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A emocionante cerimônia de entrega de troféus a Fonseca e Melo

  • 22 de fev.
  • 4 min de leitura

Antes de pegar no troféu, Marcelo Melo pediu uma salva de palmas. Não para si. Tinha coisa mais urgente para fazer depois de um título do que comemorar: defender o parceiro.

João Fonseca e Marcelo Melo conquistaram o título de duplas do Rio Open neste domingo no Jockey Club Brasileiro, virando contra o holandês Robin Haase e o alemão Constantin Frantzen por 4/6, 6/3 e 10-8 no supertiebreak. Mas o que ficou da tarde na quadra Guga Kuerten foi muito além do placar.


Fonseca comemora com a família (Foto: Mariana Sá)
Fonseca comemora com a família (Foto: Mariana Sá)
A defesa de Melo na cerimônia

Já com o título no bolso e microfone na mão, Melo usou a cerimônia de premiação para ir direto ao ponto que lhe parecia mais importante. "Antes de agradecer, quero uma salva de palmas porque ele merece demais", disse o mineiro, endereçando as palavras ao carioca de 19 anos ao lado dele. O que veio a seguir foi o discurso de alguém que sabe exatamente o que é ser cobrado com expectativa sobre os ombros.


"Ao longo da minha carreira de duplas eu suportei muita pressão, sei o que ele está passando agora, é normal as pessoas falarem coisas que nos deixam chateados, mas não é na maldade viu, é na emoção. Você é muito especial, sei o quanto você está trabalhando, sei o quanto você quer entregar os resultados que todo mundo espera. Fique tranquilo, vai passo a passo que tenho certeza que você vai chegar lá", afirmou Melo.


E completou, apontando o dedo para o que aconteceu no supertiebreak: "Hoje foi mérito total dele, eu só acompanhei. O tie-break no 8 a 8, ele dá uma devolução e depois faz um ace. Isso mostra que a mentalidade dele é de campeão", disse o mineiro.


Palavra de quem sabe do que fala. Melo acumulou 41 títulos na carreira, passou oito temporadas consecutivas no top-10 e figurou na liderança do ranking de duplas por mais semanas do que qualquer outro brasileiro na história.


A promessa de Fonseca

Fonseca ouviu, recebeu o troféu e deu sua versão do recado à torcida. "Só tenho a agradecer ao Marcelo. Tenho uma história muito legal, mas ainda vou conquistar o torneio de simples do Rio Open", declarou o carioca na cerimônia.


A frase não foi aleatória. Fonseca foi eliminado no simples nesta semana ainda nas oitavas, pelo peruano Ignacio Buse, e a pressão de vencer em casa no individual é a cobrança que mais pesa sobre ele. O título de duplas não apaga isso. Mas muda o tom da despedida.


Em entrevista após a final, Fonseca já havia dado a dimensão do que a semana representou. "Semana incrível que com certeza estará na minha memória para o resto da vida. O circuito é muito semana após semana, meu foco é mais em simples, não devo jogar tanto duplas, mas é divertido", comentou.


A pressão como combustível

Na mesma entrevista, Melo foi preciso ao colocar o tema da cobrança em perspectiva. "Quando te pressionam é porque têm expectativas e isso é um bom sinal. Só criam expectativas em quem pode obter resultado", disse. E seguiu: "Ele está num caminho excepcional, mas cada um tem seu tempo. Ele tem 19 anos e o que jogou hoje e durante o torneio todo... Seja simples ou duplas, ele tem algo diferenciado. A pressão é difícil de lidar, mas é um privilégio. Espero que ao decorrer do tempo os resultados virão e as coisas vão deslanchar para ele."


Fonseca, por sua vez, não fugiu do assunto. "Ela vai vir a qualquer momento, tenho que saber lidar com isso. Esse jogo me dá confiança e convicção para seguir trabalhando", afirmou o número 1 do Brasil.


A emoção de Melo

Para o mineiro de 42 anos, a conquista tem camadas além do ranking. Bicampeão no saibro do Jockey, Melo descreveu o que sentiu ao jogar ao lado de Fonseca em casa com uma comparação que diz tudo sobre a magnitude da semana. "Não senti nada parecido a não ser na Copa Davis", garantiu o mineiro. "Foi ainda mais especial por estar jogando ao lado do João na casa dele. Esse título é muito importante para validar o que posso conquistar."


Melo entrou no torneio sem parceiro definido: a parceria com Fonseca foi acertada dias antes do início das duplas. O mineiro sequer tinha com quem jogar. Saiu com a taça.


A presença de Agassi

A final teve uma testemunha de luxo na arquibancada: André Agassi, convidado pela organização do Rio Open para entregar o troféu ao campeão de simples e que aproveitou a semana para reencontrar Fonseca. Os dois trabalharam juntos no Laver Cup de 2025, quando Agassi capitaneou o Time Mundo na conquista do torneio, e o americano não poupou elogios ao jovem brasileiro.


"É obviamente uma grande sensação, mas também um ser humano ainda melhor, muito além da sua idade, mental e emocionalmente muito consciente do seu ambiente e dos seus processos", disse Agassi.

A conexão entre o norte-americano e o Brasil não é nova: ele conquistou seu primeiro título ATP em Itaparica, em 1987.


Próximos compromissos

Melo segue direto para Acapulco, onde jogará ao lado de Alexander Zverev no saibro duro mexicano. Para Fonseca, o foco volta às chaves simples e à tarefa de encerrar o início de temporada irregular: três derrotas em quatro jogos antes do Rio Open.


Etcheverry vira mais uma no Rio e conquista seu 1º ATP

A rodada dupla de simples neste domingo de Rio Open terminou com a conquista do argentino Tomas Etcheverry, que depois de bater o tcheco Vit Kopriva de virada, fez o mesmo na decisão, superando o chileno Alejandro Tabilo com o placar final de 3/6, 7/6 (7-3) e 6/4, em batalha de 3h04.


Tomas Etcheverry (Foto: Armando Paiva)
Tomas Etcheverry (Foto: Armando Paiva)

Esta era a quarta final de ATP da carreira do argentino de 26 anos, que enfim comemora seu primeiro título, logo em um 500, depois de ter amargado o vice-campeonato em Santiago (2023), Houston (2023) e Lyon (2024). Do outro lado, Tabilo segue sem uma conquista no saibro, perdendo a terceira que disputou.



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