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Alcaraz rasga elogios a Fonseca: "Dá a sensação de que ele consegue fazer um winner de qualquer lugar"

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Carlos Alcaraz saiu do Hard Rock Stadium com a vitória, mas saiu também com mais respeito pelo adversário do que tinha entrado. Na coletiva após o duplo 6/4 sobre João Fonseca, o número 1 do mundo falou sobre o que o brasileiro fez que realmente o surpreendeu, contou o que disse na rede ao final da partida, comparou a pressão que o carioca carrega hoje com a que ele próprio sentiu aos 18 anos, e ainda revelou de onde tirou energia extra nesta noite: de Luka Doncic, que fez 60 pontos pelos Lakers na quadra ao lado na véspera.


Sobre a torcida, Alcaraz foi o primeiro a recusar o lugar-comum. Questionado se era satisfatório "calar" o público que estava do outro lado, ele corrigiu a premissa.


"Eu diria que não estava contra mim, estava apoiando ele. Acho que isso é uma grande diferença", disse. "Eles foram respeitosos. A maior parte da partida, apoiando quando tinham que apoiar. Eu curtii muito a atmosfera. Para mim, foi incrível, para ser honesto. Não queria calar ninguém, só queria fazer o meu trabalho e tentar jogar meu melhor tênis."

Carlos Alcaraz em Miami  -Jogador de tênis em camisa laranja celebra com punho cerrado em quadra. Público desfocado ao fundo. Emoção de vitória visível.
Chris Arjoon/Icon Sportswire via Getty Images
O que Fonseca fez que Alcaraz não esperava

A resposta mais reveladora da coletiva veio quando o espanhol foi perguntado sobre o que o brasileiro produziu que o surpreendeu. Alcaraz não hesitou. "Teve momentos em que ele fez um winner de atrás da linha de fundo a partir de uma bola lenta, que eu tinha batido como uma bola cortada alta", disse. "Contra outros jogadores, eu consigo devolver a próxima bola e retomar o ponto. Contra ele, foi uma história totalmente diferente. Dá a sensação de que ele consegue fazer um winner de qualquer lugar, e isso é impressionante."


A observação tem peso técnico. Alcaraz não estava falando de um saque-voleio ou de um winner de forehand em ritmo alto, que seriam esperados. Estava descrevendo o tipo de golpe que, em teoria, deveria ser defensivo, ser apenas uma devolução em segurança. Fonseca converteu em ponto.


O recado na rede

Fonseca havia contado, em sua própria coletiva, que Alcaraz disse algo ao final da partida. O espanhol confirmou e foi um pouco além. "Eu me lembro de quando joguei contra o melhor tenista do mundo quando estava subindo no circuito, e isso me ajudou muito", disse. "Para minha equipe, aquelas partidas deram o feedback necessário para saber o que eu deveria melhorar nos treinos. Tenho certeza de que a equipe dele e ele mesmo receberam o feedback que precisam para trabalhar."


Mas Alcaraz também foi direto no diagnóstico do que falta. "Ele me lembra muito quando eu tinha a idade dele e estava chegando. Acho que ele precisa escolher a opção certa. Às vezes ele errou algumas tacadas, às vezes errou muitas bolas fáceis porque não escolheu a bola certa em certas situações. Tenho certeza de que ele vai entender isso. No futuro, jogar contra o número 1 e o número 2 do mundo em torneios seguidos, tenho certeza de que ele vai absorver esse feedback. E vamos vê-lo muito, muito melhor em breve."


Pressão diferente

A pergunta mais densa da coletiva veio de um jornalista que pediu a Alcaraz que comparasse a pressão que sentia aos 19 anos com a que Fonseca carrega hoje. O espanhol topou a comparação com honestidade.


"Quando eu tinha 16, 17, 18 anos, me comparavam muito com o Rafa, como o sucessor dele, como aquele que tinha que ser o próximo. Mas ao mesmo tempo, o Rafa ainda estava jogando, ainda ganhando os maiores torneios e ainda no topo do ranking. É uma situação totalmente diferente da que o João vive, porque o Brasil não tem um jogador de ponta há muito tempo, e é isso que as pessoas querem ver nele."

E foi mais longe. "As pessoas estão colocando ele numa situação em que parece que ele tem que ganhar todos os torneios, tem que vencer todas as partidas, tem que bater todos os jogadores. E acho que isso é um pouco errado. Hoje, acho que precisamos deixar ir a expectativa de que ele tem que ganhar tudo."


Para um jogador de 22 anos, foi uma leitura incomumente madura do que significa carregar uma bandeira sozinho.


A noite com Luka

Na véspera da partida, Alcaraz foi à quadra vizinha, o Kaseya Center, assistir aos Lakers contra o Miami Heat. Luka Doncic marcou 60 pontos, os dois se cumprimentaram após o jogo, e a foto rodou o mundo. Na coletiva, o espanhol não escondeu o efeito. "Vou dizer que não costumo chegar a um torneio em busca de inspiração. Mas admiro muito esse tipo de atleta. Fui muito sortudo de presenciar o que ele fez na noite passada, fazendo história no Lakers. Tenho uma grande admiração por jogadores assim. Consegui conversar um pouco com ele. Tomara que eu tenha pego essa magia dele, como eu disse, e espero mostrar isso aqui no torneio."


Pela forma como controlou Fonseca nos dois sets, a magia parece ter ficado.



Próximos compromissos

Alcaraz joga neste domingo na terceira rodada do Masters 1000 de Miami contra o norte-americano Sebastian Korda, 36º do mundo, que derrotou o argentino Camilo Ugo Carabelli por 6/0 e 6/3. O espanhol lidera o histórico entre eles por 4 a 1.

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