Fonseca vence Berrettini, quebra jejum de 15 anos e leva o Brasil às quartas em Monte Carlo
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João Fonseca derrotou o italiano Matteo Berrettini por 6/3 e 6/2, nesta quinta-feira, nas oitavas de final do Masters 1000 de Monte Carlo, e se tornou o primeiro brasileiro a alcançar as quartas de um torneio desse nível desde Thomaz Bellucci, em Madri, em maio de 2011.

A vitória tem o gosto específico de revanche. Na única vez que os dois haviam se encontrado antes, na fase de grupos da Copa Davis de 2024 em Bolonha, Berrettini havia levado a melhor por 6/1 e 7/6(5). Fonseca tinha 18 anos e estreava pela equipe brasileira. Nesta quinta, em Monte Carlo, o placar foi invertido e o italiano saiu da quadra sem ter conquistado nem um set sequer.
O carioca de 19 anos também se torna o mais jovem a alcançar as quartas de final em Monte Carlo desde que Rafael Nadal e Richard Gasquet fizeram isso em 2005. Ou seja: desde antes de Fonseca nascer. (Coria foi semifinalista em 2001, aos 19 anos, sendo eliminado por Guga, que viria a ser campeão).
Também segundo dados da ATP Tour, o brasileiro é o segundo tenista nascido em 2006 a chegar a esse estágio em um Masters 1000, ao lado de Martin Landaluce, que avançou às quartas em Miami no mês passado.
"Super especial, eu estava buscando por esse resultado há um bom tempo. Claro que quero mais, estou ansioso por amanhã. Sem dúvida muito confiante e muito focado em minha partida. Muito feliz da maneira como lutei hoje, colocando muita pressão, jogando grandes games de devolução. Fazendo bem o saque e primeira bola. Coloquei bastante pressão e isso me ajudou a jogar de forma mais calma durante a partida e o suporte da torcida foi muito bom também", disse Fonseca após o jogo, na Court des Princes.
O primeiro set: saque, forehand e domínio
Fonseca abriu o duelo sacando. E fez isso muito bem durante toda a parcial. Anotou 78% de aproveitamento no primeiro serviço. Nos games de saque, venceu 94% dos pontos. Números que explicam por que o italiano mal chegou perto de uma quebra no primeiro set.
Berrettini, cujo jogo depende principalmente do próprio saque, converteu apenas 43% do primeiro, e aí o desequilíbrio ficou exposto: duas oportunidades de quebra para o brasileiro, a primeira salva pelo italiano após um ace, a segunda convertida no oitavo game, quando o italiano errou um forehand no meio da rede.
O plano tático era evidente. Fonseca buscou o lado esquerdo de Berrettini sempre que possível, seu ponto instável, e aproveitou as bolas defensivas para cravar o forehand potente. Cinco winners de base, dois deles no game da quebra. Sacando em 5/3, anotou dois aces: set encerrado sem sustos.
O segundo set: duelo, quebras e desfecho
O segundo set começou com outro ritmo. Houve duas quebras precoces nos primeiros games: Fonseca abriu vantagem, Berrettini devolveu com uma passada de forehand que arrancou grito da torcida na quadra, empatando em 2/2. Parecia que o italiano poderia se firmar. Não ficou nisso. Fonseca foi paciente nos pontos, investiu nas devoluções, cobriu bem a quadra nas deixadinhas do adversário e marcou nova quebra quando Berrettini errou uma passada que parecia tranquila.
Dali em diante, só deu Fonseca. Berrettini começou a errar até bolas mais simples com o forehand, e o carioca confirmou o saque com firmeza para fechar o duelo em 6/2. A estatística final mostrou o brasileiro muito superior com o saque, 70% de acerto e 90% de pontos vencidos contra 45% e 70% do italiano. Na base, 10 a 9 nos winners, todos com o forehand, e 13 a 24 nos erros não forçados.
João contra o top 3
Alexander Zverev, número três do mundo, será o adversário das quartas nesta sexta-feira. O alemão se classificou ao derrotar Zizou Bergs por 6/2 e 7/5, após ter sofrido bastante na estreia diante do chileno Cristian Garin, vindo do quali, saindo de 4 a 0 abaixo no terceiro set. Contra Bergs, que havia eliminado Andrey Rublev na rodada anterior, Zverev dominou o primeiro set e quase entregou o segundo: sacou para a vitória com 5/4 e foi quebrado, mas voltou a concentrar e fechou em 7/5.
O duelo entre Fonseca e Zverev será inédito no circuito e dá sequência a uma série que já rende história: nas últimas semanas, o brasileiro enfrentou Jannik Sinner nas oitavas de Indian Wells e Carlos Alcaraz na segunda rodada de Miami. O top 3 inteiro em três torneios seguidos.
Zverev não escondeu o respeito. "O saibro acho que é sua melhor superfície. Ele ganhou Buenos Aires e jogou bem antes nessa quadra. Estou empolgado para enfrentá-lo pela primeira vez. Ele é um jovem talento aparecendo. Acho que iremos nos enfrentar muitas vezes mais nos próximos anos", disse o alemão, que treinou com Bergs durante a semana e considerou o trabalho útil para decifrar o rival belga.
Zverev tem títulos em Roma e Madri, mas nunca foi finalista em Monte Carlo. Suas melhores campanhas no saibro monegasco foram duas semifinais, em 2018 e 2022.
O contexto histórico e o que vem pela frente
Em sua 11ª partida na chave principal de um Masters 1000, Fonseca chega às quartas pela primeira vez. Seu melhor desempenho anterior neste nível eram as oitavas de Indian Wells, no mês passado. O último brasileiro a ir tão longe em Monte Carlo foi Gustavo Kuerten em 2001, quando foi bicampeão repetindo o título de 1999. Guga acumula 20 quartas de final em Masters na carreira e cinco títulos no total.
Com a classificação, Fonseca sobe ao 35º lugar no ranking ao vivo e pode retornar ao top 30 com mais uma vitória. Em termos de pontos, uma vitória sobre Zverev daria ao carioca 400 pontos na semana, levando-o a 1.515 e exatamente ao 30º lugar, ainda que outros competidores como Tomas Machac, Hubert Hurkacz e Zizou Bergs também disputem posições. Ele já garantiu 158.700 euros em premiação e receberá 290.960 euros caso alcance as semifinais.
A campanha também fecha a conta dos pontos defendidos na temporada europeia de saibro. No ano passado, Fonseca somou 140 pontos com segunda rodada em Madri e terceira rodada em Roland Garros. Monte Carlo, Barcelona e Munique foram torneios que ele não disputou em 2025. Este ano, já superou toda essa marca com a primeira semana no Principado.
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