Rybakina dá o troco em Sabalenka e conquista o Australian Open
- Raphael Favilla

- há 4 dias
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No duelo mais recorrente e simbólico da atual geração do tênis feminino, Elena Rybakina confirmou sua força mental, técnica e competitiva para controlar o ímpeto da número 1 do mundo Aryna Sabalenka e conquistar, neste sábado, o título do Australian Open de 2026. A cazaque venceu a final em três sets, com parciais de 6/4, 4/6 e 6/4, após 2h18 de uma batalha intensa, levantando assim o segundo troféu de Grand Slam da carreira, quatro anos depois do histórico título em Wimbledon, em 2022.
Disputando sua terceira final de Slam, Rybakina mostrou maturidade e sangue-frio nos momentos decisivos para repetir o feito em um palco completamente diferente. Aos 26 anos, ela se junta a um seleto grupo de campeãs recentes do Australian Open e leva para casa uma premiação de quase US$ 2,8 milhões, enquanto Sabalenka, vice-campeã pela segunda vez consecutiva em Melbourne, recebe aproximadamente US$ 1,5 milhão.
A campanha da cazaque também entra para a história do torneio. Rybakina se tornou a primeira campeã do Australian Open a derrotar três jogadoras do top 10 em sua trajetória desde Naomi Osaka, em 2019, superando Iga Swiatek nas quartas de final, Jessica Pegula na semifinal e Sabalenka na decisão. Além disso, é apenas a terceira tenista nos últimos 10 anos a conquistar o primeiro Slam da temporada logo após vencer o WTA Finals do ano anterior, reforçando a consistência de seu momento técnico.
A vitória deste sábado ainda ampliou um dado impressionante: Rybakina soma agora nove vitórias contra líderes do ranking mundial, ficando atrás apenas de Venus Williams (15) entre as jogadoras em atividade. Ela também passa a ostentar o melhor aproveitamento contra números 1 do mundo (60%) entre atletas com pelo menos cinco confrontos desse tipo, um indicativo claro de que cresce justamente nos maiores palcos.

O primeiro set foi praticamente definido logo no game inicial, que se mostrou decisivo para o rumo da parcial. Sabalenka abriu 30-0 com o saque, mas Rybakina respondeu com devoluções profundas e agressivas, criou dois break-points e converteu o segundo. A partir dali, confirmou de zero, abriu 2/0 e passou a administrar a vantagem com solidez. O momento mais delicado veio no oitavo game, quando saiu de 15-40, salvou dois break-points e manteve a dianteira. Pouco depois, fechou o set e deu o primeiro passo rumo ao título.
Sabalenka, que já vinha melhorando desde o fim da parcial inicial, elevou ainda mais o nível no segundo set. Mais agressiva, passou a pressionar o saque da rival e teve chances logo no segundo game, mas Rybakina resistiu após 10 minutos de disputa e três break-points contra. O equilíbrio persistiu até o momento-chave: no último game da parcial, a cazaque oscilou, encarou um difícil 0-40 e viu a líder do ranking aproveitar a primeira oportunidade para fechar o set e levar a decisão para o terceiro.
O set decisivo começou com domínio de Sabalenka. A bielorrussa quebrou no segundo game, salvou um break-point no terceiro e abriu rapidamente 3/0, dando a impressão de que tomaria o controle definitivo da final. Foi então que veio o ponto de virada da partida. Rybakina reagiu com autoridade, venceu cinco games consecutivos, devolveu a quebra no quinto game, salvou mais um break-point no sexto e voltou a pressionar o saque da rival no sétimo, conseguindo nova quebra. Mesmo com Sabalenka lutando até o fim, a cazaque fechou o jogo com um ace no match-point, selando uma virada emblemática.
No discurso em quadra, Sabalenka, apesar da frustração evidente pela segunda derrota consecutiva em finais do Australian Open, adotou um tom leve e esportivo. “Estou sem palavras. Quero parabenizar Elena pelo seu grande tênis, você e seu time conseguiram um grande título”, disse a número 1 do mundo, que foi campeã em Melbourne em 2023 e 2024. A bielorrussa agradeceu à organização e brincou com o revés: “Espero que ano que vem possa ser melhor para mim”. Também fez questão de citar sua equipe e o diretor do torneio, Craig Tiley, encerrando com bom humor e elegância.
Já Rybakina, emocionada, destacou o peso do momento. “É difícil encontrar palavras agora. Quero parabenizar Aryna pelos enormes resultados nos últimos anos e espero que possamos nos encontrar em outras finais”, afirmou. Ela agradeceu ao público, à Tennis Australia, aos patrocinadores, à federação cazaque e, principalmente, à sua equipe. Atual número 5 do mundo, a campeã subirá para o terceiro lugar do ranking com o título. “Sem vocês isso não seria possível. Espero que continuemos vencendo neste ano”, completou.
Na coletiva de imprensa, Rybakina reforçou que nunca deixou de acreditar em seu retorno ao topo. “Sempre acreditei que poderia voltar ao meu nível. Todos nós temos altos e baixos, mas tudo se resume a trabalho duro”, disse. Ela comparou a conquista na Austrália com Wimbledon 2022, lembrando o nervosismo extremo de sua primeira final de Slam. Desta vez, a experiência fez diferença. “Aqui consegui dormir bem, estava concentrada e não tão estressada”, explicou.
A cazaque também destacou o papel do técnico Stefano Vukov e de toda a equipe, lembrando que a pré-temporada teve dificuldades. “Tivemos altos e baixos, inclusive no início do ano, mas nos preparamos bem”. Com o título, ela se coloca novamente como forte candidata a desafiar a hegemonia recente de Sabalenka e Iga Swiatek no topo do ranking. “São adversárias difíceis e consistentes, mas estou feliz por estar de volta a este nível”, afirmou.
Sabalenka, por sua vez, fez uma análise honesta da derrota. Lamentou a perda de agressividade após abrir vantagem no terceiro set. “Talvez eu devesse ter sido mais agressiva no saque, sabendo que tinha uma quebra. Cometi alguns erros não forçados dos quais me arrependo”, avaliou. Ainda assim, tentou extrair lições do revés. “Você perde hoje, você ganha amanhã. Sinto que estou no caminho certo”.
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