Colapso: Sinner perde 18 dos 20 últimos games e cai em Roland Garros
- há 2 horas
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Jannik Sinner estava a quatro pontos da vitória, sacando para fechar o duelo, com dois sets de vantagem e 5/1 no terceiro, quando o calor de Paris cobrou seu preço: o número 1 do mundo viu seu corpo sucumbir, e colapsou: perdeu 18 dos 20 últimos games para o argentino Juan Manuel Cerúndolo, 56º do ranking. Eliminado por 3/6, 2/6, 7/5, 6/1 e 6/1 na segunda rodada de Roland Garros, numa das maiores zebras da história do tênis.

Até esta quinta-feira, Sinner era a definição de invencível. Vinha de 30 vitórias seguidas, não perdia desde fevereiro e chegou a Paris tido como amplo favorito: as casas de apostas precificavam em 80% para o número 1 levar o troféu. A derrota encerrou a série, deixou-o a um único jogo de alcançar a 10ª maior sequência da Era Aberta e representou apenas o terceiro tropeço do italiano em 40 partidas no ano, um aproveitamento de 92,5%. No saibro, então, vinha de 18 jogos invictos e dos títulos de Monte Carlo, Madri e Roma.
Do outro lado da rede, Cerúndolo soube exatamente o que tinha em mãos. "Acho que tive um pouco de sorte. Sinto muito por ele, estava sacando para vencer a partida", disse o argentino na entrevista em quadra. Foi a primeira vitória dele sobre um top 10 na carreira.
Para Sinner, o estrago é duplo. Há duas semanas, ao vencer Roma, o italiano havia completado a coleção dos nove Masters 1000, façanha que só o sérvio Novak Djokovic alcançara antes. Em Paris, faltava fechar o Grand Slam de carreira: dos quatro grandes, Roland Garros é o único que lhe escapa. No ano passado, chegou perto, perdeu a final para Carlos Alcaraz depois de desperdiçar três match points. Agora terá de esperar pelo menos mais um ano.
A dimensão histórica do resultado se mede em décadas. Cerúndolo se tornou o primeiro tenista a despachar o número 1 do mundo antes da terceira rodada de Roland Garros desde 2000, quando Andre Agassi caiu cedo em Paris. Pelo ranking, é o jogador de pior colocação a bater um líder do mundo no torneio desde 1998 e, num Grand Slam, o de pior ranking a virar um número 1 partindo de dois sets atrás desde 1973, segundo a organização do torneio.
Do 5/1 ao colapso
Por quase duas horas, nada indicava o desfecho trágico. Sinner venceu os sete primeiros pontos da partida, quebrou Juan Manuel logo no segundo game, no terceiro break point que criou, e abriu 3/0. Sólido no saque, não deu ao argentino uma única chance de quebra e administrou o primeiro set sem sustos.
A segunda parcial deu mais trabalho do que o 6/2 sugere. O italiano passou a ser ameaçado nos próprios games de serviço, salvou um break point no quarto, mas também pressionou bem o saque adversário, quebrou no terceiro e no quinto e ainda deixou escapar uma chance no sétimo.
No terceiro set, deslanchou de novo: 4/0 e o jogo aparentemente encaminhado. Foi aí que o corpo começou a falar. Devolvendo em 5/1, Sinner sentiu um desconforto. Sacou para a partida apressado, errou demais e foi quebrado por zero, com dupla falta no ponto final.
Na segunda tentativa de fechar, o quadro piorou: perdeu 15 pontos seguidos, viu o 0-40 e pediu atendimento médico no meio do game, deixando a quadra para tratamento. Voltou e foi quebrado outra vez. Chegou a amargar quase 20 pontos consecutivos sem marcar antes de enfim vencer um, enquanto Cerúndolo emendava cinco games seguidos e levava o set.
O canhoto que não se afobou
Depois de entregar o terceiro set, Sinner saiu de quadra mais uma vez na virada para o quarto, e nem a pausa o recuperou. Não era sombra do tenista que varrera a temporada de saibro.
Cerúndolo, canhoto de 24 anos nascido em Buenos Aires e dono de um único título de ATP, conquistado como pré-classificado em Córdoba 2021, não se afobou. Estendeu os pontos ao máximo, puxou o italiano de um lado a outro, devolveu a responsabilidade e assistiu aos erros não forçados se acumularem do outro lado, à medida que o número 1 insistia em forçar bolas vencedoras que morriam na rede ou fora de quadra.
O argentino cedeu apenas dois games nas duas últimas parciais e salvou os oito break points que enfrentou nos sets finais. No total, abocanhou 18 dos 20 games derradeiros. No fim, o adversário mais duro de Sinner foi o próprio corpo.
A chave aberta e o recorte brasileiro
A queda do italiano deixou a chave masculina escancarada. Carlos Alcaraz, número 2 do mundo, já estava fora de Paris por uma lesão no punho. Com os dois maiores nomes ausentes, Roland Garros terá um campeão que não atende por Sinner nem por Alcaraz pela primeira vez desde o US Open de 2023.
Para o torcedor brasileiro, sobra um motivo a mais de interesse. João Fonseca, 30º do mundo e único representante do país nas simples, está na metade oposta àquela em que Sinner naufragou, projetado como adversário do italiano apenas numa eventual final. Há ainda uma simetria curiosa: o primeiro título de ATP de Fonseca, em Buenos Aires no ano passado, veio justamente contra Francisco Cerúndolo, irmão mais velho de Juan Manuel.
Francisco, que bateu o atleta da casa Hugo Gaston de virada em 4 sets e avançou em Roland Garros, não acreditou quando soube do feito do irmão. Confira:
Juan Manuel, classificado à terceira rodada, espera agora o vencedor do duelo entre o espanhol Martin Landaluce e o tcheco Vit Kopriva, que se enfrentam ainda nesta quinta-feira. Sinner, esse, venceu tudo no saibro em 2026. Tudo, menos o que mais queria.
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