"Quero largar o tênis agora mesmo", desabafa Sabalenka após sofrer virada incrível
- 3 de jun.
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Diana Shnaider derrotou a bielorrussa Aryna Sabalenka por 3/6, 7/5 e 6/0 nas quartas de final de Roland Garros nesta quarta-feira, em virada construída sobre 10 games consecutivos que destruíram a número 1 do mundo quando ela sacava para avançar à semifinal.
A canhota russa de 22 anos, 25ª cabeça de chave, entrou em quadra com um retrospecto sombrio contra as melhores do mundo: onze derrotas seguidas contra o top 10, e a última vitória nesse nível datava de Toronto 2024, quando bateu Coco Gauff. Era também o primeiro encontro da carreira com Sabalenka. Nenhuma dessas estatísticas sobreviveu à tarde em Philippe-Chatrier.
"Estou sem palavras. Estou muito feliz. Hoje as condições eram difíceis com o vento, e era a primeira vez que eu jogava contra Aryna. Estava muito nervosa por estar nas quartas pela primeira vez", disse Shnaider à plateia logo após o jogo.
O colapso de Sabalenka
O primeiro set foi de domínio absoluto da bielorrussa. Duas quebras, parcial de 6/3, sem sustos. No segundo, Sabalenka abriu 4/1 e chegou a sacar para o jogo em 5/4, a dois pontos da semifinal. Foi nesse momento que o roteiro virou: Shnaider quebrou o serviço da líder do ranking e não parou mais.
A russa devolveu as duas quebras de desvantagem no segundo set, fechou em 7/5 e entrou no terceiro com o vento soprando na mesma direção que ela. O resultado foi um "pneu" em Sabalenka, algo que a bielorrussa não conseguia explicar nos minutos seguintes. "Não tenho pensamentos, não tenho emoções. Quero largar o tênis agora mesmo. Veremos em alguns dias", disse Sabalenka ao abrir a coletiva de imprensa.

Questionada sobre o que aconteceu nos últimos games, Sabalenka foi direta: "Acho que mentalmente entrei em um buraco muito, muito escuro ali, e simplesmente não consegui me recuperar mentalmente."
A bielorrussa também questionou a decisão de manter o teto aberto durante a partida: "Não sei por que manteriam o teto aberto quando o vento estava assim, absurdo", afirmou, antes de se corrigir: "Mas como posso reclamar se quase durante toda a partida as coisas funcionavam para mim, e então simplesmente escapuliu?"
A virada de Shnaider
Do lado da vencedora, a leitura foi diferente. "Sinto que no primeiro set eu estava tentando me ajustar ao jogo dela, às condições, ao vento, tentando entender como jogar. Fui pensando: está tudo bem, são condições difíceis, ela é a número 1 do mundo, vou tentar dar o meu melhor até o fim e vamos ver como vai. Sinto que no terceiro set finalmente encontrei meu ritmo e como jogar. Onde estar um pouco mais na defesa e onde atacar. Sinto que o terceiro set foi o que eu deveria ter buscado desde o começo", disse Shnaider ao site de Roland Garros.
Carreira e o que vem a seguir
Com o resultado, Shnaider supera sua melhor campanha anterior em Slams, as quartas do US Open 2024, e garante a primeira semifinal de Grand Slam da carreira. A vitória também encerrou uma sequência de seis semifinais consecutivas de Slam para Sabalenka.
Em termos de ranking, a russa sai da 23ª posição e sobe ao 16º posto na próxima lista da WTA. Se for à final, chega ao 14º lugar. Se vencer o torneio, estreia no top 10 na nona posição.
Na semifinal, Shnaider enfrentará a polonesa Maja Chwalinska, vinda do quali, que mais cedo eliminou a russa Anna Kalinskaya e se tornou a segunda tenista oriunda do qualifying a chegar à semi em Paris. A partida de canhotas promete.
A derrota de Sabalenka também tem um peso histórico: com ela fora da chave, Roland Garros 2026 terá oito semifinalistas, homens e mulheres, que nunca venceram um Grand Slam. É a primeira vez que isso acontece desde o torneio de 1977.
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