quando voltaremos à quadra", escreveu em suas redes sociais. Há informações de que sofre de inflamação no tendão, com tala de proteção no punho que o impede até de treinar. O retorno não tem data.
A doze dias de completar 23 anos, Alcaraz não estará em Paris pela primeira vez desde 2021. Bicampeão consecutivo em Roland Garros, onde no ano passado protagonizou uma das finais mais épicas do slam parisiense, diante de Jannik Sinner, o espanhol abre mão da chance de buscar o tricampeonato. Para o ranking, o distanciamento de Sinner na liderança da ATP fica como consequência menor. O que dói de verdade é o vazio numa chave onde, nos últimos dois anos, Alcaraz competiu num plano diferente de todos.
Sinner e Nadal lamentam
Jannik Sinner estava na coletiva após uma estreia trabalhosa — venceu o francês vindo do quali Benjamin Bonzi por 6/7 (6-8), 6/1 e 6/4, e enfrenta o dinamarquês Elmer Moller em duelo inédito no circuito — quando a pergunta sobre Alcaraz chegou. O número 1 do mundo não hesitou:
"O mais importante é que ele volte o quanto antes. Obviamente, com essa notícia algumas coisas mudam. Ele fará muita falta neste período, especialmente para mim, claro. Mas há outros jogadores muito difíceis de vencer."
O italiano foi além. "O tênis precisa do Carlos. O esporte fica muito melhor quando ele está presente. Pessoalmente, é bonito quando ele está na chave, porque faz você ver as partidas de outra maneira. Normalmente nos encontramos em finais, então é estranho", afirmou. E sobre a volta: "Acho que é bom que ele e sua equipe tomem o tempo necessário. Se você volta cedo, pode piorar depois. Todos queremos vê-lo competitivo. Imagino que o próximo objetivo dele seja Wimbledon e espero que ele esteja lá."
Sobre a própria estreia, Sinner reconheceu as dificuldades sem drama: "Não foi surpresa. Os primeiros jogos são muito complicados, especialmente aqui em Madri, com condições adversas. Estou satisfeito por ter virado a partida e mentalmente não foi fácil hoje. Se quero ir longe, preciso elevar o nível."
Rafael Nadal também se manifestou. O ganhador de 22 títulos de Grand Slam, 14 deles em Roland Garros, conhece o roteiro das lesões melhor do que gostaria.
"Tudo de bom, Carlos! Espero que você se recupere o mais rápido possível. Esses momentos difíceis destacam tudo o que você está fazendo. Força e um grande abraço!", publicou.
Jodar brilha em casa
Enquanto o tênis espanhol ainda processava a notícia sobre Alcaraz, Rafael Jodar tratou de mudar o assunto. O jovem madrilenho de 19 anos desmontou Alex de Minaur, oitavo cabeça de chave, por 6/3 e 6/1 em apenas 1h15. E garantiu a vaga no confronto com Fonseca no domingo.
Os números foram de outra categoria. Jodar acumulou 14 winners contra apenas 1 de De Minaur. Criou 13 chances de quebra e converteu seis. A estratégia foi clara: bolas muito profundas sobre o australiano, que não tem saque de destaque e, portanto, sofreu em cada devolução. Executada com frieza, não com sorte.
A vitória é a primeira da carreira de Jodar contra um top 10, depois de ter perdido para Taylor Fritz em Delray Beach. O convidado da casa já havia jogado na quarta-feira — estreia difícil contra o holandês Jesper de Jong, com derrota no primeiro set e virada, cheia de emoção ponto a ponto.
Madri tem altitude e tempo seco, o que acelera a bola e torna a adaptação uma exigência real. A tarde desta sexta ilustrou o ponto: Shelton sequer passou da primeira partida, Arthur Fils precisou de virada para avançar, Andrey Rublev se despediu e até Sinner cedeu um set para um atleta do qualificatório.
Jodar venceu em sets diretos, com autoridade. A trajetória do espanhol nesta temporada é de manual de ascensão rápida. Iniciou 2026 como 165º do ranking mundial. Venceu seu primeiro título no circuito profissional em Marrakech. Chegou à semifinal de Barcelona, onde só parou no eventual campeão Fils.
Alcançou o 42º posto oficial, tornando-se o mais jovem no top 50 — o segundo nascido em 2006 ou depois a figurar nessa faixa, logo após o próprio Fonseca. Na lista provisória após a vitória desta sexta, aparece como 36º. Mede 1,91m, três centímetros a mais que o carioca. Bate com firmeza de fundo, cobre bem a quadra horizontalmente. Mas, é verdade, não corre tão bem para a frente.
Grandes amigos
Fonseca foi direto ao falar do adversário do domingo. "Ele é um grande amigo meu, da minha idade. Tem jogado um belíssimo nível de tênis contra os melhores do mundo, competindo muito bem e crescendo cada vez mais", disse.
O confronto é inédito em qualquer nível — ATP ou juvenil. Dois de 19 anos, dois em alta, duas esperanças para o tênis de seus países. Um jogando em casa, com entusiasmo de uma cidade que viu Nadal dominar esse mesmo saibro durante anos. E que anseia melhores notícias depois do infortúnio de Carlitos. O outro vindo de quartas em Indian Wells, Monte Carlo e Munique nesta temporada, ainda em busca de consolidar o saibro como superfície de resultado consistente, e afastar quaisquer dúvidas, se é que ainda restam, sobre seu valor.
Quem avançar enfrenta nas oitavas o tcheco Vit Kopriva ou o francês Arthur Rinderknech.
O domingo promete.
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