Heide mantém embalo e estreia com vitória no quali de Wimbledon
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Gustavo Heide não respeitou a troca de piso. Campeão no saibro de Poznan no último sábado, o paulista pisou pela primeira vez na grama do qualificatório de Wimbledon nesta segunda-feira e despachou o taiwanês Chun-Hsin Tseng por 2 sets a 0, com parciais de 7/6 (10-8) e 6/4, em 2h07. É a sexta vitória seguida do brasileiro, que agora está a dois jogos de disputar a chave principal do Grand Slam britânico pela primeira vez na carreira.

A campanha vencedora na Polônia, o maior título de Heide até aqui, fez mais do que encher a estante. Levou o paulista ao melhor ranking da carreira, o atual posto de número 138 do mundo, e o manteve inscrito no quali de Londres mesmo sem qualquer preparo específico na superfície. Heide chegou à grama vindo direto do saibro. Não pareceu.
Diante de Tseng, o atleta de 24 anos repetiu o que o levou ao título em Poznan: saque afiado. Foram sete aces e 74% de pontos ganhos com o primeiro serviço. No saldo geral, Heide ainda terminou à frente nos winners (26 a 25) e cometeu menos erros não forçados, 12 contra 20 do adversário. Margens curtas, mas todas a favor do brasileiro.
Um susto no primeiro set, controle no segundo
O caminho não foi tranquilo. Heide quebrou logo no quarto game do set inicial, mas viu o taiwanês reagir com quatro games seguidos e por pouco não saiu atrás. O paulista buscou o empate e levou a decisão ao tiebreak, onde salvou dois set-points antes de fechar em 10-8. Resolvida a parte difícil, a segunda parcial foi mais direta: quebra no sétimo game e administração da vantagem até o 6/4.
Na segunda rodada, Heide terá pela frente o colombiano Nicolas Mejia, número 168 da ATP, que eliminou o português Henrique Rocha, cabeça de chave 9, por 6/4, 6/7 (6-8) e 6/2, em 2h39 de batalha. O histórico recente sorri ao brasileiro: os dois se enfrentaram no challenger de Cali, em 2023, e Heide venceu por duplo 6/2.
Dia difícil para o resto da delegação
Se Heide manteve a trilha das vitórias, os outros três brasileiros no quali tiveram uma segunda-feira oposta.
O catarinense Pedro Boscardin, 244º do ranking, equilibrou o jogo na segunda parcial, mas caiu em sets diretos para o francês Kyrian Jacquet, cabeça de chave 25, por 6/1 e 7/6 (7-3), em 1h17. Jacquet agora enfrenta o italiano Andrea Guerrieri, que despachou o veterano David Goffin de virada, por 3/6, 7/5 e 6/2. O belga, em seu último ano no circuito, lutou, mas não resistiu.
O pernambucano João Lucas Reis vendeu mais caro a derrota. Diante do norueguês Nicolai Budkov Kjaer, oitavo favorito de apenas 19 anos, o número 236 do mundo levou a segunda parcial e estendeu o duelo por 2h03, mas caiu por 6/4, 6/7 (6-8) e 6/1. Budkov Kjaer pega na sequência o croata Matej Dodig ou o português Frederico Ferreira Silva.
Reis e Boscardin não conseguiram repetir Roland Garros, onde os dois haviam avançado uma rodada na fase prévia. Nenhum dos dois disputou eventos preparatórios na grama antes do terceiro Grand Slam da temporada.
O retorno frustrado de Meligeni
O paulista Felipe Meligeni Alves voltou às quadras após quase três meses e também não passou da estreia. O campineiro perdeu para o norte-americano Mackenzie McDonald, cabeça de chave 13, por 2 sets a 1, parciais de 6/2, 6/7 (5-7) e 6/3, em 2h09. Atual 806º do ranking, Meligeni usou o ranking protegido para entrar no qualificatório. Ele se machucou no tendão de Aquiles durante o challenger de São Leopoldo, no fim de março. McDonald terá pela frente o espanhol Roberto Carballes Baena.
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