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Mensik supera Fonseca e encerra sonho em Roland Garros

  • 2 de jun.
  • 7 min de leitura

Atualizado: 2 de jun.

João Fonseca caiu diante de Jakub Mensik nas quartas de final de Roland Garros nesta terça-feira, na Philippe-Chatrier, por 6/4, 6/3 e 7/6 (7-3), em 2h44min de uma partida que misturou tudo: domínio técnico do tcheco nos dois primeiros sets, uma reação emocional do brasileiro no terceiro, seis match-points salvos e, no fim, a constatação de que o adversário do outro lado da rede tinha mesmo currículo, saque e cabeça mais maduros para a ocasião. Aos 20 anos, Mensik vai à primeira semifinal de Grand Slam da carreira. Na sexta-feira, encara Alexander Zverev, número 3 do mundo e principal favorito ao título em Paris.


Tenista de boné branco segura uma bola de tênis, em quadra, com expressão concentrada e camiseta roxa.
João Fonseca é o melhor sul-americano no ranking da ATP — Foto: Clive Brunskill/Getty Images

A derrota encerra a melhor campanha de Fonseca em Majors, mas a frase precisa ser dita com cuidado para não soar como consolo. O carioca de 19 anos, número 30 do mundo, entrou na quadra principal de Roland Garros vindo de quatro vitórias sobre Luka Pavlovic, Dino Prizmic, Novak Djokovic e Casper Ruud, recolocou o Brasil entre os oito melhores de um Grand Slam no masculino pela primeira vez desde Gustavo Kuerten, em 2 de junho de 2004, e sai de Paris como o 25º do mundo, melhor sul-americano do ranking da ATP. Em onze anos, nenhum brasileiro havia chegado a esse posto. A última campanha terminou pior do que poderia. Mas começou e seguiu melhor do que qualquer brasileiro nos últimos vinte e dois anos.


O teto fechado e o jogo mais lento

A partida foi disputada sob o teto da Philippe-Chatrier, fechado por causa da chuva intermitente que tomou Paris ao longo do dia. Em quadra coberta, o saibro fica mais pesado, a bola perde velocidade e quem depende de potência precisa ajustar o calibre. Mensik ajustou. Fonseca, não na mesma medida. O tcheco veio para a partida disposto a controlar o ritmo, sacar com peso, ficar em cima da linha de fundo e variar com curtinhas e mudanças de direção sempre que o brasileiro tentasse trocar bola na base. Foi uma decisão tática inteligente e consistente do começo ao fim.


Fonseca passou o primeiro set jogando em um padrão razoável, mas insuficiente. Um único game ruim no serviço, com três erros de forehand, foi o bastante para Mensik encaixar a quebra que decidiria a parcial. O tcheco não enfrentou um único break-point em seu serviço, fechou em 6/4 após 42 minutos e deixou no ar a pergunta que o resto da partida confirmaria: se o brasileiro não conseguisse incomodar o saque do adversário, não haveria de onde tirar o jogo.


O segundo set e o game que custou caro

O roteiro se repetiu no segundo set, com requintes de crueldade. No quinto game, sacando, Fonseca abriu 40-0. Um set que poderia ter ido para 3-2 com confiança virou armadilha. Veio uma dupla falta. Veio um smash errado. Veio um voleio torto. Mensik não pediu duas vezes: virou o game, confirmou a quebra e seguiu administrando o saque com a tranquilidade que vinha desde o início da partida. Fechou em 6/3 após 39 minutos. O brasileiro chegou ao intervalo entre o segundo e o terceiro set com cara de quem já entendia que precisaria de outra coisa para sobreviver à noite.


O terceiro set: três duplas faltas, dois set-points desperdiçados, seis match-points salvos

A outra coisa apareceu logo no primeiro game do terceiro set. Mensik fez três duplas faltas no mesmo game e ofereceu a Fonseca a primeira quebra da partida. O tcheco também começou a levar a mão à parte de trás do corpo, com sinais de desconforto físico, repetindo um quadro que já havia incomodado contra Mariano Navone na segunda rodada. Por alguns games, pareceu que o roteiro mudaria. Fonseca abriu 2/0, cedeu o empate, mas recuperou a vantagem e chegou a 5/3, sacando para fechar o set.


O game seguinte durou dez minutos. Fonseca teve um set-point e precisou se salvar de quatro chances de quebra antes de, enfim, perder o serviço. Mensik reencontrou a eficiência do primeiro saque no momento exato em que precisava reencontrar. Empatou em 5/5. O brasileiro ainda teve um break-point logo depois, sem aproveitar. A reta final do set virou uma disputa de quem sucumbiria primeiro, com os dois sacadores sob pressão crescente, Fonseca dependendo demais do segundo serviço, Mensik fazendo as devoluções um passo dentro da quadra. Em um único game histórico desta edição de Roland Garros, o carioca salvou seis match-points, incluindo um smash que o tcheco entregou ao jogar para fora com a bola pronta na mão. Forçou o tiebreak.

No tiebreak, Mensik não deu chance. Abriu vantagem no comecinho, não a entregou e fechou o jogo como devolvedor, arriscando uma curtinha. Mereceu a vitória.


"Ele é um grande garoto, um grande competidor"

Após a partida, o tcheco fez questão de elogiar o adversário, apesar do placar de três sets a zero. "Ele é um grande garoto, um grande competidor. No fim do jogo tivemos lances incríveis, que me fizeram me esforçar bastante, principalmente no tie-break do terceiro set, quando tivemos um jogo muito duro. Ele está de parabéns pela campanha", disse Mensik.


Sobre a própria atuação, o tcheco admitiu o nervosismo do início e a evolução ao longo da partida. "Eu comecei o jogo um pouco nervoso, mas depois entrei na partida e essa foi uma das minhas melhores performances esse ano. Estou muito feliz de ter passado e agora vou procurar dar o meu melhor para passar de fase de novo", afirmou.


O salto no ranking e o tabu de 11 anos

A campanha em Roland Garros faz Fonseca pular cinco posições no ranking da ATP, do 30º para o 25º lugar, com base na atualização em tempo real. O brasileiro fica a uma posição de igualar o melhor ranking da carreira, alcançado em janeiro. Mais importante: torna-se o melhor sul-americano do circuito, posto que nenhum brasileiro ocupava desde outubro de 2015, quando Thomaz Bellucci era o número 33 do mundo e superava o argentino Leonardo Mayer. Antes disso, em maio de 2011, Bellucci também havia assumido a liderança continental ao saltar para o 22º lugar após a semifinal histórica no Masters 1000 de Madri.


A reconquista encerra uma década dominada por Argentina e Chile no comando do tênis sul-americano, com nomes como Diego Schwartzman, Juan Martín del Potro, Nicolás Jarry e Alejandro Tabilo. Atrás de Fonseca, a lista atual dos melhores sul-americanos traz o argentino Francisco Cerúndolo (27º), o também argentino Tomás Martín Etcheverry (30º), Tabilo (31º) e Mariano Navone (38º). A atualização oficial sai na próxima segunda-feira, com a única ressalva de que Fonseca pode perder uma posição caso o título do torneio fique com Matteo Berrettini ou Matteo Arnaldi, ainda assim mantendo a dianteira sul-americana.


Vinte e dois anos depois de Guga

O nome de Gustavo Kuerten apareceu em duas pontas desta partida. Na arquibancada, o tricampeão de Roland Garros assistiu a Fonseca pelo segundo jogo seguido em Paris. Na estatística, foi inevitável: o último brasileiro a chegar às quartas da chave masculina de simples de Roland Garros tinha sido o próprio Guga, em 2 de junho de 2004, exatamente vinte e dois anos antes desta terça-feira. Antes de Kuerten e Fonseca, apenas Thomaz Koch (em 1968, aos 18 anos) e Fernando Meligeni (semifinalista em 1999) haviam alcançado essa fase do torneio na chave masculina. Entre as mulheres, Beatriz Haddad Maia foi semifinalista em 2023.


Fonseca também entra em outra lista, de outro tipo. É o brasileiro mais novo de uma seleta turma de adolescentes que chegou às quartas de Roland Garros neste século, ao lado de Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, Ernests Gulbis, Jannik Sinner, Carlos Alcaraz, Holger Rune e Rafael Jodar, este último também nas quartas em 2026.


O duelo mais jovem das quartas desde Nadal e Djokovic em 2006

O confronto entre Fonseca, de 19 anos, e Mensik, de 20, foi o duelo mais jovem das quartas masculinas de Roland Garros desde Rafael Nadal e Novak Djokovic em 2006. A comparação é generosa com qualquer um dos dois, mas ajuda a entender o que está em jogo nesta edição do Grand Slam francês: três tenistas com até 20 anos chegaram às quartas pela primeira vez em um Major, somando Fonseca, Mensik e o espanhol Rafael Jodar, derrotado por Zverev mais cedo na mesma terça-feira.


O retrospecto contra Mensik

Foi o segundo duelo entre os dois no circuito. O primeiro havia sido no Next Gen ATP Finals de 2024, na fase de grupos, com vitória de Fonseca no caminho que terminou com o título do brasileiro. Os dois também se encontrariam nas oitavas do ATP 500 da Basileia, em outubro de 2025, mas Mensik desistiu antes mesmo de entrar em quadra, por uma lesão no pé esquerdo. Aquele torneio terminaria com Fonseca campeão, no maior título da carreira até o momento.


O currículo do tcheco, antes da semifinal inédita em Slams, já era considerável. Em 2025, conquistou o Masters 1000 de Miami ao derrotar Djokovic na final. Em 2026, somou o ATP 250 de Auckland. Em Paris, sua vitória sobre Fonseca foi também a 11ª de sua carreira contra um adversário do top 10, contagem que inclui a vitória sobre Alex de Minaur na terceira rodada deste mesmo Roland Garros. Com a semifinal, Mensik saltará para a 16ª posição do ranking da ATP.


A semifinal e o calendário de Fonseca

Na sexta-feira, Mensik encara Alexander Zverev. O alemão, número 3 do mundo, derrotou Rafael Jodar mais cedo no mesmo dia por 7/6 (7-3), 6/1 e 6/3 e venceu o único confronto direto entre os dois, disputado neste ano no Masters 1000 de Madri.


Fonseca volta ao circuito no ATP 500 de Halle, na grama alemã, com início em 15 de junho. Na sequência, joga o ATP 250 de Eastbourne, na Inglaterra, como última preparação para Wimbledon, que começa em julho. Roland Garros 2026, mesmo encerrado pela porta da entrada das semifinais, já é o Grand Slam com mais vitórias brasileiras da história, número alimentado também por Luisa Stefani, classificada para a semifinal de duplas femininas. O calendário continua. O carioca, agora, é um dos vinte e cinco melhores do mundo.

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