Uma final 100% brasileira no Banana Bowl após 40 anos
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Gaspar vai ter final brasileira. Nauhany Silva atropelou Sol Larraya por 6/2 e 6/1 e Victória Barros superou Luna Cinalli por 6/4, 4/6 e 6/3 neste sábado, selando uma decisão que o Banana Bowl não via desde 1986: duas tenistas do Brasil se enfrentando pelo título.
O feito em si já seria suficiente para marcar a 56ª edição do torneio. Mas há mais uma camada: qualquer que seja o resultado no domingo, o Brasil terá uma campeã feminina pela primeira vez desde Roberta Burzagli, em 1991. Trinta e cinco anos de jejum encerrados antes mesmo de a bola ser sacada.

"É uma emoção incrível, não tenho palavras para descrever. Uma final em casa, com a torcida brasileira", disse Victória após a vitória. E então acrescentou o que talvez seja a frase do torneio: "Não era nem para eu estar aqui."
A potiguar de 16 anos abandonou o Australian Open em janeiro por lesão na panturrilha esquerda, logo depois da vitória na estreia. Voltou às quadras somente em março, levou uma surra no W15 de Hagetmau, na França, e chegou a Gaspar disputando apenas o terceiro torneio da temporada. O que fez aqui foi daqueles retornos que pedem uma explicação mais simples: "Tive muitos altos e baixos, mas foquei no presente e tentei me apoiar em todo momento. Treinei para isso, para estar nesse tipo de jogo, contra adversárias que me exigem muito. Conheço bem a Luna e jogo com ela desde pequenininha", completou.
Dois estilos, uma mesma conta
As duas semifinais mostraram caminhos diferentes para o mesmo destino. Naná foi cirúrgica. Depois de ceder a quebra inicial, assumiu o controle com a potência dos golpes de fundo e não largou mais. Venceu nove games consecutivos, abriu 4/0 no segundo set e, mesmo após a quebra de Larraya, pressionou o saque da argentina até fechar o placar. A 17ª do mundo saiu da quadra sem ter conseguido montar nenhum jogo consistente.
O jogo de Victória foi mais longo e mais tenso. A brasileira, número 12 do ranking, liderava por 4/1 no segundo set e viu a argentina Cinalli, 47ª, virar cinco games seguidos e empatar o confronto. A resposta veio no terceiro, com Victória recuperando o controle e vencendo com autoridade. A principal arma foram as curtinhas, usadas para quebrar o ritmo de Cinalli, que jogava recuada e apostava no spin alto.
A máquina chamada Naná
Nauhany chega à final com 20 vitórias seguidas no circuito juvenil. São dois títulos na sequência: o J300 de Santa Cruz, na Bolívia, onde derrotou a própria Larraya na decisão, o J300 da Brasil Juniors Cup em Porto Alegre, na semana passada, e agora a chance de fechar o hat-trick com o maior deles.

"Estou super feliz por ter chegado à final. É o meu primeiro J500, principalmente por ser aqui no Brasil, e fiz o meu melhor jogo da semana. A torcida me ajudou muito e espero que a Victória também ganhe para ter mais uma brasileira na final. Seria muito bom para o tênis brasileiro", disse Naná durante a entrevista em quadra, ainda antes de saber o resultado da semifinal seguinte.
O tênis brasileiro atendeu ao pedido.
O que está em jogo no domingo
A campeã recebe 500 pontos no ranking juvenil da ITF, com 350 para a vice. Victória Barros pode chegar ao oitavo lugar do mundo em caso de título. Nauhany Silva, que também disputa a final de duplas ao lado de Larraya, será top 15 independentemente do resultado em simples.
Será o primeiro confronto entre as duas no circuito juvenil de 18 anos da ITF. Quem ganhar chega ao lugar que nenhuma brasileira ocupa desde Burzagli, há 35 anos. A última finalista havia sido Roxane Vaisemberg, em 2006.
A final é neste domingo, às 10h (horário de Brasília), com entrada gratuita no Bela Vista Country Club e transmissão da ESPN no Disney+.
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