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Luz e Matos encerram jejum de 43 anos do Brasil

há 10 horas
3 min de leitura

Orlando Luz e Rafael Matos estão no ATP Finals. A dupla gaúcha venceu o argentino Mariano Navone e o chileno Alejandro Tabilo por 6/4 e 6/3, em 61 minutos, na estreia do Masters 1000 de Paris, nesta quarta-feira, e depois assistiu de camarote à queda dos dois concorrentes diretos pela última vaga em Turim.


Tenista de branco com raquete laranja, abraçado por outro de azul em quadra escura, clima tenso e concentrado.
Rafael Matos e Orlando Luz (Foto: BNP Paribas Fortis European Open)

O resultado tem peso de livro de história. Desde 1983, quando Cássio Motta e Carlos Kirmayr disputaram o torneio que fecha a temporada, o Brasil não levava uma parceria inteiramente nacional ao Finals. Luz e Matos serão os sétimos brasileiros a jogar a chave de duplas do evento e apenas a segunda dupla 100% verde-amarela a fazê-lo. Foram 43 anos de espera.


A vitória sobre dois especialistas em simples, abrindo a programação do dia, levou os gaúchos a 3.995 pontos na corrida. Logo atrás estavam o argentino Guido Andreozzi e o francês Manuel Guinard, com 3.955, e os britânicos Julian Cash e Lloyd Glasspool, com 3.820. Bastava que os dois tropeçassem. Tropeçaram.


Andreozzi e Guinard caíram diante dos tchecos Adam Pavlasek e Patrik Rikl em dois tiebreaks, 7/6(5) e 7/6(3), em 1h32. Cash e Glasspool resistiram mais, mas também se despediram na primeira rodada, derrotados pelos franceses Theo Arribage e Albano Olivetti por 6/7(5), 6/3 e 11/9. Sem chance matemática para nenhuma das duas parcerias, a vaga passou a ser brasileira.


A meta não era segredo. Em entrevista ao Olympics.com publicada em agosto, logo depois da dobradinha em Montreal e Cincinnati, Luz já falava em Turim como o objetivo que deu origem à parceria. “Imaginar que a gente pode chegar num ATP Finals é algo grandioso”, disse na ocasião, acrescentando que estar entre os oito da corrida começava a tornar o plano mais concreto.


De Motta e Kirmayr a Luz e Matos

Entre a dupla de 1983 e a de agora, o Brasil não ficou ausente do Finals, mas sempre dividiu a quadra com estrangeiros. Jaime Oncins, Marcelo Melo e Bruno Soares disputaram o torneio com parceiros de outras nacionalidades. Em simples, a lista tem um nome só: Gustavo Kuerten, que foi a Lisboa em 2000, ficou com o título e saiu de lá como número 1 do mundo.


Motta e Kirmayr, vale lembrar, formavam uma parceria vencedora no circuito do início dos anos 1980, com títulos em Veneza, São Paulo e Lisboa e finais em Indianápolis e Cincinnati em 1983. Quatro décadas depois, Cincinnati volta a aparecer na história. Desta vez, com troféu.


Montreal, Cincinnati e a temporada da afirmação

Luz e Matos somam quatro títulos de nível ATP em 2026. Abriram o ano no saibro sul-americano, com as conquistas nos ATP 250 de Buenos Aires e Santiago, e subiram de patamar na quadra dura norte-americana: em Montreal, tornaram-se a primeira dupla inteiramente brasileira a ganhar um Masters 1000, e dez dias depois repetiram a dose em Cincinnati, ambas as finais decididas no match tie-break. Segundo a ATP, foram apenas a quinta parceria da Era Aberta a vencer os dois torneios na mesma temporada, a primeira desde Pierre-Hugues Herbert e Nicolas Mahut, em 2017.


No meio do caminho ainda houve o título do challenger de Braunschweig, em julho, apontado pelos próprios jogadores ao Olympics.com como o ponto de virada da temporada. Antes disso, em janeiro, a dupla já havia alcançado as quartas de final do Australian Open.


O jogo contra Navone e Tabilo

A classificação veio na hora certa, porque o outono vinha sendo magro. Depois do US Open, Luz e Matos só tinham passado de rodada em Bruxelas e haviam parado na estreia em Pequim, Xangai e Viena.


Em Paris, a reação foi imediata. Os brasileiros quebraram o saque adversário logo no primeiro game e passaram o resto do set apenas administrando a vantagem. Na parcial seguinte, o roteiro se repetiu: abriram 2/0 e fecharam no segundo match-point.


Os números explicam a tranquilidade. Foram quatro aces e 82% de aproveitamento nos pontos jogados com o primeiro serviço, com os três break-points enfrentados salvos. Na devolução, converteram três das nove oportunidades de quebra que criaram.


Antes de Turim, ainda há Paris. Cabeças de chave 8, Luz e Matos enfrentam nas oitavas de final quem passar do duelo entre os austríacos Lucas Miedler e Neil Oberleitner e os franceses Arthur Reymond e Luca Sanchez.


O ATP Finals será disputado de 15 a 22 de novembro, na Inalpi Arena, em Turim. Os gaúchos completam a lista de oito parcerias, ao lado de Harri Heliovaara e Henry Patten (atuais campeões), Christian Harrison e Neal Skupski, Marcel Granollers e Horacio Zeballos, Marcelo Arévalo e Mate Pavic, Simone Bolelli e Andrea Vavassori, Kevin Krawietz e Tim Puetz (campeões de 2024) e Arribage e Olivetti, justamente os franceses que tiraram Cash e Glasspool da corrida nesta quarta. Arévalo e Pavic, aliás, conhecem bem os brasileiros: foram os derrotados na final de Montreal.

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