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Los Angeles 2028: O caminho de Diego Gobbi e Laura Silva em busca de representar o squash brasileiro

  • 3 de mai.
  • 6 min de leitura

Quando o squash entrar em quadra pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, em Los Angeles em 2028, o Brasil quer ter presença. As chances de isso acontecer têm dois rostos: Diego Gobbi e Laura Silva.


Dois jogadores de squash, um homem e uma mulher, sorrindo. Vestem camisetas azul-marinho com logotipos, segurando raquete. Fundo desfocado.
Silva e Gobbi fazem parte da Seleção Brasileira de Squash (Foto: Roberto Fernandes/ CBSquash)

Gobbi, 30 anos, ranking 96 do mundo, precisa subir pelo menos 76 posições para chegar perto das vagas de ranking e enfrenta um caminho continental quase bloqueado por um peruano campeão mundial. Laura Silva, 18 anos, acaba de vencer seu primeiro Challenger adulto fora do país e chegou recentemente à semifinal de um torneio nos Estados Unidos. Os problemas são distintos. A bandeira que querem carregar é a mesma.


Os dois são do Esporte Clube Pinheiros. Os dois estão no circuito PSA (Associação Profissional de Squash), os dois lideram o ranking brasileiro em suas categorias. E os dois sabem que a janela olímpica, inédita para o squash, não fica aberta para sempre.


A conta de Diego

São 16 vagas para o masculino em LA28. Uma vai para os Estados Unidos como país-sede, cinco são continentais, oito vêm do ranking mundial da PSA e duas são reservadas pela Comissão Tripartite do COI como vagas de universalidade, para garantir representação global. Para a América do Sul, a vaga continental é definida pelos Jogos Pan-Americanos de 2027, em Lima. Gobbi já fez as contas e calcula que precisaria chegar perto dos top 20 para brigar por uma das oito vagas de classificação.


Hoje está na 96ª posição.


Em 14 anos de circuito profissional, acumula quatro títulos PSA, 112 vitórias em 211 partidas e um pico de carreira atingido em outubro de 2025: o ranking 85. O squash brasileiro nunca esteve tão perto de uma Olimpíada. Também nunca esteve tão longe do que precisaria ser para garantir a vaga.


O xará que bloqueia o caminho continental

A rota pelo Pan-Americano tem um dono quase certo. Diego Elias, 29 anos, peruano, foi o primeiro sul-americano a chegar ao número 1 do mundo, em abril de 2023, e desde então não saiu do top 5. Em 2024, foi campeão mundial no Egito, território dos melhores jogadores do planeta. Hoje ocupa o número 3 do ranking mundial.


O próprio Gobbi reconhece o tamanho do obstáculo. "Temos um cara que foi campeão mundial recentemente, em 2024, vencendo na casa dos grandes nomes do esporte, os egípcios", disse ao Olimpíada Todo Dia. O detalhe que piora o quadro: o Pan-Americano de 2027 acontece em Lima. Elias joga em casa.


Com a vaga continental praticamente fora do alcance, o ranking passa a ser a rota mais viável. "Não sei que ladeira eu escolheria, mas acredito que o ranking seja a melhor", admitiu Gobbi na mesma entrevista.


De São Paulo a Barcelona

Diego Gobbi cresceu na Zona Norte de São Paulo em uma família com história no tênis. Sua mãe foi casada com Armando Cornejo, irmão de Patrício Cornejo, um dos grandes nomes do tênis chileno. O squash chegou pela influência do irmão Sabino Cornejo, que se apaixonou pela modalidade em uma academia local e passou a dar aulas. Diego acompanhava, tentava reproduzir, foi tomando gosto. Aos 17 anos, a escolha era entre o esporte de alto rendimento e a vida acadêmica. Ficou com a raquete.


Dois jogadores em ação em partida de squash, com raquetes em mãos. Público ao fundo fica atento. Predominância de tons vermelhos e pretos.
Gobbi em ação (Foto: Divulgação)

Em 2025, tomou outra decisão: se mudou para Barcelona, onde treina na BGS (Barcelona Global Squash), uma das principais academias de alta performance do mundo. A lógica era direta: o squash de ponta não acontece em São Paulo, e o nível de treinamento precisava acompanhar a ambição. Bicampeão sul-americano, semifinalista de torneios PSA na Índia, campeão do Helsinki Challenger. O currículo cresceu depois que o ambiente mudou.


"Essa decisão já tinha sido tomada, porque eu quero me tornar um top 50 do mundo em até quatro anos. Mas é óbvio que isso me motiva muito mais. Eu me coloco como o atleta com mais potencial para ter essa vaga, ninguém quer mais do que eu. Dou muito valor ao meu trabalho, sei o quanto me cuido e, se eu realmente conseguir, vou tatuar na testa, tem que valorizar muito", disse ao olympics.com ao comentar a inclusão do squash no programa olímpico.


De 96 para os top 20. O caminho existe, é longo, e tem uma tatuagem esperando no fim. Nós, claro, não vamos cobrá-lo para que seja na testa.


A conta de Laura

Laura Silva é de Campinas. O pai, Josafá Bezerra da Silva, conheceu o squash aos 24 anos e se apaixonou. Treinou a esposa, que chegou a ser a número 2 do Brasil profissional. O irmão mais velho de Lauro, Kiki Silva, foi eleito o melhor juvenil da história do squash brasileiro, com seis títulos sul-americanos e a liderança do ranking nacional. Laura é a terceira integrante da família dentro das quadras. Treina na Academia João Soares, em Campinas, na Jota Squash, de duas a três horas por dia, e compete pelo Esporte Clube Pinheiros.


Jogadora de squash vestida de azul, raquete erguida, se prepara para golpear a bola em quadra com logotipos nas paredes. Atmosfera de foco.
Laura Silva (Foto: Matheus Roushinol / EC Pinheiros Divulgação)

A conta de Laura Silva é diferente. Não no tamanho do desafio, mas no fator que Gobbi não tem mais de sobra: tempo.


A paulista tem 18 anos, e em março venceu o Challenger Alizia Txoperena na Espanha. Em abril, chegou à semifinal do Challenger da Filadélfia como segunda cabeça de chave. Dois meses, dois continentes, dois resultados consistentes que o o esporte nacional merecia estar discutindo e dando mais visibilidade.


"Eu estou muito feliz com mais um título PSA. Foi uma conquista muito importante para mim, pois foram jogos duros e estou feliz de ter conseguido o título e a vitória hoje. Só tenho a agradecer a todos que estão comigo", disse após a conquista na Espanha.


Tetracampeã nacional e atual número 105 do mundo, ela abriu 2026 no ritmo de quem não perdeu tempo na transição do juvenil para o adulto. Ao título espanhol somou o ouro no Sul-Americano Juvenil de duplas mistas. Na Filadélfia, superou a croata Franka Vidovic por 3 a 1, eliminou a sul-coreana Lee Jihyun em sets diretos e só parou na americana Lucie Stefanoni por 3 a 0, então 115 do ranking.


Stefanoni é jogadora da Universidade de Harvard. Ela é um caso bem peculiar no circuito, e seu ranking não reflete seu talento: três vezes campeã nacional dos EUA no juvenil, representou o Team USA em três Mundiais Juvenis e é All-American pela College Squash Association, mas continua estudante universitária enquanto compete no circuito profissional.


Na temporada 2025/26, terminou com 11 vitórias e 2 derrotas competindo por Harvard, sendo eleita por três vezes All-American de primeira equipe. O título All-American é uma seleção anual das melhores jogadoras do campeonato universitário americano, dividida em primeira, segunda e terceira equipe.


Cair na semifinal como segunda favorita na Filadélfia não é tropeço. É confirmação de nível.


A campanha na Espanha e o prêmio Fair Play nos EUA

O caminho espanhol não foi simples. Nas oitavas, Laura bateu a compatriota Juliana Feibelmann por 3 a 0. Nas quartas, a inglesa Ameli Haworth levou o confronto para o quinto set, mas cedeu. Na semifinal, mais uma inglesa no caminho: Olivia Owens, superada por 3 a 1. Na final, a equatoriana Rafaela Albuja não encontrou brechas e caiu em sets diretos, com parciais de 11/8, 11/7 e 11/9. Quatro jogos, quatro vitórias, com resistência calibrada pelo nível das adversárias.


Os pontos do título espanhol empurraram Laura para perto do top 100. Em abril, ao chegar à Filadélfia já como número 105 do mundo, a posição de cabeça de chave confirmava o avanço.


Laura Silva foi a primeira brasileira a alcançar as oitavas de final de um Campeonato Mundial Juvenil de squash. No torneio disputado em Houston, no Texas, levou também o prêmio Fair Play. A trajetória no juvenil foi construída como base, não como teto.


Com quatro títulos nacionais, dois troféus internacionais já em 2026 e 18 anos, é o nome que a Confederação Brasileira de Squash aposta para brigar pela vaga olímpica em Los Angeles. O squash estreia nos Jogos em 2028.


Editorial

Gobbi tem a promessa de tatuagem. Laura tem 18 anos, pouca idade, e, se precisar de mais tempo, uma segunda chance de realizar o sonho olímpico em Brisbane 2032. Os dois querem a mesma bandeira. O relógio corre diferente para cada um

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