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"Não estou feliz com meu nível hoje, mas com a forma como lutei": Fonseca avança em Paris, com ressalvas

  • há 18 horas
  • 4 min de leitura

João Fonseca venceu o francês Luka Pavlovic na estreia de Roland Garros, neste domingo, em Paris, por 3 sets a 0, com parciais de 7/6 (8-6), 6/4 e 6/2, em 2h14 de jogo na Simonne Mathieu.


A vitória encerra uma sequência de três derrotas seguidas do número 1 do Brasil, que não vencia uma partida desde 15 de abril, quando bateu Arthur Rinderknech nas oitavas de Munique. Depois disso, perdeu para Ben Shelton no mesmo ATP 500 alemão, caiu para o espanhol Rafael Jodar na terceira rodada de Madri e foi eliminado pelo sérvio Hamad Medjedovic na estreia em Roma. Aos 19 anos e 30º do mundo, o carioca chega agora a sete vitórias em 12 jogos em chave principal de Grand Slam.


Tenista de branco e roxo sacando com raquete vermelha, bola no ar, diante de grande público em arquibancada.
João Fonseca (Foto: Julien Crosnier/FFT)

"Não estou feliz com meu nível hoje, mas com a forma como lutei e como fiquei focado na partida", afirmou Fonseca ainda em quadra.

O resultado vale também como sinal de que o desconforto no punho que tirou Fonseca do ATP 500 de Hamburgo na semana passada não comprometeu sua preparação. Na coletiva pré-torneio, o pupilo do técnico Guilherme Teixeira já havia indicado estar em melhores condições. Em quadra, com 2h14 de jogo, sustentou o discurso, ainda que com oscilações.


Na temporada, Fonseca soma 11 vitórias e 9 derrotas disputando exclusivamente competições de nível ATP. No saibro europeu, chegou às quartas em Monte Carlo e Munique antes da queda nos Masters 1000 de Madri e Roma. Em Roland Garros, tenta repetir a campanha de 2025, quando avançou até a terceira rodada e foi superado pelo britânico Jack Draper.


Set-point salvo e jogo que cresceu a partir da segunda parcial

A primeira parcial durou 1h07 e teve roteiro irregular. Pavlovic, vindo do quali e 240º do ranking, fazia o jogo mais importante da carreira diante da torcida da casa. Combinando bolas curtas e lobs, o francês quebrou o saque de Fonseca no sétimo game, após gastar quatro break-points. O brasileiro devolveu a quebra no game seguinte. Liderando 6/5, teve três set-points e desperdiçou todos. No tiebreak, ainda salvou um set-point com um smash certeiro antes de fechar em 8/6. Nos números do set, paradoxo: Pavlovic vencia em winners (18 a 10), mas acumulava 23 erros não-forçados contra apenas 13 do carioca.


A partir do segundo set, o jogo virou outro. Fonseca cedeu apenas cinco pontos em seus games de saque na parcial e enfrentou um único break-point. Quebrou no início, sofreu nova devolução, mas recuperou a liderança e fechou em 6/4. No terceiro, contra um adversário que já não sustentava intensidade, atropelou. Ao fim da partida, Pavlovic somou 38 winners contra 24 do brasileiro, e 51 erros não-forçados contra 19. Fonseca aproveitou cinco das nove chances de quebra e perdeu apenas dois games de saque no jogo inteiro.


Pela frente, um carrasco de Djokovic

Na segunda rodada, prevista para quarta-feira, Fonseca enfrenta o croata Dino Prizmic. O jogador de 20 anos e 72º do mundo bateu o norte-americano Michael Zheng por 6/1, 6/1 e 6/3, em sua primeira vitória em Slam após quatro participações. Prizmic chega embalado: há duas semanas, em Roma, eliminou Novak Djokovic na segunda rodada.


Caso o brasileiro avance, pode reencontrar o sérvio na terceira rodada, provavelmente na sexta-feira. Djokovic, tricampeão em Paris e atual número 4 do mundo, está do mesmo lado da chave que Fonseca.


Bia cai na estreia e fica fora do top 100



A representação brasileira em Paris perdeu mais cedo Beatriz Haddad Maia. Na semana em que apareceu fora do top 100 pela primeira vez desde 2021, agora como 105ª, a paulistana sofreu a virada para a britânica Francesca Jones, 102ª, com parciais de 1/6, 7/6 (7-4) e 6/2 em 2h39.


É a terceira eliminação consecutiva de Bia na primeira rodada do Grand Slam parisiense, em que foi semifinalista em 2023. Em três confrontos com Jones, a brasileira tinha duas vitórias, ambas em 2021, antes de perder neste domingo. A derrota também adia a busca pela vitória de número 150 em chaves principais da WTA. Ela soma agora 149 triunfos e 144 derrotas no circuito, com aproveitamento de 4 vitórias em 20 jogos na temporada. Em Slams, são 30 vitórias em 54 partidas disputadas.


Bia abriu o jogo dominando: 11 a 2 em winners, três quebras e apenas dois erros não-forçados a mais que a rival no primeiro set. No segundo, o cenário desabou. A parcial teve oito quebras, quatro para cada lado. A brasileira cometeu quatro duplas faltas e venceu apenas 30% dos pontos quando dependia do segundo saque. Chegou a liderar por 4/2 e permitiu o empate. Jones sacou para o set por duas vezes (em 5/4 e 6/5), teve dois set-points e não converteu, mas dominou o tiebreak de ponta a ponta.


No set decisivo, Bia abriu 2/0 e voltou a permitir a reação. A virada de Jones para 3/2 veio em games longos. Dali em diante, a brasileira perdeu confiança nos ralis de fundo, adotou postura passiva e viu a britânica fechar com seis games seguidos. Ao fim, Bia liderava em winners (37 a 22) e em quebras de serviço (8 a 7, em jogo com 15 quebras e 28 break-points), mas cometeu 50 erros não-forçados contra 37 da adversária.


Jones somou aos 25 anos sua primeira vitória em chave principal de Slam, na sétima oportunidade. A britânica tem uma trajetória singular no tênis por carregar uma rara condição genética, a displasia ectodérmica ectrodactilia (DEE): nasceu com quatro dedos em cada mão e três a menos nos pés, passou por cirurgias frequentes ao longo da vida e ouviu de médicos que não conseguiria jogar tênis. Entrou no top 100 no ano passado e chegou a ser 65ª do mundo em fevereiro. Na próxima rodada, encara a tcheca Marie Bouzkova, 28ª, que despachou a italiana Lucia Bronzetti, vinda do quali, por 6/3 e 6/1.


Em busca de uma recuperação ainda neste Roland Garros, Bia segue na chave de duplas ao lado da russa Liudmila Samsonova. As duas estreiam contra a ucraniana Lyudmyla Kichenok e a norte-americana Desirae Krawczyk, cabeças 9 do torneio. Caso avancem, podem enfrentar a tcheca Marie Bouzkova com a espanhola Sara Sorribes ou a dupla das indonésias Aldila Sutjiadi e Janice Tjen.

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