Wimbledon promete edição histórica com Serena na simples e reencontro das irmãs Williams
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A poucos dias do início de Wimbledon, no próximo dia 29, o torneio mais tradicional do mundo já tem garantido um de seus maiores atrativos em anos: a norte-americana Serena Williams volta a disputar a chave de simples de um Grand Slam pela primeira vez em quase quatro anos, aos 44, e reencontra a irmã Venus nas duplas, na mesma grama sagrada onde as duas escreveram boa parte de suas histórias.

A confirmação que faltava veio no último domingo, quando o All England Club anunciou que o oitavo e derradeiro convite feminino de simples ficaria com a heptacampeã em Londres. A organização havia segurado essa última vaga até que Serena decidisse. Foi uma espera que valeu a pena: a chave principal recupera a maior vencedora recente do torneio justamente na edição que se aproxima.
"Eu sinto falta disso todos os dias"
Quem já esperava por isso era Andy Murray. O britânico contou que não se surpreendeu com a decisão, depois de uma conversa com Serena em Miami no ano passado. "Ela perguntou se eu sentia falta de jogar. Eu respondi: 'Para ser sincero, de jeito nenhum'. Ela então disse: 'Sinto falta disso todos os dias. Eu adorava competir e jogar. Se pudesse, voltaria a jogar agora mesmo'", falou o ex-número 1 em entrevista à BBC.
A frase explica o retorno melhor do que qualquer comunicado oficial. E a própria Serena já havia dado o tom. Em entrevista no Queen's, no início do mês, ela fez questão de dizer que joga pelo amor ao esporte, não pela glória. "Eu não preciso vencer. Já venci mais do que a maioria das pessoas em toda a vida delas", afirmou à época, segundo a NBC News, acrescentando que não tem nada a provar e nada a perder.
Há também um motivo de casa. A prioridade, repetiu ela mais de uma vez, é que as filhas a vejam jogar: Olympia, de oito anos, e Adira, de dois. Foi a própria Olympia, aliás, quem sugeriu a parceria com a irmã. "Minha filha Olympia me disse que eu deveria jogar com a Venus. Ela está sempre certa, então pensei: 'droga'", contou Serena em Berlim, segundo a Hola.
O retorno por etapas
O caminho até a simples foi gradual. Serena reapareceu nas competições nesta temporada de grama, mas só nas duplas. Em Queen's, venceu uma partida ao lado da canadense Victoria Mboko antes de a parceria se desfazer: Mboko se lesionou no joelho durante um jogo de simples, contusão que também a tirou de Wimbledon. Na semana seguinte, em Berlim, Serena formou dupla com a tcheca Karolina Muchova e caiu na estreia para Giuliana Olmos e Erin Routliffe, por 6/4 e 6/4.
Ainda em Berlim, quando perguntada sobre a possibilidade de jogar simples, a resposta foi pura Serena. "Meu Deus, ainda sobrou alguma?", reagiu, antes de devolver a pergunta a Muchova. A tcheca não titubeou: disse que estaria interessada em vê-la na simples. O resto é história recente.
A volta tem peso estatístico, e não pequeno. Caso vença uma partida, Serena se tornará a quarta mulher mais velha a vencer um jogo de simples em um Grand Slam na era aberta. Outro detalhe muda completamente o tamanho do desafio: por estar fora do circuito há tanto tempo, ela não tem ranking de simples e pode cruzar com Iga Swiatek, atual campeã, com a número 1 Aryna Sabalenka ou com qualquer outra cabeça de chave logo nas primeiras rodadas. O sorteio acontece na sexta-feira.
O reencontro com Venus
A chave de duplas devolve uma das parcerias mais dominantes da história. Serena e Venus somam 14 títulos de Grand Slam jogando juntas, dos quais seis em Wimbledon, o primeiro em 2000 e o último em 2016. É a primeira vez que as irmãs voltam a jogar juntas no All England Club em uma década. A última aparição da dupla em qualquer torneio havia sido no US Open de 2022, quando perderam o jogo de estreia.
O número de títulos coloca a parceria em um patamar histórico: são as segundas maiores vencedoras de duplas femininas na era aberta, atrás apenas das 20 conquistas de Martina Navratilova e Pam Shriver. Em Wimbledon, dividem com Suzanne Lenglen e Elizabeth Ryan o recorde de mais troféus como dupla. E há uma curiosidade que o tempo recupera: os dois primeiros títulos delas no torneio, em 2000 e 2002, também vieram via convite.
Venus chega em situação diferente da irmã. De volta ao circuito desde julho do ano passado, após uma pausa de 16 meses, está em 119º nas duplas. A temporada de simples foi dura, com apenas uma vitória em seis jogos. Aos 46 anos recém-completados, é nas duplas que ela vai concentrar o foco.
A carreira que sustenta o convite
O currículo de Serena em Wimbledon é o que torna o convite indiscutível. Foram 21 participações no torneio, com sete títulos de simples (2002, 2003, 2009, 2010, 2012, 2015 e 2016) e mais quatro vice-campeonatos (2004, 2008, 2018 e 2019). No mesmo gramado, foi campeã olímpica em 2012, batendo Maria Sharapova por 6/0 e 6/1 na final. Ao todo, são 23 títulos de Grand Slam na simples, sete deles no All England Club.
A última partida de simples havia sido a derrota para Ajla Tomljanovic na terceira rodada do US Open de 2022. Na ocasião, ela evitou a palavra "aposentadoria" e preferiu dizer que estava "evoluindo" para longe do tênis. A escolha de palavras, agora se vê, deixava a porta entreaberta.
O que esperar a partir de 29 de junho
Wimbledon começa em 29 de junho, e Serena deve estrear na simples na segunda ou na terça-feira da primeira semana. O adversário só será conhecido após o sorteio de sexta. Na chave de duplas, ela e Venus voltam a entrar em quadra juntas pela primeira vez desde 2016, ano em que Serena também levantou seu sétimo troféu de simples no torneio.
Murray, de resto, não pensa em seguir o exemplo. Questionado sobre um eventual retorno próprio, foi direto: "Por mais que eu adorasse, não acho que teria condições físicas para isso. Ainda não senti tanta falta do esporte a ponto de querer entrar em quadra e sequer bater em bolas de tênis". O britânico, no entanto, faz seu próprio tipo de retorno: integra a comissão técnica de Jack Draper para a temporada de grama.
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