Entre pneus, reviravoltas e revanche: o dia intenso das duplas brasileiras no Rio
- 18 de fev.
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A quarta-feira foi de extremos para as duplas brasileiras no Rio Open. Teve “pneu” aplicado sobre cabeças 2, vitória de lucky losers sobre campeão de Slam e também revanche amarga para quem vinha embalado por título na semana anterior. Em uma única rodada, o torneio mostrou como o formato das duplas é capaz de transformar detalhes em euforia ou frustração em questão de minutos.
Fonseca e Melo atropelam cabeças 2 e vão à semi com autoridade
João Fonseca e Marcelo Melo deram mais um passo firme na campanha e derrubaram os cabeças de chave 2, os argentinos Maximo Gonzalez e Andres Molteni, por 6/4 e 6/0. O segundo set foi um cartão de visitas: um “pneu” construído com agressividade na devolução e domínio absoluto na rede.

A parceria brasileira repetiu a fórmula da estreia. Fonseca sustentando o fundo de quadra com potência e consistência, abrindo ângulos e acelerando as trocas; Melo pressionando na rede, fechando espaços e encurtando pontos com voleios precisos.
O primeiro set foi equilibrado, sem break-points até o décimo game. No 4/5, porém, Gonzalez e Molteni baixaram minimamente o ritmo. Enfrentaram 15-40, salvaram o primeiro set-point, mas sucumbiram à agressividade do carioca.
Na segunda parcial, o controle virou domínio. Quebra no segundo game, nova quebra no quarto e pressão constante nas devoluções. Quando os argentinos sacaram em 0/5 para evitar o “pneu”, encontraram novamente as respostas afiadas de Fonseca e o incômodo permanente de Melo na rede. Não houve escapatória.
A vaga na semifinal ainda aguarda definição de adversários, já que o quadrante tem dois jogos de estreia pendentes. Mas o recado foi dado: a combinação entre juventude explosiva e experiência consolidada está funcionando.
Guto e Heide: de lucky losers a algozes de campeão de Slam
Se a vitória de Fonseca e Melo impressionou pelo controle, a de Guto Miguel e Gustavo Heide surpreendeu pelo contexto. Eliminados na última rodada do quali, entraram na chave como lucky losers — e aproveitaram a chance ao máximo.
Diante dos cabeças 4 Evan King e John Peers (campeão do Australian Open de 2017), os brasileiros venceram por 6/0 e 7/6 (10-8). O primeiro set foi avassalador.

“Confesso que tínhamos um plano de jogo mas o ‘pneu’ não estava nele. A gente jogou super bem, estávamos entrosados apesar de ser a primeira vez juntos”, disse Heide após a partida.
Para Guto, a vitória teve um peso emocional adicional, depois da derrota na estreia em simples na noite anterior:
“Ontem não consegui dormir direito, fui dormir só as 4 da manhã de tanto que estava pensando no jogo ainda. Mas hoje entramos bem ligados, e com um plano de jogo muito certo. Gustavo estava me puxando nos momentos que estava para baixo e vice-versa.”
O segundo set foi outro cenário. King e Peers elevaram o nível, salvaram break-points, tiveram três set-points no tiebreak — um deles com o saque. Os brasileiros resistiram.
No primeiro match-point no desempate, não hesitaram. Vitória construída na ousadia, mas também na solidez mental.
“Com certeza vai ser um jogo duro, os quatro jogam bem. É fazer o que estamos fazendo até então para buscar a vitória”, completou Heide sobre a próxima rodada.
De eliminados no quali a protagonistas nas duplas, Guto e Heide mostraram como o formato abre espaço para recomeços imediatos.
Luz e Matos sofrem a revanche e veem série cair
Nem todas as histórias da quarta-feira terminaram em festa. Orlando Luz e Rafael Matos, embalados pelo título em Buenos Aires, caíram na estreia após levarem a virada de Guido Andreozzi e Manuel Guinard por 3/6, 6/3 e 10-6.
A derrota teve gosto de revanche. Na semana anterior, os brasileiros haviam superado a mesma dupla na semifinal do torneio argentino. No Rio, o desfecho foi inverso.

O resultado interrompe uma sequência marcante de Matos no torneio. Bicampeão em 2024 e 2025, ele defendia 500 pontos e, com a queda precoce, deve sair momentaneamente do 32º para o 46º lugar no ranking. Luz, por sua vez, perde menos pontos, mas também sente impacto na classificação.
Além da eliminação, a derrota evitou um possível confronto 100% nacional nas quartas de final.
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