O Valor do Conhecimento e dos Ambientes que Desafiam
- Haroldo Zwetsch Júnior

- 18 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Com mais de três décadas dedicadas ao ensino do tênis, Haroldo Zwetsch Jr. é hoje uma das principais referências nacionais na formação de jogadores de alto rendimento. Colunista da Nittenis e responsável por uma metodologia que já transformou centenas de atletas, Haroldo combina experiência prática, pesquisa e uma visão profundamente humana do processo de aprendizagem no esporte.
No artigo a seguir, ele compartilha reflexões que trouxe do Congresso Mundial de Treinadores da ITF, evento que reuniu profissionais de todo o mundo para discutir os desafios contemporâneos do desenvolvimento do tênis. A partir de sua participação, que incluiu a apresentação de um projeto próprio voltado à inteligência tática precoce, Haroldo destaca como o conhecimento, a troca e o ambiente certo podem acelerar a evolução do atleta.
O texto convida o leitor a repensar o papel do treinador e a importância de criar contextos que desafiem, inspirem e ampliem repertórios. Para Haroldo, a transformação no tênis não nasce da ruptura, mas da capacidade de conectar tradição, inovação e propósito, sempre com foco no desenvolvimento integral do jogador e no impacto educativo do esporte.
O Valor do Conhecimento e dos Ambientes que Desafiam
Haroldo Zwetsch

No final de outubro, participei do Congresso Mundial de Treinadores da ITF, realizado na Lituânia, que reuniu quase 600 profissionais de todo o mundo com um objetivo comum: compreender como continuar evoluindo o ensino e o desenvolvimento do tênis em um cenário global cada vez mais dinâmico. Tive também a oportunidade de apresentar uma palestra sobre um projeto que venho desenvolvendo há alguns anos, voltado à inteligência tática de crianças a partir dos 8 ou 9 anos, mostrando como é possível acelerar a leitura e a tomada de decisão no jogo desde cedo, dentro de uma metodologia que integra percepção, ação e aprendizado significativo.
Mais do que um congresso, o evento representou um verdadeiro exercício de reflexão coletiva. Ficou evidente que, apesar das diferenças culturais e estruturais entre os países, os desafios do tênis são universais. Todos nós — treinadores, professores, gestores e formadores — enfrentamos as mesmas perguntas: como despertar o interesse das novas gerações? Como tornar o processo de aprendizagem mais rápido, mais engajador e mais prazeroso? Como manter o equilíbrio entre tradição e inovação dentro de um esporte que evolui a cada temporada?
A principal lição é que ninguém precisa reinventar a roda do tênis. O que precisamos é encontrar mecanismos mais inteligentes e contextualizados, alinhados com a forma como as novas gerações aprendem, se comunicam e se motivam. A velocidade do mundo atual exige de nós uma nova maneira de ensinar — mais criativa, mais conectada e mais humana.
O tênis é um esporte que atravessa todas as fases do desenvolvimento humano. Ele começa na iniciação, passa pela formação e chega ao alto rendimento. E para que o rendimento realmente aconteça, a base precisa ser forte, ampla e participativa. Quanto mais pessoas envolvidas, maior a chance de revelar talentos. Cada criança que começa a jogar é uma semente de futuro, e cada treinador comprometido com o ensino é um jardineiro que cultiva esse terreno.
Por isso, o conhecimento e a capacitação contínua não são opcionais — são o combustível que mantém viva a paixão pelo que fazemos. Estar em ambientes de desafio, trocar ideias com profissionais de diferentes culturas e visões, amplia nossa percepção e reforça a ideia de que o tênis é muito mais do que técnica e resultado. Ele é uma plataforma de educação, formação de caráter e transformação social.
Sair de um evento como esse com uma visão mais holística sobre o esporte é o que nos faz crescer — não apenas como técnicos, mas como pessoas. Porque, no fim, ensinar tênis é também aprender sobre o jogo da vida.
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Boa reflexão. O tênis é mais que técnica e resultados, atua na formação, caracter e relacionamento social. Parabéns pelo texto.