Tratamento do “cotovelo do tenista” passa por atualização e muda conceitos tradicionais
- Da redação

- 7 de jan.
- 2 min de leitura
Durante muitos anos, o tratamento da dor no cotovelo, uma das lesões mais comuns entre tenistas amadores, seguiu um caminho praticamente padrão: gelo, alongamentos do punho e do antebraço e, muitas vezes, o uso de anti-inflamatórios. No entanto, avanços recentes da ciência vêm mudando de forma significativa essa abordagem.

Segundo a fisioterapeuta esportiva Silviane Vezzani, de Porto Alegre, com vasta experiência no tênis amador e profissional, as estratégias tradicionais já não refletem o que hoje se entende sobre as patologias dos tendões. “Como tudo tem uma evolução e principalmente porque a ciência em relação às patologias dos tendões avançaram bastante, as estratégias para o tratamento das lesões relacionadas aos tendões do cotovelo mudaram, e muito”, explica a especialista que, além da ATP (Associação de Tenistas Profissionais), trabalhou com a equipe brasileira na Copa Davis, atuando entre 1991 e 1998.
Novo nome, novo entendimento da lesão
A primeira mudança começa já na nomenclatura. A condição antes conhecida como epicondilite lateral do cotovelo, ou simplesmente cotovelo do tenista, passou a ser chamada oficialmente, desde 2019, de tendinopatia lateral do cotovelo.
A alteração não é apenas semântica. “Isto porque, a lesão não é inflamatória e sim degenerativa e com vários padrões entre as fases”, ressalta Silviane. Essa constatação ajuda a explicar por que o uso isolado de medicamentos anti-inflamatórios costuma apresentar resultados limitados. “Por isso que ao tomar anti-inflamatório, como terapia única, o resultado é muito pequeno”, completa.
Outro ponto que vem sendo revisto é a aplicação do gelo, prática quase automática entre atletas. De acordo com os estudos mais recentes, o gelo não deve mais ser utilizado em lesões crônicas, sendo indicado apenas em situações agudas e por um período curto.
“O gelo não deve mais ser usado nas lesões crônicas. Apenas nas lesões agudas e até 48 horas”, afirma a fisioterapeuta. Mesmo após treinos e jogos, a recomendação mudou. “Gelo no pós-treino e/ou jogo apenas se a dor for importante. Se não for, outras estratégias podem ser usadas”.
Alongamento: um hábito que pode piorar o quadro
Talvez uma das mudanças mais difíceis de serem assimiladas esteja relacionada ao alongamento. Apesar de amplamente difundido, inclusive por profissionais e conteúdos online, o alongamento do tendão lesionado pode ser prejudicial.
“Tendão não gosta de ser alongado”, alerta Silviane. Segundo ela, “as forças de compressão que causam o alongamento, principalmente prolongado, aumentam a patologia do tendão”. Embora essa prática possa gerar alívio momentâneo da dor, o efeito a longo prazo pode ser negativo. “Este tipo de abordagem pode até aliviar a dor por um certo tempo, mas o tendão em si está piorando”, explica.
Recuperação exige tempo e capacidade funcional
A reabilitação da tendinopatia lateral do cotovelo não é rápida. Em média, a regressão do quadro pode levar cerca de quatro meses, dependendo da gravidade e da adesão ao tratamento adequado.

Para Silviane, o foco vai muito além da simples ausência de dor. “O primeiro objetivo é diminuir a dor, mas o principal é restaurar a capacidade do tendão em voltar a absorver cargas como antes da lesão”. Por isso, ela reforça a importância da paciência durante o processo. “Não basta não ter dor, tem que ter capacidade”.
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Péssimo , fala que mudou e não explica o novo tratamento. Gelo não??? O que usar? Ex alongamento??? Até qdo?
Qdo iniciar fortalecimento?
Uma porcaria este comentário
vou parar de usar gelo agora rsrsrsrsrs
muito bom! obrigado pelos conhecimentos