Fonseca lamenta eliminação: "Hoje foi um dia em que eu não consegui me encontrar muito bem"
- 20 de fev.
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O último brasileiro vivo na chave de simples do Rio Open também ficou pelo caminho. Cabeça de chave 3 e principal esperança da torcida local, João Fonseca começou melhor, venceu o primeiro set, mas caiu de rendimento e acabou derrotado de virada pelo peruano Ignacio Buse por 5/7, 6/3 e 6/4, em duelo válido pela segunda rodada.
A derrota teve roteiro claro: agressividade sem controle e oportunidades desperdiçadas. Fonseca terminou a partida com 36 winners, apenas seis a mais que os 30 do rival, mas acumulou 43 erros não forçados — quase o dobro dos 24 cometidos por Buse. Do outro lado, o peruano mostrou frieza nos momentos decisivos e salvou oito dos nove break-points que enfrentou.

O 0-40 que mudou a noite
Depois de um início tenso, no qual salvou três break-points nos dois primeiros games de serviço, Fonseca foi entrando no jogo e conseguiu a quebra no 11º game do primeiro set, pressionando com devoluções profundas até fechar a parcial em 7/5.
A virada de chave, porém, aconteceu logo no primeiro game do segundo set. O brasileiro abriu 0-40 no saque de Buse e tinha a chance de assumir controle definitivo do confronto. Não aproveitou. No primeiro break-point, errou um forehand em tentativa apressada de winner. O peruano salvou os três, ganhou confiança e, pouco depois, quebrou o saque de Fonseca.
“Foi muito importante. Estava 0-40 e se ele conseguisse quebrar minha confiança iria subir. Joguei um ponto de cada vez”, explicou Buse, destacando aquele game como decisivo para a reação.
A partir dali, o cenário se inverteu. Fonseca passou a se apressar, especialmente com a direita, que perdeu regularidade até o fim da partida. No terceiro set, uma quebra sofrida de zero no terceiro game foi determinante. Ainda houve nova chance de 0-40 no oitavo game, novamente desperdiçada. Buse administrou a vantagem com solidez física e mental.
Autocrítica e frustração
Na zona mista, Fonseca não escondeu o incômodo com as chances perdidas. “Nesse nível não dá pra perder oportunidades como essa. Bobagem da minha parte, me afobei um pouco nos momentos, mas é processo”, afirmou.
O carioca reconheceu que, mesmo sem brilhar, havia controlado o primeiro set. “Consegui ali uma quebra em que as coisas estavam relativamente difíceis, mas acho que foi mais demérito dele do que mérito meu. No segundo set eu perdi uma oportunidade grande e não consegui me encontrar novamente.”
Sobre os 43 erros não forçados, foi direto: “Era errar menos. Se eu não errasse eu teria ganhado, provavelmente. Mas o tênis não é assim. Hoje foi um dia em que eu não consegui me encontrar muito bem.”
Aos 19 anos, Fonseca vivia a expectativa de avançar mais uma vez diante da torcida carioca, mas esbarrou na própria irregularidade. “Vão ter semanas que você vai perder e na seguinte vai ter que mudar o mindset”, resumiu.
Buse repete feito e mira quartas

Para Buse, atual 91º do mundo, a vitória significa sua segunda quartas de final em nível ATP. A primeira havia sido em Gstaad, no ano passado, quando alcançou a semifinal e parou diante de Juan Manuel Cerúndolo. Agora, ele chega pela primeira vez às quartas de um ATP 500.
“Foi uma partida super complicada. Sabemos o que envolve jogar contra João no Brasil. Ele tem um presente e um futuro incríveis. Hoje foi para mim”, afirmou o peruano, que encara nas quartas o italiano Matteo Berrettini.
Apesar da eliminação em simples, a campanha de Fonseca no torneio ainda não terminou. Ele disputa a semifinal de duplas ao lado de Marcelo Melo contra os alemães Jakob Schnaitter e Mark Wallner.
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