Naná Silva quebra tabu, avança às quartas do US Open e ainda dispara ace de 194 km/h
Aos 16 anos, a paulista Nauhany Vitória Leme da Silva, a Naná, superou a russa Felitsata Dorofeeva-Rybas por 6/2 e 6/4 nesta quarta-feira e avançou às quartas de final do US Open Junior, em Nova York.

O resultado tem peso histórico. O torneio juvenil existe desde 1978 e, até esta quarta, nenhuma brasileira havia passado da fase das oitavas de final entre as mulheres: o teto pertencia a Miriam D'Agostini (1995), Dadá Vieira (1988), Christina Rozwadowski (1980) e Cláudia Monteiro (1978).
Cabeça de chave 8, Naná bateu a 11ª favorita, 15ª do ranking juvenil da ITF, e vive de quebra sua melhor campanha de Grand Slam: em seu oitavo torneio da categoria, é a primeira vez que passa das oitavas, fase em que havia caído neste ano em Roland Garros e no ano passado em Wimbledon.
O saque que dialoga com o circuito principal
Se o resultado já seria manchete por si só, o detalhe que rouba a cena é o saque. Durante a vitória sobre Dorofeeva-Rybas, Naná cravou um ace de 194 km/h (120 mph) e fechou a partida com média de 116 mph no primeiro serviço.
Para efeito de comparação, o saque mais rápido de Carlos Alcaraz na madrugada de terça para quarta, na derrota para Ben Shelton nas quartas de final do US Open profissional, foi de 208 km/h (129 mph). A distância entre a arma de uma juvenil de 16 anos e o que há de mais rápido no circuito principal masculino está encolhendo, e o próprio perfil oficial da brasileira já tratava o saque como o principal trunfo do seu jogo.
O início contra a russa não poderia ter sido melhor. Naná perdeu apenas três pontos nos três primeiros games, abriu duas quebras seguidas e ainda salvou dois break points para confirmar o saque e sair na frente por 4 a 0. Depois, administrou a vantagem até fechar a primeira parcial.
A segunda foi mais disputada. Por duas vezes a russa ficou com um break de desvantagem e conseguiu buscar o empate, mas esbarrou na reação brasileira no nono game: Naná voltou a quebrar o saque de Dorofeeva-Rybas e confirmou o seu na sequência para fechar a partida em 1h05min.
Duplas também embalam, e mais um teste está logo à frente
Não é só nas simples que a semana é boa. Ao lado da compatriota Victória Barros, Naná forma a segunda dupla mais bem cotada da chave juvenil feminina. Na estreia, a parceria 100% brasileira superou a chinesa Yu Jun Lin e a russa Ekaterina Dotsenko por 6/4, 5/7 e 10/6 no super tiebreak, e agora aguarda o duelo contra as gêmeas norte-americanas Annika e Kristina Penickova, pelas oitavas de final.
Nas simples, a brasileira ainda não sabe quem enfrenta na semifinal: aguarda a vencedora do confronto entre a norte-americana Chukwumelije Clarke, de 17 anos, e a chinesa Ruien Zhang, de 18 anos, que despachou nesta chave a até então terceira favorita e campeã do Australian Open, a francesa Ksenia Efremova.
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