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Wimbledon endurece regras para influenciadores após crise de etiqueta no US Open

há 2 dias
4 min de leitura

Wimbledon vai restringir o acesso de influenciadores digitais à sua edição de 2027, em resposta direta à sequência de episódios que transformaram o US Open 2026 em uma polêmica sobre etiqueta dentro de quadra. O torneio britânico não terá mais uma categoria específica de credenciamento para criadores de conteúdo, e itens como luzes de selfie (as chamadas ring lights) poderão ser confiscados na entrada do complexo.


Em Wimbledon, ring lights poderão ser confiscadas
Em Wimbledon, ring lights poderão ser confiscadas

A decisão do All England Club fecha, por ora, um ciclo de reclamações que começou ainda na primeira rodada do US Open e passou por pelo menos seis capítulos distintos em pouco mais de uma semana.


Como começou: a estreia de Osaka

O estopim foi a vitória de Naomi Osaka sobre a russa Anastasia Zakharova, por duplo 7/6, na Arthur Ashe. Um grupo de influenciadores em um camarote usou luzes portáteis para produzir conteúdo durante o jogo, e a árbitra precisou parar a partida até que o grupo se recolhesse. Dias depois, Osaka cobrou mais informação por parte do público novo: "Acho que é uma questão de educação básica se informar sobre o esporte, especialmente sobre a etiqueta. Pode ser bom ver pessoas popularizando o tênis para seus públicos específicos, mas isso precisa ser muito melhor gerido, especialmente em situações como a do meu jogo de estreia."



Neste ano, o US Open credenciou cerca de 100 influenciadores, o dobro dos 54 registrados em 2025, parte de uma estratégia deliberada do torneio para atrair público jovem também para categorias de moda, gastronomia e estilo de vida, não apenas de esporte.


Pegula e Gauff cobram limite

A número 3 do mundo, Jessica Pegula, foi além do episódio de Osaka e resumiu o incômodo da classe depois de vencer sua partida de segunda rodada. "As pessoas estão lá embaixo tentando se apresentar. É a carreira delas, é o trabalho delas. Parece um pouco desrespeitoso."


Pegula fez questão de não generalizar a crítica: "Acho que consigo entender os influenciadores vindo mostrar a experiência do US Open. Mas é complicado quando você vê vídeos deles tirando fotos e usando luzes de selfie assim."


Coco Gauff, atual número 4, adotou tom mais conciliador, mas também marcou posição: "Acho legal ter uma demografia nova, acho que isso ajuda o esporte a crescer. Mas se você foi convidado para um tapete vermelho, não vai aparecer de jeans."



Mannarino e o "zoológico"

O francês Adrian Mannarino ampliou a lista de queixas para além das câmeras. O tenista criticou a permissividade da organização com a circulação de pessoas nas arquibancadas durante os pontos, o que atrapalha a concentração dos atletas, além do barulho constante em diferentes áreas do complexo e do forte cheiro de maconha que invade algumas quadras vindo do Corona Park, vizinho ao complexo da USTA. Para Mannarino, o torneio estaria "virando uma espécie de zoológico".


O próprio cheiro de maconha rendeu um episódio à parte. Durante a vitória de Aryna Sabalenka sobre a uzbeque Kamilla Rakhimova, pela terceira rodada, no Louis Armstrong Stadium, a número 1 do mundo interrompeu o próprio saque para avisar a árbitra Eva Asderaki-Moore: "Alguém está fumando maconha. Será que dá pra resolver? Porque está muito forte."



Depois da partida, Sabalenka disse à imprensa: "Eu meio que falei, gente, vocês podem fazer o que quiserem, podem fumar o que quiserem, relaxar à vontade, mas por favor não façam isso perto das quadras. É complicado lidar com esse cheiro enquanto você está tentando competir no seu melhor nível."


Influenciadores barrados e a bronca de Becker

A crise ganhou um capítulo mais concreto quando duas influenciadoras foram barradas do complexo por inconsistência nas credenciais. Meg Radice e Audrey Jongens, à frente da plataforma de estilo de vida The VIP List, com mais de 500 mil seguidores somados entre TikTok e Instagram, disseram à TMZ acreditar que o acesso havia sido revogado depois de publicarem fotos de seus passes nas redes. A USTA, porém, afirmou que a dupla havia sido credenciada indevidamente como funcionárias de fornecedores do torneio.



O alemão Boris Becker, ex-número 1 do mundo, entrou na discussão com a irreverência de sempre. "Eles não podem simplesmente fazer o que querem. Atrapalham toda a atmosfera, todo o ritmo do jogo, influenciadores ou não. É claro que o fiscal precisa olhar e dizer: 'tudo bem, mas quando os jogadores estiverem sentados, não enquanto estiverem jogando'", disse ao Sporteurope. "Eu teria mandado algumas bolas lá para cima, pode ter certeza", completou.


O que fica da polêmica

Diante do volume de reclamações, muitas delas de jogadoras entre as principais do circuito, Wimbledon decidiu agir antes mesmo de sua própria edição de 2027 começar.


Além de eliminar a categoria de credenciamento para criadores de conteúdo, o All England Club vai rever normas internas sobre o uso de redes sociais dentro do complexo, como parte da atualização anual de suas diretrizes.


A questão que fica em aberto é até que ponto a responsabilidade deve recair só sobre os influenciadores. Muitos deles foram convidados oficialmente pelos próprios torneios, dentro de uma estratégia de expansão de público que o esporte inteiro vem adotando. O US Open segue sem anunciar qualquer restrição equivalente à de Wimbledon para 2027.

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