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Victoria Barros alcança 9º lugar no ranking juvenil da ITF e bate recorde histórico do Brasil

  • há 3 horas
  • 5 min de leitura

Victoria Barros, de 16 anos, subiu para o 9º lugar no ranking mundial juvenil da ITF nesta segunda-feira (23), tornando-se a tenista brasileira mais bem colocada da história nessa classificação. A potiguar superou a marca de Luisa Stefani, que havia chegado ao 10º posto, e passou a Beatriz Haddad Maia, Teliana Pereira e todas as outras compatriotas que vieram antes. Nesta mesma atualização do ranking, Nauhany "Naná" Silva chegou à 11ª posição, superando sua melhor marca até aqui e estabelecendo um feito inédita: duas brasileiras no top 15 simultâneo do circuito juvenil.


Victória Barros, tenista em ação vibrante no Banana Bowl 2026, vestindo amarelo neon e jogando a bola. Fundo escuro com logotipos e emoção intensa na quadra.
Victória Barros (Foto: Luiz Candido/CBT)

O pano de fundo direto das duas subidas é o Banana Bowl, torneio J500 realizado em Gaspar, Santa Catarina, encerrado no último domingo. O resultado foi uma final 100% brasileira, vencida por Naná sobre Victoria por 6/3, 4/6 e 6/3 em mais de duas horas de batalha. O título foi de uma, o recorde histórico de ranking ficou para as duas. E, para o tênis brasileiro, sobrou um retrato que vai durar um tempo.


O Banana Bowl e a final que o Brasil queria

O Banana Bowl é o torneio juvenil mais tradicional da América do Sul e um dos mais valiosos do mundo, só abaixo dos quatro Grand Slams em termos de pontos distribuídos. E foi justamente nele que as duas maiores promessas do tênis feminino brasileiro se encontraram oficialmente pela primeira vez em uma final.


Naná chegou à decisão embalada: havia conquistado o Brasil Juniors Cup (J300), em Porto Alegre, na semana anterior, e chegou ao confronto em Gaspar com 21 vitórias consecutivas e três títulos seguidos. Victoria, principal favorita do torneio, havia sido colocada como cabeça de chave número 1 e confirmou o posto até a decisão, sem perder sets nas rodadas anteriores.


A final foi equilibrada. Naná abriu 6/3 no primeiro set com agressividade. No segundo, Victoria variou mais, usou slices, bolas curtas e altura diferente para mudar o jogo, e ganhou o set. No terceiro, a paulistana voltou a dominar com a bola pesada característica, quebrou no momento decisivo e fechou 6/3, conquistando o título. Primeiro troféu de uma brasileira no torneio desde Roberta Burzagli, em 1991. Trinta e cinco anos de espera.


Victoria perdeu o título, mas não saiu de mãos vazias. Com a campanha, subiu três posições no ranking e chegou ao 9º lugar, sua melhor marca e a melhor da história do tênis feminino brasileiro na classificação juvenil da ITF.


De Natal para a Riviera Francesa

Victoria nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e chegou ao tênis pela porta que muita criança potiguar entra primeiro: o beach tennis. Aos 4 anos, já acompanhava a mãe, Maria Luiza, nos torneios da modalidade. Aos 5, pegou uma raquete de tênis. Aos 7, segundo ela mesma, percebeu que aquilo era o que queria para a vida.


Aos 10 anos, foi descoberta num polo da Rede Tênis Brasil em Natal, organização que desde então faz parte da sua trajetória. A evolução no circuito internacional foi rápida. Em 2023, com 13 anos, disputou dez torneios da ITF e ganhou quatro títulos. Patrick Mouratoglou, técnico que treinou Serena Williams por uma década, a observou em campo e ficou convencido. Em janeiro de 2023, Victoria se mudou para Biot, na Riviera Francesa, para treinar na academia de Mouratoglou, com a mãe ao lado.


Victória Barros com a mãe Maria Luiza e Mouratoglou (Foto: Reprodução/Instagram)
2024: Victória Barros com a mãe Maria Luiza e Mouratoglou (Foto: Reprodução/Instagram)

O francês não economizou nas palavras: "Ela tem um jogo muito completo e diferente do que vemos no tênis feminino", disse Mouratoglou ao descrever a jogadora. "Ela está sorrindo quase o tempo todo quando está em quadra. Não é um trabalho, é uma paixão."


Em 2025, Victoria entrou na história ao se tornar a primeira brasileira a alcançar as oitavas de final de simples no Australian Open juvenil. Luisa Stefani havia chegado à segunda rodada em 2015; antes disso, nenhuma outra havia chegado tão longe no major australiano. Neste começo de 2026, Victoria sofreu uma lesão na panturrilha no Open da Austrália juvenil, ficou afastada por semanas e retornou justamente na sequência de torneios que a levou ao Banana Bowl e ao recorde histórico.


Nascida no Real Parque, campeã em Gaspar

Nauhany Vitória Leme da Silva nasceu no Real Parque, comunidade na zona sul de São Paulo, em 13 de março de 2010. O título do Banana Bowl, conquistado dez dias depois do seu 16º aniversário, virou mais um capítulo de uma trajetória que já acumula marcas difíceis de ignorar.


Treinada por Léo Azevedo no Time Rede Tênis, Naná chegou ao circuito profissional cedo. Em agosto de 2024, aos 14 anos, tornou-se a jogadora brasileira mais jovem a disputar e vencer uma partida em uma chave principal profissional. Em setembro de 2025, fez história no SP Open ao derrotar Carolina Meligeni e se tornar a primeira jogadora nascida em 2010 a vencer uma partida de nível WTA em chave principal. Seu ranking chegou ao pico de 646ª posição no mundo profissional em dezembro do mesmo ano.


No juvenil, chegou ao 11º posto nesta segunda-feira, com 1.834,75 pontos, entrando oficialmente na galeria das brasileiras que mais longe chegaram nessa classificação.


O recorde e o parâmetro que existia antes dele

A atualização do ranking desta semana empilhou os nomes na lista das brasileiras que mais alto chegaram no juvenil da ITF:


9ª — Victoria Barros (2026)

10ª — Luisa Stefani

11ª — Nauhany da Silva (2026)

12ª — Teliana Pereira

14ª — Roxane Vaisemberg

15ª — Beatriz Haddad Maia

18ª — Laura Pigossi


Antes de Victoria, o teto tinha nome e sobrenome. Luisa Stefani chegou ao 10º lugar do mundo ainda na base, com uma base construída em consistência e conquistas espalhadas pelo calendário juvenil. Em simples, somou quatro títulos no circuito ITF, com destaque para o Sudamericano Individual em 2015 e a Copa La Razón em 2014. Nas duplas, onde seu talento natural era ainda mais evidente, acumulou seis títulos, incluindo o próprio Banana Bowl e o Astrid Bowl, além do Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre, de categoria Grade A. Em 2015, embalou três títulos em sequência, todos no saibro.


Stefani em ação no 31º Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre                                                                    (Crédito: Marcelo Ruschel / POA Press)
2014: Stefani em ação no 31º Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre (Crédito: Marcelo Ruschel / POA Press)

Nos Grand Slams, seus melhores resultados também vieram nas duplas: semifinal do US Open juvenil em 2015, semifinal de Roland Garros em 2014. Em simples, as campanhas foram mais discretas. O contraste já dizia muito sobre o que viria depois: Stefani construiu uma das mais longas e sólidas carreiras de duplistas do tênis feminino mundial. É exatamente por isso que o feito de Victoria ganha peso adicional. Superar o melhor ranking juvenil já registrado por uma brasileira significa superar o patamar de uma jogadora que transformou esse potencial em elite real no circuito profissional.


O que Victoria vai fazer com isso, só o tempo responde. Mas o número, por enquanto, é dela.


2012: Beatriz Haddad Maia ao lado da paraguaia Montserrat Gonzalez no Banana Bowl                                                               Crédito: Marcelo Ruschel / POA Press
2012: Beatriz Haddad Maia ao lado da paraguaia Montserrat Gonzalez no Banana Bowl Crédito: Marcelo Ruschel / POA Press

O que vem a seguir

A temporada de saibro europeia começa a ganhar forma em abril e deve ser o próximo grande palco das duas. Os calendários ainda não foram confirmados pelas equipes, mas é provável que ambas sigam mesclando torneios juvenis e profissionais ao longo da temporada, seguindo o padrão dos últimos meses.

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