Sorteio coloca João Fonseca no caminho do bicampeão em Melbourne
- Raphael Favilla

- 15 de jan.
- 3 min de leitura
O sorteio da chave masculina do Australian Open colocou João Fonseca novamente no centro das atenções. Cabeça de chave número 28 e último a ser posicionado no quadro, o jovem carioca teve uma estreia considerada acessível, mas com um roteiro que pode ganhar contornos pesados rapidamente, incluindo um possível duelo contra o bicampeão Jannik Sinner já na terceira rodada.

Fonseca abre campanha contra o norte-americano Eliot Spizzirri, de 24 anos e atual 89º do mundo, tenista que vive o melhor momento da carreira após passagem pelo circuito universitário dos Estados Unidos. Os dois já se enfrentaram uma vez, na última rodada do quali do US Open de 2024, quando Spizzirri levou a melhor em um jogo duríssimo, decidido em três sets e dois tiebreaks. Ainda assim, o cenário agora é distinto, com o brasileiro mais rodado, mais confiante e protegido pelo status de cabeça de chave.
Se confirmar o favoritismo na estreia, Fonseca enfrenta na segunda rodada o chinês vindo do quali Wu Yibing ou o italiano Luca Nardi, abrindo caminho real para alcançar a terceira rodada. É justamente aí que surge o grande ponto de interrogação da chave: Jannik Sinner, atual número 2 do mundo e campeão das duas últimas edições do torneio.
Um eventual encontro com o italiano colocaria Fonseca diante do maior desafio de sua curta carreira em Grand Slams. Até hoje, o brasileiro enfrentou apenas dois jogadores do top 5 e jamais venceu alguém acima do quinto lugar do ranking. Sua única vitória sobre um top 10 foi justamente no Australian Open do ano passado, quando surpreendeu Andrey Rublev na estreia, em um dos resultados mais marcantes do torneio.
Fonseca defende pontos pela primeira vez em Melbourne
Apesar das dúvidas sobre sua condição física — Fonseca desistiu dos dois primeiros torneios de 2026 por conta de problemas crônicos nas costas, o carioca chega a Melbourne mantendo um dado relevante: nunca perdeu na estreia de um Grand Slam, sempre avançando ao menos até a segunda rodada.
Enquanto conhecia sua chave, Fonseca também tratava de ajustar os últimos detalhes fora dela. O brasileiro treinou na Kia Arena com Cruz Hewitt, filho do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, e falou abertamente sobre o novo momento da carreira. Agora consolidado entre os melhores do circuito, ele reconhece que esta temporada trará um desafio inédito: defender pontos e lidar com mais pressão.
Em entrevista ao The Observer, o jovem carioca fez uma breve análise de seu desempenho no ano passado e falou sobre os obstáculos na nova temporada. “É muito diferente. Agora estou entre os melhores do mundo e a maioria dos jogadores me conhece”, comentou.
“Nunca na minha carreira tive um ano em que precisei defender pontos. Eu sempre estive progredindo e jogando contra jogadores de ranking inferior. Eu sempre fui o azarão, o mais jovem, com alguma experiência, e jogando o meu melhor”, acrescentou Fonseca.
“Vou jogar com um pouco mais de pressão. Vai ser divertido e uma experiência nova, mas estou jogando bem e confiante, então vamos dar tudo e jogar o nosso melhor”, completou.
A expectativa em torno de Fonseca também cresce fora do Brasil. Para o francês Arnaud Di Pasquale, medalhista olímpico e ex-top 40, o carioca é o nome mais próximo de alcançar o nível de Alcaraz e Sinner nos próximos anos.
“Ele tem o tênis do futuro, uma potência impressionante e uma aura especial. Se eu tivesse que projetar, acho que pode terminar 2026 no top 10”, avaliou o comentarista do Eurosport.
Sinner tem caminho mais complicado do que Alcaraz
O possível duelo entre Fonseca e Sinner ganha ainda mais peso ao observar o contexto da chave do italiano. O bicampeão caiu em um quadrante duro, que também abriga Novak Djokovic, Lorenzo Musetti e Ben Shelton. Antes disso, pode enfrentar Karen Khachanov nas oitavas, enquanto Djokovic surge como ameaça real nas quartas de final.
No outro lado da chave, Carlos Alcaraz, cabeça de chave número 1, teve um caminho consideravelmente mais suave. O espanhol estreia contra o australiano Adam Walton e só deve encontrar resistência real a partir das quartas, com nomes como Alex de Minaur, Frances Tiafoe ou Alexander Bublik. Uma semifinal contra Alexander Zverev, atual vice-campeão, aparece como o primeiro grande teste para o líder do ranking.
No sorteio também estavam presentes vários nomes da nova geração vindos do quali, como Nicolai Kjaer, Rafael Jodar, Rei Sakamoto e Nishesh Basavareddy, reforçando a renovação gradual do circuito. Alguns sul-americanos, porém, ficaram pelo caminho, e o quali terminou sem representantes da região além dos já classificados.
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