A emocionante cerimônia de entrega de troféus a Fonseca e Melo
Antes de pegar no troféu, Marcelo Melo pediu uma salva de palmas. Não para si. Tinha coisa mais urgente para fazer depois de um título do que comemorar: defender o parceiro.
João Fonseca e Marcelo Melo conquistaram o título de duplas do Rio Open neste domingo no Jockey Club Brasileiro, virando contra o holandês Robin Haase e o alemão Constantin Frantzen por 4/6, 6/3 e 10-8 no supertiebreak. Mas o que ficou da tarde na quadra Guga Kuerten foi muito além do placar.

A defesa de Melo na cerimônia
Já com o título no bolso e microfone na mão, Melo usou a cerimônia de premiação para ir direto ao ponto que lhe parecia mais importante. "Antes de agradecer, quero uma salva de palmas porque ele merece demais", disse o mineiro, endereçando as palavras ao carioca de 19 anos ao lado dele. O que veio a seguir foi o discurso de alguém que sabe exatamente o que é ser cobrado com expectativa sobre os ombros.
"Ao longo da minha carreira de duplas eu suportei muita pressão, sei o que ele está passando agora, é normal as pessoas falarem coisas que nos deixam chateados, mas não é na maldade viu, é na emoção. Você é muito especial, sei o quanto você está trabalhando, sei o quanto você quer entregar os resultados que todo mundo espera. Fique tranquilo, vai passo a passo que tenho certeza que você vai chegar lá", afirmou Melo.
E completou, apontando o dedo para o que aconteceu no supertiebreak: "Hoje foi mérito total dele, eu só acompanhei. O tie-break no 8 a 8, ele dá uma devolução e depois faz um ace. Isso mostra que a mentalidade dele é de campeão", disse o mineiro.
Palavra de quem sabe do que fala. Melo acumulou 41 títulos na carreira, passou oito temporadas consecutivas no top-10 e figurou na liderança do ranking de duplas por mais semanas do que qualquer outro brasileiro na história.
A promessa de Fonseca
Fonseca ouviu, recebeu o troféu e deu sua versão do recado à torcida. "Só tenho a agradecer ao Marcelo. Tenho uma história muito legal, mas ainda vou conquistar o torneio de simples do Rio Open", declarou o carioca na cerimônia.
A frase não foi aleatória. Fonseca foi eliminado no simples nesta semana ainda nas oitavas, pelo peruano Ignacio Buse, e a pressão de vencer em casa no individual é a cobrança que mais pesa sobre ele. O título de duplas não apaga isso. Mas muda o tom da despedida.
Em entrevista após a final, Fonseca já havia dado a dimensão do que a semana representou. "Semana incrível que com certeza estará na minha memória para o resto da vida. O circuito é muito semana após semana, meu foco é mais em simples, não devo jogar tanto duplas, mas é divertido", comentou.
A pressão como combustível
Na mesma entrevista, Melo foi preciso ao colocar o tema da cobrança em perspectiva. "Quando te pressionam é porque têm expectativas e isso é um bom sinal. Só criam expectativas em quem pode obter resultado", disse. E seguiu: "Ele está num caminho excepcional, mas cada um tem seu tempo. Ele tem 19 anos e o que jogou hoje e durante o torneio todo... Seja simples ou duplas, ele tem algo diferenciado. A pressão é difícil de lidar, mas é um privilégio. Espero que ao decorrer do tempo os resultados virão e as coisas vão deslanchar para ele."
Fonseca, por sua vez, não fugiu do assunto. "Ela vai vir a qualquer momento, tenho que saber lidar com isso. Esse jogo me dá confiança e convicção para seguir trabalhando", afirmou o número 1 do Brasil.
A emoção de Melo
Para o mineiro de 42 anos, a conquista tem camadas além do ranking. Bicampeão no saibro do Jockey, Melo descreveu o que sentiu ao jogar ao lado de Fonseca em casa com uma comparação que diz tudo sobre a magnitude da semana. "Não senti nada parecido a não ser na Copa Davis", garantiu o mineiro. "Foi ainda mais especial por estar jogando ao lado do João na casa dele. Esse título é muito importante para validar o que posso conquistar."
Melo entrou no torneio sem parceiro definido: a parceria com Fonseca foi acertada dias antes do início das duplas. O mineiro sequer tinha com quem jogar. Saiu com a taça.
A presença de Agassi
A final teve uma testemunha de luxo na arquibancada: André Agassi, convidado pela organização do Rio Open para entregar o troféu ao campeão de simples e que aproveitou a semana para reencontrar Fonseca. Os dois trabalharam juntos no Laver Cup de 2025, quando Agassi capitaneou o Time Mundo na conquista do torneio, e o americano não poupou elogios ao jovem brasileiro.
"É obviamente uma grande sensação, mas também um ser humano ainda melhor, muito além da sua idade, mental e emocionalmente muito consciente do seu ambiente e dos seus processos", disse Agassi.
A conexão entre o norte-americano e o Brasil não é nova: ele conquistou seu primeiro título ATP em Itaparica, em 1987.
Próximos compromissos
Melo segue direto para Acapulco, onde jogará ao lado de Alexander Zverev no saibro duro mexicano. Para Fonseca, o foco volta às chaves simples e à tarefa de encerrar o início de temporada irregular: três derrotas em quatro jogos antes do Rio Open.
Etcheverry vira mais uma no Rio e conquista seu 1º ATP
A rodada dupla de simples neste domingo de Rio Open terminou com a conquista do argentino Tomas Etcheverry, que depois de bater o tcheco Vit Kopriva de virada, fez o mesmo na decisão, superando o chileno Alejandro Tabilo com o placar final de 3/6, 7/6 (7-3) e 6/4, em batalha de 3h04.

Esta era a quarta final de ATP da carreira do argentino de 26 anos, que enfim comemora seu primeiro título, logo em um 500, depois de ter amargado o vice-campeonato em Santiago (2023), Houston (2023) e Lyon (2024). Do outro lado, Tabilo segue sem uma conquista no saibro, perdendo a terceira que disputou.
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