Fonseca: o mais jovem a chegar às oitavas em Mônaco desde Nadal e Gasquet, em 2005
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João Fonseca venceu o francês Arthur Rinderknech por 7/5, 4/6 e 6/3, em 2h32, e garantiu vaga nas oitavas de final do Masters 1000 de Monte Carlo, tornando-se o jogador mais jovem a atingir esta fase no saibro do Principado desde 2005.
Naquele ano, dois prodígios de 18 anos fizeram o mesmo: Rafael Nadal e Richard Gasquet. Um detalhe de almanaque que resume bem o peso do feito, considerando que Fonseca ainda nem havia nascido.

"Jogo de altos e baixos, jogador que quebra muito o ritmo, drops, idas à rede, bolas rápidas e contra-ataque. Precisei ficar focado, colocar o máximo de bolas. No final foram pequenos detalhes. Estava há alguns games sem conseguir aproveitar minhas oportunidades de quebra. Consegui impor meu ritmo, fiz minhas bolas com confiança e convicção. Ele sentiu um pouco quando quebrei no final. Muito feliz com a forma com a qual lutei hoje", disse o carioca à TennisTV em português.
O jogo
O primeiro set seguiu a cartilha esperada: sacadores dominando, games rápidos. Mas Fonseca foi o primeiro a quebrar o saque: no quarto game, pressionou a devolução, aprofundou as bolas e aproveitou o break point. A vantagem na parcial caiu no sétimo game, quando o brasileiro oscilou e o francês devolveu a quebra. No décimo segundo game, aproveitou duas duplas faltas de Rinderknech para fechar o set em 7/5.
O segundo set foi de Rinderknech, e com justiça. O francês subiu o aproveitamento no primeiro saque de 62% para 79%, explorou mais o jogo de rede e encontrou uma versão menos afiada do rival. Fonseca salvou seis break-points logo no primeiro game, cedeu a quebra no quinto e não conseguiu reverter no oitavo. Set para o "atleta da casa": 6/4.
No terceiro, Fonseca manteve a calma. Melhorou o saque, não cedeu break points e esperou sua chance. Ela veio no oitavo game, com bolas profundas que fizeram Rinderknech ceder. No décimo, sacando para o jogo, Fonseca viu o placar chegar ao 15-30 ameaçador, mas respondeu com dois primeiros serviços sólidos. Fechou no primeiro match-point.
Francês teve números melhores
As estatísticas finais apontam números que o resultado dissimula: Rinderknech terminou com 32 winners e apenas 10 erros não forçados, contra 25 winners e 15 erros não forçados de Fonseca. O francês jogou mais limpo. Mas saiu derrotado.
"Ele estava mudando muito o ritmo, estava difícil jogar. Sacando muito bem, dando drop-shots, indo pra rede. A média do saque devia estar em torno dos 220, e no segundo saque a 190, 180 por hora", estimou o carioca, em declaração após a partida.
"Estava difícil sentir a bola nos games de devolução, ele estava jogando muito bem, na rede deve ter perdido um ou dois pontos somente. É um grande jogador e vem muito bem nos últimos anos, desejo o melhor para ele", contou Fonseca.
A luta, segundo o próprio Fonseca, não foi só com Rinderknech. "Eu estava lutando comigo mesmo às vezes, a partida estava difícil, tentando pegar as oportunidades que tinha. Estava tentando colocar a bola em jogo no segundo saque. No final foi uma grande luta, fiquei positivo até o final. A atmosfera me ajudou muito, muitos torcendo por mim também, queria agradecer o público pelo suporte e por virem hoje", finalizou.
A fila histórica
Com o resultado, Fonseca se torna o quarto brasileiro a alcançar as oitavas de final em Monte Carlo na Era Aberta, ao lado de Gustavo Kuerten (1998, 1999 e 2001), Fernando Meligeni (1999) e Thomaz Bellucci (2012). Bellucci, o mais recente antes de João, passou por Kevin Anderson e pelo então top 10 David Ferrer antes de parar no holandês Robin Haase.
Bellucci também guarda outro recorde que Fonseca pode superar já na quinta-feira: o último brasileiro nas quartas de um Masters 1000 foi exatamente ele, em Madri, em 2011, há quase 15 anos. Na ocasião, fez campanha histórica com vitórias sobre Tomas Berdych e Andy Murray, parando em três sets diante de Novak Djokovic, que vinha numa sequência de 41 vitórias seguidas. É esse jejum que Fonseca tem chance de quebrar agora.
Vale lembrar também Thiago Monteiro, que chegou às oitavas em Roma em 2024, parando no chinês Zhizhen Zhang. Fonseca, porém, havia igualado esta marca, parando justamente nas oitavas do Masters de Indian Wells no mês passado.
Próximo confronto
O adversário nas oitavas é o italiano Matteo Berrettini, 90º do mundo, que nesta quarta-feira fez algo que o circuito não via há dez anos: aplicou um duplo 6/0 sobre o russo Daniil Medvedev, décimo colocado do ranking. O último top 10 a levar uma "bicicleta" nesse nível havia sido Tomas Berdych, em Roma 2016, derrotado pelo belga David Goffin.
A marca vai além. Berrettini se torna apenas o quinto jogador desde a criação do ranking da ATP, em 1973, a derrotar um adversário do top 10 com esse placar. E o segundo desde a introdução do formato Masters, em 1990, a alcançar as oitavas de um torneio dessa envergadura sem ceder um único game, depois de Lleyton Hewitt em Cincinnati 2002. Na primeira rodada, o italiano já vencia o espanhol Roberto Bautista Agut por 4 a 0 quando o rival abandonou por lesão.
Tudo indica que o Berrettini que chega para enfrentar Fonseca nesta quinta-feira não é o Berretini que hoje ocupa o posto 90 do ranking. Mas sim aquele italiano que já foi top 6 e sabe o que é vencer no saibro. Será apenas o segundo confronto entre os dois: Matteo venceu o único duelo anterior, dois anos atrás pela Copa Davis.
O jovem carioca tem 19 anos, uma sequência de duas boas vitórias em Monte Carlo e um marco histórico no bolso. Isso não é pouca coisa.
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