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Federer relembra a tarde em que destronou Sampras e ganhou o "cetro" de Wimbledon

  • há 12 horas
  • 3 min de leitura

Roger Federer tinha 19 anos quando entrou pela primeira vez na quadra central de Wimbledon, em 2001, e saiu de lá três horas e meia depois com a cabeça do rei. Naquela tarde, o suíço derrotou Pete Sampras, o homem que vencera sete dos últimos oito torneios no All England Club, por 7/6(7), 5/7, 6/4, 6/7(2), 7/5. Foi o único confronto entre os dois em toda a carreira. E parece que ninguém combinou um roteiro melhor.


Dois tenistas de branco apertam as mãos na rede, em quadra lotada; clima respeitoso após o jogo.
Foto: Susan Mullane/NewSport/Corbis

A cena voltou a circular nesta semana: a ATP publicou no Instagram um vídeo com depoimentos de Federer e Sampras sobre aquele jogo, parte do terceiro episódio da série ACES: The ATP No. 1 Club. "Wimbledon é especial para mim por causa do Pete Sampras", diz Federer no material. "Me apaixonei pela tradição, pela história. Eu costumava brincar, tipo, 'Meu Deus, ganhei Wimbledon'. Eu caía de joelhos e fazia assim, 'Meu Deus, ganhei', estilo Bjorn Borg."



O detalhe é que Federer só venceria Wimbledon de fato dois anos depois, em 2003. Mas a paixão pelo torneio nasceu ali, diante do ídolo, e o ídolo percebeu na hora o que estava acontecendo do outro lado da rede.


"Passagem de bastão", reconheceu Sampras

Sampras chegava àquele jogo perto dos 30 anos, perseguindo o quinto título seguido em Wimbledon, o que igualaria o recorde de Borg, e o oitavo no geral. Levava 31 vitórias consecutivas na grama londrina. Não perdia ali desde 1991. Antes da partida, respeitava o jogo de Federer. Depois, saiu com outra noção do tamanho do adversário.


"Fui pego de surpresa pelo Roger quando joguei aquela partida", admitiu o americano no documentário. No vídeo da ATP, ele descreve o que viu: rapidez, potência, o repertório completo de golpes. Um foguete, nas palavras dele. E, ao deixar a quadra, a sensação de que algo havia mudado. "Eu estava ficando mais velho e pensei que aquilo tinha sido uma passagem de bastão, talvez", refletiu. "Lembro de sair da quadra pensando, 'Esse garoto é bem especial, ele é um pouco diferente'. E ele era."


Sampras se aposentaria na temporada seguinte, depois de vencer o US Open de 2002. Nunca mais voltaria a uma final em Londres.



O "jogo favorito de todos os tempos"


Do lado de Federer, o afeto por aquela tarde nunca se desfez. Anos mais tarde, ao ser perguntado sobre a partida mais especial da carreira, o suíço deixou de fora os dois maiores rivais que teve, o espanhol Rafael Nadal e o sérvio Novak Djokovic, e escolheu justamente o duelo com o ídolo. "Aquele jogo contra Sampras é o meu jogo favorito de todos os tempos", disse Federer em entrevista à revista Vogue.


Na mesma conversa, ele resumiu o que aquele confronto representava para um garoto de 19 anos. "Ele tinha tudo, era meu ídolo naquela época e foi a primeira e única vez que joguei contra ele. Foi na Quadra Central de Wimbledon e em cinco sets", contou o suíço, que seria eliminado na sequência por Tim Henman.


A vitória mexeu com ele de um jeito que poucas mexeram. "Passavam tantas coisas na minha cabeça, parecia um conto de fadas. Não lembro se foi a primeira ou a segunda vez que chorei depois de ganhar. Também fiz isso na Copa Davis, quando venci os americanos na Basileia. Pude ajudar o time com três pontos", acrescentou. E, para o dono de 20 títulos de Grand Slam, foi ali que tudo fez sentido. "Aí você percebe que o trabalho duro valeu a pena. Foi uma vitória histórica, uma combinação perfeita", finalizou.


O reinado que veio depois

A previsão de Sampras envelheceu bem. Federer abriu seu reinado em Wimbledon em 2003 e acabou superando justamente o recorde do americano: são oito títulos de simples masculina no All England Club, contra os sete de Sampras. De quebra, igualou os cinco títulos consecutivos de Borg, a mesma marca que tirou de Sampras naquela tarde de 2001.


A herança não parou na grama. Federer também alcançaria o topo do ranking e o número de semanas como número 1 do mundo, outra marca que pertencia a Sampras, antes de Novak Djokovic superar os dois anos depois. Resta ao americano, ainda hoje, ao menos um recorde de número 1 que sobreviveu à era dos Três Grandes: as seis temporadas seguidas encerradas na liderança, de 1993 a 1998.


Para o leitor brasileiro, vale a memória: nenhum tenista nacional cruzou o caminho desses dois em um duelo de tamanho simbólico parecido. O jogo de 2001 é desses que o tênis guarda inteiro, do primeiro saque ao último ponto, porque raramente uma única partida marca com tanta clareza o fim de uma era e o começo de outra.

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