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Um final de semana de jejuns encerrados

  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Bernard Tomic voltou a ser campeão de um challenger. Após oito anos de espera, o australiano faturou o título de Lincoln, no último domingo, ao virar sobre o estoniano Mark Lajal por 4/6, 7/6 (4) e 7/6 (3), recheando ainda mais um fim de semana repleto de improbabilidades e jejuns encerrados: Tsitsipas e Rublev tinham histórias parecidas para contar.


Tenista de camiseta branca apoia-se na rede de uma quadra ATP Challenger ao entardecer.
Bernard Tomic (Foto: Lincoln Challenger)

Aos 33 anos e ranqueado no 206º posto quando entrou na chave, Tomic chegou à decisão como azarão diante de Lajal, número 159 do mundo e 23 anos mais novo, e ainda assim salvou um match-point antes de fechar a partida, comemorando com um soco no ar, os braços erguidos e o sinal da cruz. Foi seu primeiro título de challenger desde 2018. De 2020 para cá, seu melhor ranking havia sido a 164ª colocação alcançada no ano passado, e ele chegou a despencar até o 825º posto em 2022, quando quase todo mundo dava sua carreira por encerrada.


"Achei que era meu último ano"

Nesses oito anos, Tomic se limitou a colecionar cinco títulos ITF, o maior deles o M25 de Chennai, em 2024. Em Lincoln, a taça veio com um efeito colateral inesperado: fez o australiano repensar a própria aposentadoria. "Bati numa parede... eu disse que este seria meu último ano, então acho que vou ter que reconsiderar algumas coisas agora", admitiu Tomic na cerimônia de premiação, em fala reproduzida pela imprensa australiana e europeia. Da final contra Lajal, ele resumiu: "Foi uma partida absurda. Ele é um baita jogador. Foi um bom espetáculo".


A última taça de maior porte de Tomic tinha um adversário ilustre na conta de vítima. Em 2018, no ATP 250 de Chengdu, o australiano salvou quatro match-points antes de bater o italiano Fabio Fognini na final e conquistar seu quarto título de nível ATP. Depois disso, foi só ladeira abaixo. Com o troféu de Lincoln, Bernard saltou 36 posições e aparece em 170º no ranking desta segunda-feira, sua melhor colocação desde setembro do ano passado. Nesta semana ele disputa o challenger 125 de Bloomfield Hills, onde estreia contra Tristan Boyer, e pode seguir subindo.


O recorte brasileiro

Durante quatorze anos, foi de Tomic o recorde do jogador mais jovem a alcançar a terceira rodada de Wimbledon na Era Aberta, marca de 2011, quando o australiano ainda era a grande promessa do tênis. O dono do posto mudou em julho de 2025: João Fonseca, ao vencer o norte-americano Jenson Brooksby, virou o mais jovem a chegar à mesma fase desde justamente Bernard Tomic.


Gstaad e o alívio de Tsitsipas

O australiano não estava sozinho na lista de reencontros com a taça. Na Suíça, o grego Stefanos Tsitsipas conquistou o ATP 250 de Gstaad ao superar o belga Raphael Collignon por 6/4, 6/7 (3-7) e 6/3, em 2h17. Foi seu primeiro título da temporada e o primeiro em mais de um ano: a última conquista havia sido em Dubai, em fevereiro de 2025, um jejum de pouco mais de 16 meses. No saibro, ele não levantava uma taça desde o Masters 1000 de Monte Carlo, em 2024. Tsitsipas soma agora 13 títulos e 18 vice-campeonatos no circuito, e se tornou o primeiro grego a vencer o torneio nos alpes suíços.


A campanha rendeu ao grego uma arrancada de 34 posições no ranking, a maior de todo o top 100 na semana. Ele havia saído do top 50 em abril e chegado a cair até o 88º posto; agora reaparece em 51º, à espreita do retorno à elite. "É uma sensação incrível. Sobrevivi a uma maratona, foi uma semana longa", disse Tsitsipas, que venceu em três sets todos os seus quatro últimos jogos no torneio. "Joguei partidas insanas nos últimos dias. Cada partida parecia interminável e, de alguma forma, consegui reverter a situação em todas elas e sair com a vitória."


O grego de 27 anos lidou com dores ao longo da semana e prometeu recompensa antes da temporada em quadra dura na América do Norte. "Hoje não poderia estar mais abençoado, não poderia estar mais feliz. Foi um esforço incrível da minha parte", comemorou. "Vou voltar para casa. Preciso de um ou dois dias de folga. Foi uma semana longa. Estou ansioso para tentar obter os melhores resultados possíveis nos EUA."


Rublev, quase 17 meses depois

O terceiro personagem do fim de semana foi o russo Andrey Rublev, campeão do ATP 250 de Bastad pela segunda vez. Cabeça de chave número 1, ele repetiu a conquista de 2023 ao não tomar conhecimento do italiano Luciano Darderi na final de domingo, fechando em 6/4 e 6/3 com apenas 77 minutos de jogo e encerrando uma espera de quase 17 meses. A vitória na decisão foi a sua 100ª no saibro, piso sobre o qual faturou seis dos 18 títulos de ATP que tem no currículo.


Rublev terminou a final com 87% (33/38) dos pontos ganhos com o primeiro saque e encerrou uma série negativa de cinco derrotas seguidas para adversários do top 20. Após um início hesitante, venceu cinco games consecutivos, saindo de 4/4 no primeiro set para abrir 3/0 no segundo. Foi sua segunda vitória em dois jogos contra Darderi, repetindo o que fizera no saibro de Hamburgo na temporada passada. Com o título, o russo ganhou duas posições e voltou ao top 15, assumindo o 14º lugar; Darderi, por não defender a conquista, caiu do 18º para o 21º posto e deixou o top 20. Rublev embolsou 93.175 euros e o italiano, 54.360.


O russo creditou parte do desfecho ao acaso. "Foi difícil porque as condições eram completamente diferentes. Hoje estava muito frio, nublado e a bola estava pesada", analisou. "Só que eu tive um pouco mais de sorte nos momentos importantes e consegui virar o jogo." Ele e Darderi seguem juntos: na próxima semana, ambos disputam o ATP 250 do Estoril.



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