Rio Open anuncia mudanças para 2027
O Rio Open confirmou, nesta terça-feira, a mudança de local da quadra central do torneio e o aumento de capacidade da arena principal e da Quadra 1, decisões que passam a valer já na edição de 2027 do ATP 500 carioca, disputado no Jockey Club Brasileiro.

O anúncio oficializa um plano que havia sido revelado em primeira mão em fevereiro pelo blog Saque e Voleio, do UOL. Na época, o projeto ainda tramitava como negociação entre o torneio e o Jockey. Agora, vira decisão fechada.
O novo desenho da estrutura tem a Quadra Guga Kuerten como carro-chefe: ela passa a comportar 9.500 pessoas, aumento de 54% em relação à capacidade atual. A Quadra 1 chega a 2.500 lugares. Ampliam-se ainda a Quadra 2, com 400 lugares, e a Quadra 3, agora com 200. Para um torneio que é o único evento do circuito ATP no Brasil e o maior da América do Sul, ampliar assento é também ampliar receita, patrocínio e poder de barganha para trazer nomes de peso ao saibro carioca.
Da pista de corrida para dentro do jogo
A Quadra Guga Kuerten deixa o local onde funciona hoje e passa a ser erguida no Pião do Prado, área situada no centro da pista de corrida de cavalos do Jockey, hoje usada para eventos culturais ao longo do ano. O torneio permanece no mesmo endereço, mas muda de perímetro dentro dele.

A demanda por ingressos já vinha pressionando a organização havia tempo. "Não é um plano que a gente começou ontem", afirmou o diretor do torneio, Luiz Procopio Carvalho, em fevereiro, ao comentar os estudos de expansão.
Mais que quadras, um novo complexo
A ampliação não se resume ao espaço de jogo. O Rio Open ganha uma área de gastronomia exclusiva, e a Praça Rio Open, ponto de encontro do público entre uma partida e outra, também cresce. A área destinada aos patrocinadores igualmente será maior, com mais estrutura para ativações de marca.
A dimensão do torneio como plataforma de negócios ajuda a explicar o investimento. Em 2026, o Rio Open bateu recorde de 44 patrocinadores e recebeu 334 jornalistas credenciados, sendo 33 estrangeiros. A cobertura chegou a mais de 180 países, com 54 horas de conteúdo no SporTV e 32 horas no Globoplay.
Para Andrea Gaudenzi, presidente da ATP, a expansão dialoga com o momento do circuito:
"Este é um investimento significativo no futuro do Rio Open e exatamente o tipo de ambição que impulsiona o nosso esporte. Uma infraestrutura de nível mundial é fundamental para elevar os padrões do ATP Tour e proporcionar a melhor experiência possível para jogadores e fãs. Parabéns a toda a equipe do Rio pela visão e pelo compromisso em continuar elevando o nível do torneio."
Saibro segue, piso duro é discussão à parte
A mudança estrutural não deve ser confundida com outra pauta que corre em paralelo nos bastidores do torneio: a possível troca do piso de disputa, hoje saibro, para quadra dura. Ainda no início do ano, ao comentar o assunto, Carvalho separou os dois debates.
"São duas coisas independentes. O evento no saibro já vinha outgrowing, crescendo mesmo na dificuldade de trazer estrelas internacionais. Já era um plano que vinha sendo feito. Em paralelo, a gente vem trabalhando há seis, sete anos para mudar o piso do Rio Open porque a gente enxerga que é um movimento que deve ser feito para poder destravar essa questão dos jogadores. Até hoje, o evento vai continuar no saibro. Não vejo como isso mudar para 2027, e a gente vai continuar trabalhando para conseguir as duas coisas", disse Carvalho na ocasião.
A lógica por trás da negociação pelo piso duro é conhecida no circuito: boa parte dos tenistas de elite evita sair do piso sintético do Australian Open para enfrentar o saibro sul-americano, preferindo torneios europeus disputados em quadra dura antes dos Masters 1000 de Indian Wells e Miami, também jogados em piso sintético.
A geração que ajudou a lotar o Jockey
O crescimento do Rio Open acompanha o momento do tênis brasileiro, puxado pela ascensão de João Fonseca. Nas duplas, o país vive uma sequência inédita: pelo terceiro ano seguido, um brasileiro venceu a chave, com Rafael Matos campeão em 2024 (ao lado do colombiano Nicolás Barrientos) e em 2025 (com Marcelo Melo), e Melo bicampeão em 2026, desta vez ao lado do próprio Fonseca, diante da torcida carioca.
"O Rio Open nasceu do sonho de ter no Brasil um grande torneio de tênis que inspirasse a formação de novos atletas e ajudasse a estimular a prática do esporte. E esse sonho se concretizou. O Brasil hoje tem João Fonseca como destaque no tênis mundial, e um crescente número de praticantes e de fãs do esporte. Foi esse crescente interesse dos brasileiros pelo tênis que nos inspirou a buscar um espaço maior para o Rio Open. Ao entregar essa nova estrutura, Queremos que mais pessoas possam se inspirar com grandes atletas e grandes jogos, e ter uma experiência inesquecível", disse Marcia Casz
Data, local e o que vem a seguir
A 13ª edição do Rio Open já está marcada no calendário da ATP para os dias 15 a 21 de fevereiro de 2027, mesmo endereço de sempre, agora com promessa de arquibancadas maiores para receber o público que, ano após ano, lota o Jockey.
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