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Rio Open confirma avanço para mudança de piso e Gaudenzi deixa o Jockey "bem impressionado"

  • 23 de fev.
  • 4 min de leitura

Acabou o Rio Open 2026. Etcheverry levou o troféu de simples, Fonseca e Melo foram campeões nas duplas e, na coletiva pós-final deste domingo, Lui Carvalho entregou a notícia que o circuito esperava há anos. "Essa questão do piso é bem antiga. Um pedido meu à ATP há seis, sete anos. Confio que estamos perto de um desfecho feliz, de fazer essa mudança", disse o diretor do ATP 500 carioca.


A mudança de piso, do saibro para a quadra dura, é o projeto mais ambicioso da organização do Rio Open e o que mais interessa ao mercado. Carvalho não tem dúvida do impacto: "Acredito que a transição para a quadra dura vai beneficiar o torneio ao atrair grandes jogadores para o Brasil."


A semana que passou, aliás, deixou esse argumento ainda mais evidente. Com chave esvaziada pelos torneios do Oriente Médio e pela sequência desfavorável do calendário, o Rio Open terminou mais uma edição sem nenhum integrante do top 10 na chave de simples. O problema não é novo. A solução, pelo menos, parece mais próxima.


Imagem editada, imaginando a quadra Guga Kuerten, no Jockey, com piso rápido
Imagem editada, imaginando a quadra Guga Kuerten, no Jockey, com piso rápido

Gaudenzi no Jockey: helicóptero, patrocinadores e nada assinado

A visita de Andrea Gaudenzi ao Rio Open foi o dado mais simbólico da semana. O presidente da ATP esteve no Jockey Club Brasileiro acompanhando alguns dias do torneio, num movimento sem precedente recente: a última vez que um presidente da entidade tinha pisado na América Latina havia sido em 2014, com Chris Kermode. Doze anos de ausência.


A estratégia da organização, porém, foi deliberadamente cautelosa. Carvalho deixou claro que a visita não foi desenhada para produzir acordo. "Não trouxemos o Gaudenzi para falar sobre as alterações. Queríamos mostrar o evento, a cidade. Ele se reuniu com a diretoria, os patrocinadores do Rio Open, para escutar sobre o comprometimento com o desenvolvimento do torneio. Fez um passeio de helicóptero pelo Rio, viu o Jockey, pôde entender muito mais. O nosso objetivo era mostrar nosso potencial e não necessariamente sair com algo assinado."


O resultado foi exatamente o planejado. "Se as coisas vão funcionar a nosso favor ou contra, temos que esperar, mas ele saiu daqui bem impressionado", disse o diretor. Mostrar o torneio, a cidade e o público para quem decide os rumos do calendário global. Deixar que a experiência fizesse o trabalho que nenhuma planilha faz.


Não foi a única conversa relevante da semana. Segundo o jornal argentino La Nación, Gaudenzi esteve antes em Buenos Aires com o mesmo objetivo: discutir a realocação da gira sul-americana no calendário a partir de 2028, quando a ATP planeja estrear um novo Masters 1000 na Arábia Saudita em fevereiro, mês que já concentra os ATP 500 de Doha e Dubai. Pelo regulamento da entidade, semanas de Masters 1000 eliminam qualquer outro torneio do calendário. O Rio Open, encravado exatamente nessa janela, precisaria se mover ou desaparecer.


2027 no saibro, 2028 na quadra dura

O roteiro está desenhado, mas sem assinatura. O Rio Open 2027 acontecerá entre 13 e 21 de fevereiro, no Jockey Club Brasileiro, ainda no saibro. A mudança de superfície, se aprovada, estrearia em 2028 e viria acompanhada de uma provável mudança de data para abrir espaço ao Masters 1000 saudita no calendário. Fernando Meligeni já havia adiantado, em seu podcast New Balls Please, estes rumores. Confira:



A posição do ATP 250 de Buenos Aires é diferente. Com contrato garantido com a ATP até 2033, o torneio argentino é contra a mudança de data e prefere aproveitar o momento político para pleitear uma elevação de categoria para ATP 500. Rio e Buenos Aires, portanto, entram nessa negociação com agendas distintas, o que torna a equação mais complexa para a ATP resolver de uma vez só.


Carvalho, por sua vez, enxerga na crise do calendário uma janela que não pode ser desperdiçada. "A Arábia Saudita é muito disruptiva no calendário. É quando temos a oportunidade de falar: 'Opa, é agora que vamos fazer essa mudança. Porque, se você está mudando a gente desse lugar para esse outro, então nós precisamos disso'. As coisas estão se alinhando de uma maneira para ter um final feliz", disse ao Sportvnews durante a semana.


O desabafo que o duplista Marcelo Demoliner publicou no Instagram durante o torneio, acusando a ATP de colocar o Rio Open "numa posição quase que inviável", capturou em dois minutos o que a organização vinha dizendo em reuniões fechadas há anos. A diferença é que Demoliner disse para 126 mil seguidores. E chegou na semana certa.


Os nomes na mira e o xadrez de sempre

Para 2027, João Fonseca já está confirmado, agora com o peso extra de ter sido campeão das duplas ao lado de Marcelo Melo nesta edição, numa semifinal e numa final que pararam o Jockey Club. Os demais nomes ainda são conversas informais, mas Carvalho não escondeu a lista de desejos.


"Adoraria que o Musetti conseguisse voltar. Casper Ruud é outro com quem conversamos. Rublev tem uma chance real. O Rune teve uma experiência ruim aqui, mas também joga bem no saibro. As conversas são informais, não estou negociando nada mais a fundo. Normalmente esperamos até o fim de Roland Garros para entender quem foi bem no saibro", explicou o diretor.


O caso Mensik é o que melhor ilustra a dificuldade de montar uma chave de alto nível nessa janela do calendário. "Tínhamos contrato apalavrado com o Mensik para 2026, mas ele precisaria jogar a Copa Davis na América do Sul, e demos muito azar." Um tenista que chegou às semis de Doha nesta semana, vencendo Sinner pelo caminho, não pôde estar no Rio. A ironia não é pequena.


"É um jogo de xadrez com vários tabuleiros", concluiu Carvalho. A próxima jogada, como sempre, é da ATP.

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